26 de março de 2009

MINHA TIA COM DOR DE CABEÇA

Ser mulher às vezes dói e dói muito. A dor vem de muitos lugares e até de longe, lá dentro de outra pessoa; depois passa o tempo e a dor fica lembrança, só que lembrança não é nunca coisa que deixou de doer.

Era eu quase pequena ainda, tinha já vergonha de não ter o começo de seios que logo teria e escondia cruzando os braços a falta quando imaginava ou via alguém olhar, tinha, acho que tinha, uma mudança lá em baixo que eu não entendia bem de que jeito que era porque não lembrava como é mesmo que era antes. Não lembrava porque antes era proibido olhar. Agora também era, mas agora eu não era mais daquele jeito que às vezes tinha medo da ameaça que vinha do céu e que estava olhando o tempo todo pra mim inteira sem eu mesma poder me olhar.

E fui viajar, ficar uns dias das férias da escola lá nas casas dos parentes. Tinha tio, tia e um monte de primos e primas em cada casa, uma meia dúzia de casas pra passear, pra experimentar doce, comer comida gostosa, ganhar sorvete que foi feito pra vender, tomar tubaína na garrafa e sentir o cheiro tão diferente que só tinha na casa da vó.

Na casa da tia que tinha uma fala gostosa e um cabelão demais de comprido que ela nunca mostrava pra ninguém foi o outro tio, aquele que na foto do álbum lá de casa tinha uma mecha de cabelo solta na testa que fazia ele até parecer mais ainda bonito do que diziam pra mim que ele era de verdade naquele tempo da fotografia. O tio chegou e avisou que vinha me buscar, que eu ficava na casa dele uns dois dias depois ele me traria de volta. Visita importante eu! E fui sem saber o caminho, tio explicava que virando aqui é a casa daquela outra tia que casou com aquele moço tão bonito que gostava dela tanto tanto que parecia até que não existia de verdade, ninguém conseguia acreditar, mesmo vendo, como era que marido conseguia gostar mesmo, sem vergonha nenhuma, da própria mulher. Era coisa de a gente se espantar muito.

Chegando, a casa do tio era quase rica. Tinha geladeira e fogão e armários daqueles que ficam grudados na parede, e tudo era novo, sem riscado, sem vidro quebrado e com toalhinha bordada e vaso de flor. E tinha a prima, pequena mas um pouco crescidinha, falava muito e admirava tudo que eu fazia, então eu fazia toalhinha de papel de revista, e ela admirava, gostava muito e queria outra e mais outra e eu fazia muitas. Depois eu fazia flor de papel e ela amava e queria um buque bem grande e eu fazia e ficava com meu peito sem seios lá no alto porque eu era a prima grande que sabia fazer coisas e isso era bom.

Mas a tia foi toda arrumada e cheirosa pra fora do portão e sumiu. Voltou depois dizendo que sentia dor e que dentista era coisa de deixar uma passada dos nervos, até a cabeça doía e a tia foi deitar no escuro e a gente foi cortar papel mais pra longe da janela do quarto pra ajudar a dor dela a sumir e quando sumiu a dor ela fez uma comida que tinha quiabo que eu não gostava por causa da baba melequenta mas que a tia fazia sem baba e ficava bom.

Depois passou e fui pra casa da tia que tinha fala gostosa de novo e vi que o tio dela, que era meu tio, mas era o dela porque eu tinha vários tios e cada um era de uma tia diferente. E esse tio meu que era dela estava bravo demais e ela contou que ele brigou muito porque não era pra eu ter ido com o outro tio pra casa dele porque a tia que era dele era uma mulher que não prestava porque saía com outros homens e o meu tio que me levou lá pra casa dele era um bobão que ficava com a mulher assim mesmo com todo mundo sabendo que ela namorava outros homens que não eram aquele meu tio e que ela não ia coisa nenhuma pra dentista nenhum, ia mesmo encontrar os outros que ela namorava achando que era escondido mas era escondido nada.

Só que aí fiquei sem entender porque eu lembrava muito bem que esse tio que era bobão porque a mulher dele namorava outros homens tinha contado lá em casa mais de uma vez de um monte de mulher que ele namorava e namorava até na casa delas, pedindo pro pai delas e tudo fazendo de conta que não era casado e era, e teve uma que ele até ficou noivo dela antes de fazer de conta que brigava e acabava o noivado porque não podia casar que já era casado. Quando ele contava das namoradas todo mundo ria e achava divertido e até perguntava se ele não tinha medo da tia descobrir e um dia a gente soube que ela descobriu alguma coisa não sei se tudo porque ela saiu da casa e foi de novo pra casa do pai dela mas voltou.

