18 de agosto de 2008

IR A ROMA E NÃO VER O PAPA!

É tudo que eu aconselharia a alguém... não estou me referindo só ao para papa mesmo, aquele velhinho besta que se acha representante de deus na terra, se não o próprio deus... estou me referindo ao Vaticano, o menor país do mundo e, seguramente um dos mais chatos!

Eu fui a Roma esse fim de semana, que foi prolongado na França, na Itália e talvez na Europa, porque é uma data religiosa qualquer que eu não entendi bem qual seja. Pois bem, saímos de Paris à tardinha e pegamos um trem-dormitório, que eu pensei que fosse algo bonito e romântico mas que não é nada disso... é um trem velho, com cabines onde cabem seis pessoas, três a três, um trio de frente para o outro, em bancos razoavelmente confortáveis, em cima vê-se logo duas camas, uma de cada lado, quando anoitece a gente puxa o encosto e ele se torna uma cama, enquanto que o assento é outra cama e, Zalum! Temos seis camas para seis pessoas...

Na ida fomos com uma família italiana composta de mãe, pai e filho adolescente, apesar de não falarmos italiano e de eles não falarem português nem francês, nós até que conversamos bastante, principalmente os dois homens porque o Nêgo queria aprender italiano em uma noite e o cara era simpático e agradável o suficiente para tentar ajudar. Além de nós e dessa família havia um africano muito calado que quase não falou com a gente, nem em inglês que ele parecia saber e que tanto o Nêgo quanto o outro homem sabiam... parecia que ele não estava mesmo a fim de conversar...

A viagem durou bem mais do que o esperado porque o trem ficou, a altas horas da noite, parado por muito tempo duas vezes. De manhã o Nêgo ouviu conversas de que teria sido uma vez por causa de uma tempestade e a segunda vez por causa de um “pente-fino” na fronteira, o fato é que era para a gente chegar a Roma às 10 da manhã e acabamos chegando ao meio dia... mas como a companhia estava bastante agradável nem foi assim tão aborrecido. Na volta viemos com quatro mulheres, duas jovens e duas mais velhas, eram orientais, de Cingapura, e falavam inglês, o Nêgo conversou bastante com elas, eu bem pouco porque meu inglês é um desastre! Não teve atraso.

No primeiro dia entramos no Coliseu e no espaço onde está o Fórum e o Palatino romano, esse espaço é imenso e quando deu a hora de fechar a gente ainda não tinha andado nem metade, mas o ingresso valia por dois dias e poderíamos ter voltado no dia seguinte... poderíamos!

O problema foi que resolvemos, apesar do nosso espírito não religioso, ir ao Vaticano, afinal, é voz corrente que não se pode ir a Roma sem ver a Capela Sistina e o museu do Vaticano, além da imensidão impressionante da praça e da catedral de São Pedro; inclusive, a mulher que viajou conosco disse que ver a Capela Sistina causava uma emoção que ela definia com uma palavra que significa algo que supera o deslumbramento, nós quisemos saber que emoção era essa: Foi uma das piores besteiras que já fizemos na vida!

Chegamos e vimos uma fila imensa, mas somos otimistas e achamos que ela estava rápida e que a entrada era logo à frente onde dobrava a muralha, então ficamos na fila... sol quente, calor e cerveja a quatro euros o copo (copo, não latinha!). Três horas depois entramos, três horas porque a entrada era bem mais à frente do que a gente tinha pensado; vimos que tudo era grande, inclusive o caminho até a Capela Sistina... a gente seguia as indicações nas placas e as pessoas, que eram muitas e iam sempre na mesma direção que a gente... Pensávamos que a capela estava logo ali e ela simplesmente nunca chegava... Eu estava com dor, minha fibromialgia se manifestou com tudo e não quis tomar o último comprimido para dor que era do Nêgo... Nunca vi e duvido que vá ver alguma vez na vida uma capela mais difícil de se chegar do que essa!

Eu já estava querendo dar meia volta e sair de lá, desistindo sem remorso de qualquer emoção acima do deslumbramento em nome da minha sanidade mental que já começava a ser afetada pela dor e pela raiva, mas não o fiz porque nunca daria para saber se de repente para voltar não teria que andar mais ainda do que pra chegar na maldita capela!

