16 de junho de 2008

ESTOU EM PARIS!

“Paris é uma festa!”, “Paris não é uma cidade, é um estado de espírito.”. Vou saber se e quantas das coisas que se diz sobre Paris são reais.
Mas é claro que minhas considerações não serão isentas, nem serão, talvez, dignas de crédito. Olharei Paris com meus olhos tupiniquins deslumbrados, colocarei em Paris a cor do meu interesse, da minha alegria de estar lá.
Provavelmente, muito provavelmente, minha Paris será mais colorida e mais bela do que a Paris real, verei nuances e sentirei emoções que Paris não tem. Mas essa inverdade não será algo ruim, porque minha Paris será única, diferente, original. E não estarei mentindo ou inventando uma Paris inexistente, porque estarei lá.
Não que eu ache ruim a idéia de inventar uma cidade que não existe em nenhum lugar da Terra, aliás, esse descompromisso com a verdade é justamente o que mais me apaixona na literatura! Um dia talvez eu invente uma cidade de palavras e emoções e sonhos, mas não será hoje, não será agora...
Agora vou descrever a Paris que verei, a Paris que está, a Paris que é. Apenas não poderei evitar, assim como ninguém pode, olhar Paris com meus olhos embaraçados de sentimentos. Não posso evitar descrever Paris com minhas palavras incompletas, ambíguas, infiéis.
Eu estarei na Paris real, por isso serei parte da Paris que descrevo e serei tanto mais fiel à Paris que descrevo quanto mais fiel puder ser a mim.
Portanto, se alguém que me lê chegar um dia a Paris e não a reconhecer, não me culpe, não me veja como mentirosa. A Paris que você vai ler aqui será a minha Paris, a que você verá será a sua, e assim como somos pessoas distintas, veremos distintas cidades... Não é exatamente isso o que acontece com tudo o que vemos e sentimos? Quantos mundos há no mundo? Tantos quanto pessoas há para vê-lo!

Divina de Jesus Scarpim