Então eu pensava e não entendia por que o tio namorar e ficar noivo sendo casado todo mundo achava engraçado e ninguém achava vergonha ele ser amigo de ir na casa das pessoas e a minha tia que descobriu o que ele fazia e fez a mesma coisa ficou sendo a mulher que ninguém queria por perto e meu tio só ia na casa da gente sozinho porque ninguém queria que ele levasse aquela mulher sem vergonha em casa de família direita e foi por isso que o meu outro tio ficou bravo que não era pra ter deixado uma menina como eu passar dias na casa daquela vagabunda.

Pra mim ficou aquela sensação estranha de gostar mais da minha tia que todo mundo xingava do que do tio que ficava bravo com o que ela namorava e ria divertido com as conversas dos namoros do tio marido dela. O que era mais estranho mais impossível de compreender e que quando perguntei pra minha tia que falava bonito ela disse que eu ia entender quando crescesse e eu cresci sem entender nunca era que ninguém achava que tinha injustiça nesse jeito de xingar a mulher e quase dar parabéns pro marido por os dois fazerem a mesma coisa e, pior ainda, ele foi quem começou primeiro.

Ser mulher ainda dói na minha lembrança dessa tia que eu nunca que teria coragem de chamar de vagabunda.

CRÍTICAS AO GOVERNO LULA

A revista é a Veja, conhecidíssima publicação semanal lida em todo o Brasil, encontrada em vários países do mundo e recebida como assinatura em vários lares, empresas e escolas. Acho que se pode dizer sem errar muito que no Brasil todo mundo conhece a Veja.

Pois bem, no número 1 de janeiro de 2009, a revista publicou um artigo de Demétrio Magnoli intitulado “Começa o outono de Lula” é esse artigo o assunto desse texto. Afora os óbvios e infalíveis comentários que destacam a falta de formação acadêmica do presidente e seus deslizes, escorregões e tombos gramaticais, o texto traz uma sequência de pontos frágeis do governo, dos aliados e do partido de Lula. Coloquei os pontos em tópicos para abordar uma crítica por vez, seguindo a ordem de leitura.

1 - No texto o articulista faz um comentário bastante válido a respeito do salvacionismo, coloca a frase “Nunca antes neste país” como emblemática de um administrador que se quer o paladino da mudança e o salvador que tirou o país de um passado negro para um futuro promissor. A exposição é bem feita mas comete o erro de tratar a postura salvacionista que detecta na pessoa do presidente Lula como se ele fosse o primeiro e único governante nesse país que se comportou de tal forma, e exemplifica com ações e posturas contraditórias do presidente como se nenhum outro governo tivesse tomado atitudes tão contraditórias quanto em várias situações antes do Lula.

Quando diz que “O líder salvacionista não enxerga nada de positivo antes de seu próprio advento.” Parece dizer que esses líderes, generalizados e plurificados na frase, são todos de outros países, como Cuba e alguns países pequenos e pobres da África. Essa "impessoalização" afasta, leva para bem longe do leitor o sujeito da afirmação. O escritor certamente sabe disso e o efeito que conseguiu provavelmente foi o desejado. É uma boa política, afinal, sabemos que o povo não tem memória mesmo, muitos vão, portanto, pensar em Fidel e concordar com ele.

2 - No fim de seu segundo mandato, seremos “brancos” ou “negros” antes de sermos brasileiros. Eis aí a verdadeira mudança promovida pela era Lula; uma bomba social de efeito retardado que sua passagem pela presidência deixa aos filhos e netos da atual geração.

Esse trecho, destacado dentro da matéria pela própria revista, está no final do texto mas foi colocado em negrito na primeira folha, ao lado da foto de Lula. A frase passa a idéia de que a discriminação racial e o preconceito não existiam no país antes da “era Lula”, é o argumento da omissão, uma meia-verdade que ninguém percebe ser uma mentira inteira. Nesse país sempre fomos brancos ou negros, ricos ou pobres antes de sermos brasileiros, não há mudança tão grande assim e, com toda certeza, não devemos esse “progresso” ao governo Lula.

O trecho na verdade reflete o que é provavelmente a opinião do articulista, contrária ao sistema de cotas nas universidades (só lá no final, quando encontra o contexto de onde foi tirada a frase, o leitor percebe que também podem estar incluídos no argumento as reservas de vagas no mercado de trabalho, os números de aprovados nos concursos, etc). Esse é um assunto polêmico que tem dividido inclusive a opinião dos próprios negros, como querem os contrários às cotas, “injustamente” favorecidos.

A argumentação desses opositores é sempre baseada na ideia que parece politicamente correta de que as cotas gerariam uma visão ainda mais preconceituosa, ou um “preconceito ao contrário”. Sempre dizem que o que precisamos é melhorar a qualidade do ensino público para que todos tenham as mesmas chances, não dar privilégio a um grupo específico. Difícil não concordar com o argumento, é óbvio para qualquer um e todas as pesquisas, provinhas e provões têm confirmado que o ensino público vai de mal a pior e precisa melhorar com urgência.