A cada trecho que se andava tinha um balcão vendendo bugigangas; eram rosários e medalhinhas, estatuetas e livrinhos, reproduções e postais... As obras expostas nos salões não tinham nenhum cartão com referência, nenhum nome, nenhuma explicação, tinham apenas um número e se você quisesse saber do que se tratava tinha que comprar os livros que falam tudo sobre o Vaticano ou então pagar pelo tal aparelho no qual você aperta a tecla indicada e ouve, na língua que escolheu, a explicação que qualquer museu que se dê esse nome tem ali, ao lado da obra.

Finalmente, depois de muitos quilômetros de caminhada e de passar por muitas lojinhas, chegamos à tão famosa Capela Sistina e... surpresa! Lá não pode tirar fotografia, mesmo sem flash... deve ser pra obrigar quem ainda não o fez a comprar uma reprodução colorida ou um livro com cada parte detalhadamente explicada como se fosse pelo próprio Miguelangelo... Eu já estava cantando a musiquinha em ritmo de parabéns a você em inglês:

O Papa é um filho da puta
O Papa é um filho da puta
O Papa é um filho da putaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!
Ninguém pode negar!
Ninguém pode negar!

Saí de lá furiosa, não senti emoção-mais-que-deslumbramento nenhuma e acho que o próprio Miguel ficaria muito puto se soubesse a sacanagem que estão fazendo com ele. Claro que a pintura da Capela é linda, claro que tem muita coisa bonita naqueles corredores todos que a gente é obrigado a seguir para chegar até ela, mas toda a beleza fica perdida no meio da raiva, do desconforto e da exploração.

E eu achei que já tinha esgotado toda a possibilidade de sentir raiva do papa quando finalmente consegui sair daquele lugar, encontrar um restaurante simpático e comer uma gostosa refeição fechada por um limoncello maravilhoso quando, voltando para o lugar de onde viemos, vimos que da fila de três horas que enfrentamos não restava nem vestígio! As pessoas que passavam estavam saindo de lá, pouquíssima gente estava entrando, não havia mais fila nenhuma e era pouco mais do que três horas da tarde! Nós nos sentimos dois perfeitos imbecis, perdemos o ingresso que já estava pago para o Fórum e o Palatino e perdemos praticamente um dia todo de uma viagem de apenas três dias em uma cidade que tem milhões de coisas mais interessantes para ver do que o antro do filho da puta do papa!

O dia seguinte passamos andando pela área do Palatino, fomos ao Circo Máximo e ao Panteón e, nesse caminho que fizemos, desviamos de tudo que tivesse relação com papa ou igreja católica!
Foi um dia perfeito!

14 de agosto de 2008

UM FIM DE SEMANA FANTÁSTICO!

A empresa emprestou um carro e nós saímos de Paris bem cedinho, viajamos por rodovias hiper bem cuidadas, com asfaltamento impecável e um sistema de cobrança de pedágio que aboliu totalmente as cabines com pessoas recebendo dinheiro e entregando troco ( e aboliu provavelmente um montão de empregos por isso) são máquinas nas quais você introduz seu cartão de crédito e recebe seu comprovante, a cancela abre e você segue viagem...

No caminho muitos vilarejos cercados de plantações bem cuidadas, com lindas casas de pedra que têm vasos de flores vermelhas e rosadas nas janelas... Sempre presenciando essa paisagem, chegamos ao Monte San Michel, um lugar que eu nunca tinha me atrevido a sonhar conhecer porque sempre achei que isso era algo totalmente fora das minhas possibilidades de sonho viável. Fui fascinada por esse Monte desde que assisti ao filme Ponto de Mutação, um filme delicioso que não me cansei nunca de rever e que tem como locação o Monte San Michel.

Passamos o dia lá e seguimos em direção à cidade medieval amuralhada e à beira mar que se chama Saint-Malo, nós tínhamos visto fotos desse lugar e, como gostamos muito de lugares antigos, resolvemos que passaríamos lá o domingo. Mas, não deu certo porque não reservamos hotel e estava tudo super lotado. Tinha gente demais nas ruas, gente demais entrando e saindo pelos portões medievais da cidade e gente demais superlotando todos os hotéis caros e baratos...

Frustrada nossa intenção, andamos mais uns bons kilômetros e chegamos a Rennes já um pouco tarde da noite. Estacionamos no primeiro hotelzinho simpático que vimos e para nossa surpresa tinha vaga e, embora já tivesse passado muito da hora do jantar, o rapaz da recepção preparou uma refeição leve, fria e muito boa para que não dormíssemos sem comer... Ainda estamos procurando os tais franceses tão antipáticos e mal educados de que tanto nos falaram... Até agora não encontramos nenhum!

Antes de dormir olhamos no guia da França e decidimos passar em uma cidade chamada Fougéres, que fica bem perto de Rennes e que, pela foto do guia, parecia que tinha um castelo medieval razoável. No dia seguinte demos uma volta pela cidade de Rennes, que é bem mais bonita e simpática do que a gente esperava, e seguimos para o tal castelo de Fougéres. Tínhamos relacionado mais dois castelos para ver nos arredores e sem desviar muito do sentido Paris, mas quando chegamos a Fougéres ficamos embasbacados! A cidade é maravilhosa! O castelo é o maior e mais bem conservado que a gente já viu até hoje e, ao contrário dos castelos que foram construídos apenas para ser residência de um nobre que queria ostentar sua riqueza e poder, como vários dos lugares muito visitados no mundo como o são os castelos do Vale do Loire, esse é realmente um castelo medieval daqueles que foram construídos para defender o território de ataques inimigos e que foi palco de muita briga! Além disso, a cidade toda, com os trechos bem conservados da antiga muralha, as casas de pedra e a grande igreja que domina o morro e em cuja torre se pode subir sem ter que pagar nada e de onde se tem uma linda vista panorâmica de toda a região, é de uma beleza de cair o queixo! Perto das muralhas do castelo tem uma outra igreja tão antiga que deve ter sido freqüentada por cavaleiros em armaduras...

E uma delícia à parte foi termos parado em um barzinho simpático de esquina ao lado da antiga igreja. Entramos e fomos atendidos por uma francesa magrinha e sorridente, muito simpática e ativa que nos preparou uma deliciosa salada e nos serviu uma biérre de pressión saborosa como são as cervejas na frança. Nossa surpresa foi termos sido tão bem atendidos embora já tivesse passado bastante do horário do almoço e, no final de tudo, recebermos uma fatura que não era nada assustadora, pelo contrário, foi uma refeição agradável ao extremo e bem barata.

Resultado: Passamos o dia todo na cidade, voltamos ao mesmo bar simpático antes de retornar a Paris e a moça que nos atendeu da primeira vez ainda nos fotografou e fechou nossa conta colocando à nossa frente duas cervejas por como oferta da casa!

Não tenho intenção de fazer propaganda, mas se por um acaso alguém for para lá e quiser saber, o nome desse barzinho tão simpático é “Bar Le Saloon”, ele toca música “cawtry” de ótima qualidade e a simpatia da atendente é um diferencial que vale mesmo conferir.

Ela me deu um cartão e eu vou mandar pra ela uma cópia dessa citação de seu bar, mesmo sabendo que ela não entende português... é uma forma de retribuir a gentileza com que fomos atendidos por ela!

Bem, saindo da lá felizes da vida, pegamos a rodovia e voltamos a Paris... na continuação do que está sendo um período de férias maravilhosas para mim!

11 de agosto de 2008

DETESTO O QUE FAZEM COM AS MULHERES!



DETESTO O QUE FAZEM COM AS MULHERES!

Aqui na França existem muitos muçulmanos, muitos mesmo! E as mulheres muçulmanas estão sempre com aquele famigerado lenço na cabeça! Eu detesto todos, todos, todos eles mesmo!

Mas o que eu não sabia antes de vir para cá é que eles são bem diferentes... Tem mulheres que parece que só os usam brancos, tem outras que abusam dos coloridos e delicadamente bordados, e tem aquelas que só usam preto.

Quanto às roupas também variam muito... A gente vê mulheres de lenço com roupas ocidentais, geralmente essas são as mais jovens, algumas usam roupas típicas geralmente compostas por uma calça comprida bem larga de tecido leve e uma túnica do mesmo tipo de tecido em cima, outras usam essas túnicas sobre calças comuns, inclusive jeans, e há aquelas que usam uns vastidões pretos horrorosos arrastando no chão.

Mas o pior, o mais terrível mesmo de se ver, são aquelas que usam os véus tapando o rosto. É revoltante! Eu as vi algumas vezes fazendo lanches com seus marido e filhos nos parques e jardins: elas levantam o véu um pouquinho e enfiam a comida por baixo do véu pra poder comer! Eu sinto uma raiva tão grande de ver isso, uma revolta tão grande, um ódio impotente tão, mas tão enorme que me faz mal!

Elas quase sempre estão acompanhadas de um homem, as de rosto totalmente coberto eu nunca vi sozinhas e as que vestem aquela roupa toda preta é comum encontrar em bandos, como bandos de urubus, coitadas! Às vezes têm crianças junto às vezes não. Eu sinto sempre uma vontade enorme de sair estapeando, socando, cuspindo e xingando dos piores nomes que puder lembrar esses homens, esses grandessíssimos sei lá o quê, não conheço palavra pra definir alguém tão ruim, que sujeitam dessa forma humilhante as mulheres enquanto que eles passeiam livres, leves, soltos como senhores do universo. Ai caramba, como eu os odeio!

E meu ódio não vai só para aqueles que aceitam humilhar publicamente a mulher tapando até o rosto dela não, meu ódio vai igualmente para todos, todos os que andam com as mulheres cobertas, mesmo que seja com um lenço colorido da seda mais pura e mais cara, eu queria cuspir na cara desses também!

E não adianta alguém vir me dizer que isso é escolha da mulher, que ela aceita usar essa droga de véu na cabeça e até na cara, que é ela quem quer ser assim. Se não tivesse essa coisa idiota de fanatismo religioso, se não tivesse essa mentalidade machista do homem se sentir dono e proprietário da mulher e dizer que é um deus qualquer que quer isso, não teria nunca esse “querer” das mulheres que se cobrem dessa forma!

Tá, até eu posso um dia resolver que um determinado lenço é bonito e achar legal colocá-lo na cabeça e sair assim, mas eu sou livre para usá-lo quando, e se, quiser, posso usá-lo na sexta e não no sábado, usar hoje um branco, amanhã nenhum, daqui a dois dias um vermelho e, se quiser posso até achar apropriado em determinados lugares e horas usar um lenço preto. Mas eu não tenho que sair TODO DIA com um lenço na cabeça, e não tenho que sair NUNCA com um lenço na cara!

Só uma interpretação religiosa criada por machistas inseguros pode obrigar as mulheres a se humilharem dessa forma! Não acredito, mas não acredito mesmo que, se existir um deus, seja ele qual for, esse deus vá achar que é dever de um ser humano humilhar e degradar outro ser humano como fazem alguns homens com as mulheres alegando ser essa a vontade de um deus. Não vejo nenhuma possibilidade disso!

E não limito minha revolta à alegação machista dos homens da religião muçulmana não, ta? Os protestantes têm aquele hábito imbecil de proibir a mulher de cortar o cabelo e de usar calça comprida, e a bíblia tá tão cheia de ofensas à mulher que eu me espanto de existirem mulheres cristãs.

Não, eu não posso aceitar que seja possível um ser humano sujeitar outro ser humano, tolher toda a sua liberdade, humilhá-lo e aprisioná-lo e ainda alegar que possa haver algum bem nisso. Se a escravidão é uma prática que a grande maioria dos seres humanos civilizados do nosso tempo abomina, por que ainda se aceita essa escravidão da mulher? Não, eu não entendo e não aceito o argumento de que é “da cultura” ou de que “elas são livres e escolheram usar essas roupas e esses véus”... Não é compreensível pra mim.

Algumas dessas mulheres totalmente ou parcialmente empacotadas em panos que a gente encontra por aqui estão empacotadas em panos visivelmente caríssimos, ou então estão carregando sacolas de roupas de grife, daquelas que a gente sabe bem que uma euzinha que nem eu não vai poder comprar nunca. Daí algumas pessoas dizem que elas andam assim nas ruas, mas em casa usam roupas lindas, perfumes caros e muitas jóias; e disseram até que apesar daquela roupa toda, elas podem de repente estar nuazinhas por baixo... Grande consolo! Por baixo das roupas todos nós estamos nuzinhos, eu, você, o padre, o monge... E ter roupas, jóias e perfumes caros não vale nada quando não se tem liberdade de comer sem ter que levantar um véu que te cobre o rosto e que você não pode tirar... Uma algema banhada a ouro e cravejada de diamantes continua sendo uma algema!

Isso é revoltante e vai ser difícil me acostumar a ponto de não sentir um aperto aqui dentro cada vez que vejo uma mulher sendo assim tão aviltada!

4 de agosto de 2008

4 DE AGOSTO DE 2008

Sobre saladas

Até vir à França, a maior sofisticação “saladística” que eu conheci e que já pratiquei em casa foi a de incluir frutas nas saladas de alface e tomate. Fazia-se uma salada normal, colocava-se nela pedaços de manga, ou maçã, ou kiwi, ou carambola, ou uva-itália sem semente; tinha também a variante de se colocar passas e uma vez vi uma amiga colocar pedaços muito pequenos de bacon frito. Todas essas variações, em minha casa, em casa de amigos ou mesmo em restaurantes, não fugiam ao tempero clássico sal-vinagre-óleo, que nos restaurantes em geral estão na sua mesa ou em um lugar à parte e você coloca na sua salada da forma que quiser, nesse clássico tempero as possibilidades de variação se reduziam em geral a substituir o óleo pelo azeite, e nesse caso quanto mais saboroso o azeite melhor a salada, claro; e podia-se, isso foi pra mim achado recente, substituir o vinagre comum por vinagre balsâmico.

Bem, isso tudo foi antes de eu vir para a França. Aqui as saladas são algo totalmente diferente, elas podem levar frango (não é o salpicão tão nosso conhecido), podem levar queijo, podem levar peixe assado, em conserva ou cru (as fatias ou pedaços de salmão defumado que tem em qualquer supermercado daqui é uma maravilha à parte!), elas têm uma mistura de folhas verdes que são mas não são o nosso tão conhecido alface; mas, o principal sobre as saladas francesas é o tempero, a salse. Nos restaurantes elas sempre vêm muito arrumadas e deliciosamente temperadas, em casa a gente pode ter um vidro de tempero comprado no mercado e jogar um pouco sobre a salada pronta e está pronto o manjar.

Tenho que destacar aqui, sempre, o fato de que sou uma vagabunda doméstica e tudo que fiz de trabalho típico foi feito sem nenhum tesão, apenas necessidade. Odeio trabalhos domésticos, todos eles! E, portanto, estou falando apenas como “comedora” e não como artista. Fiz sim muitas saladas na vida, mas jamais me esmerei em ser uma boa, ou mesmo mediana, criadora de saladas. Sempre preferi comer em restaurantes do que preparar refeições.

O fato é que se a única coisa boa para comer na França fosse a salada, eu estaria emagrecendo, isso porque elas são tão grandes, variadas, coloridas e saborosas que não se precisa de mais nada para compor uma refeição.

Outro mito caindo por terra: Até hoje não vi o lugar da França ou de Paris onde se pede uma refeição, paga-se a conta e sai-se de lá com fome, como me diziam que seria; ao contrário, sempre vem comida suficiente para você ficar mais do que satisfeito e até mesmo comer tanto a ponto de ficar totalmente cheio e deixar comida no prato. E isso acontece também com as saladas!

Sobre as roupas

Coisa espantosa demais em Paris para mim são as roupas que vejo as pessoas usando nas ruas e comprando nas lojas: Elas são horríveis!

Paris, capital da moda, é de longe o lugar onde vi mulheres mais mal-vestidas de todos os lugares aonde já fui! Tem exceções? Sim, claro que tem! Às vezes a gente encontra uma roupinha bonitinha na vitrine de uma loja, às vezes a gente passa por uma mulher, jovem ou não tanto, com um vestidinho bonitinho e um calçado que combina... mas é espantoso como que se vê roupas feias usadas com calçados e bolsas que não têm nada a ver com nada!

Tudo bem, estou falando apenas como observadora leiga mais para ignorante, não tenho e nunca tive a moda como uma das preocupações da minha vida, não entendo absolutamente nada do assunto, apenas olho e acho bonito ou não. E aqui fico espantada com a freqüência de não! Tem uns vestidos com uns babados enormes, uns laços pra lá de ridículos, uns recortes e “enfeites” pra lá de espalhafatosos a ponto de chamar a atenção até de minzinha que nunca fui de reparar muito nessas coisas.

E as cores são um caso à parte: parece que as cores preferidas das francesas são verde-musgo e marrom-sujo, ou então aqueles amarelos apagados que devem ter tanto o marrom sujo quanto o verde-musgo na composição. Daí, com essas cores e esses detalhes, elas compõem um todos que é simplesmente feio.

A maior moda em calçado aqui no momento é um sapatão de plástico grande e grosso, feio demais mesmo, tipo chinelo fechado na frente e aberto atrás, são vendidos e comprados em todas as cores imagináveis. Vou tentar me lembrar de fotografar um desses, só fotografar porque comprar não vai dar mesmo, eu não os usaria jamais! Só falta descobrir, quando voltar para o Brasil, que os tais sapatos horrorosos agora são moda lá também!