Só que ninguém pergunta quanto tempo vai demorar para que a qualidade do ensino público melhore (principalmente com a elite longe e a salvo nas caríssimas escolas particulares) e como ficarão as classes menos favorecida (os negros, basicamente) enquanto esperam. A resposta, se alguém se desse ao trabalho de perguntar, é óbvia: ficariam como estão, ou ainda pior: sendo maioria em todas as estatísticas que medem índice de pobreza, índice de analfabetismo, índice de mortalidade infantil, índice de pessoas com moradia imprópria para seres humanos, índice de lotação carcerária, índice de vítimas da violência urbana, etc. E continuariam sendo minoria em todas as estatísticas que medem índice de aprovação nos vestibulares, índice de formação superior, índice de detentores de grandes fortunas, índices de bom atendimento hospitalar, índice de acadêmicos com pesquisas publicadas em revistas especializadas, índice de crianças bem nutridas, etc.

Então, como crítica ao governo, essa visão comodista e alienada não atende em absoluto. Pode-se sim, ser contrário à opinião que mesmo de forma não explícita, eu mesma manifestei acima. É óbvio que em um assunto polêmico como esse não se pode esperar imparcialidade e muito menos consenso, mas usar uma das visões do tema para imprimir uma tarja negra e responsabilizar totalmente uma pessoa por um ponto negativo cuja existência nem sequer é opinião de todos, é ser muito tendencioso.

4 - Demétrio Magnoli fala depois a respeito do assistencialismo do governo, criticando o já tão criticado programa Bolsa Família. Realmente o assistencialismo é um problema desse governo, como foi dos anteriores e como o próprio redator afirma que será dos próximos. Mas o curioso é que os pacotes bilionários que o governo (Lula e também seus antecessores) passa às empresas e bancos que se vêem em dificuldades causadas em geral por má administração quase nunca são chamados de assistencialismo e os maiores críticos do Bolsa Família são muitos dos que correram ao Palácio do Planalto de chapéu na mão assim que começou a crise. Essas coisas o texto omite. Mais uma vez a meia verdade, mentira inteira.

Na minha humilde opinião o governo (do Brasil e dos demais países) deveria, em caso de crise, passar a fortuna que costuma dar aos empresários e banqueiros para os trabalhadores assalariados em forma de quitação de compra de mercadorias, dessa forma daria ao povo poder de compra e, com o povo comprando, as empresas produziriam e garantiriam dessa forma os empregos e investimentos que fazem aquecer a economia. Mas qual governo faria isso? E qual empresário aceitaria essa solução?

5- Como não poderia deixar de ser, o texto explora o problema da corrupção e da troca de favores entre congresso, partidos e governo. Faz isso expondo esquemas de conhecimento geral e citando o já famoso mensalão mas, logicamente e tendenciosamente, o faz (mais uma vez) por omissão, como se o governo Lula e o PT tivessem sido desde que assumiram o poder, os inventores da corrupção e como se o esquema do mensalão nunca tivesse acontecido antes em nenhum governo da história desse país.

6 - Mais adiante ele fala do partido, não diz nenhuma mentira, não faz nenhuma crítica infundada, apenas omite que muitos dos pontos negativos citados pertencem a esse partido justamente por ele estar cada vez mais parecido com os outros, se não nos discursos, certamente na postura. Além disso, Magnoli constrói o texto de forma a parecer que partido e presidente são uma e a mesma coisa, algo que, se feito com o PSDB no governo Fernando Henrique Cardoso, seria criticado certamente. Não que não tenha relação o partido e seu representante, mas da forma como foi colocado, parece ser uma ligação mais estreita do que realmente é e, mais uma vez, parece ser exclusividade do Lula e do PT.

Enfim, não vi praticamente nenhuma crítica ao Lula e ao governo atual que eu mesma não faria, apenas acontece que, a maioria delas, eu faria também aos outros presidentes que já tivemos, em alguns casos, inclusive, engordando com outros fatos e outras falhas os exemplos e as críticas presentes nesse texto. O fato é que não gostei do texto porque é tendencioso, é falso por omissão. É o reflexo dessa revista de direita que representa, reforça e reflete a visão burguesa elitista das classes dominantes.

DE QUE DEUS EU FALO?

É comum, diante de meus muitos textos que questionam, abominam ou vão contra religiões, religião ou deus, pessoas comentarem esses textos perguntando a que deus eu me refiro. Claro que quem faz essa pergunta nunca é um crente fanático uma vez que esses se limitam a lamentar, ofender ou ameaçar com o fogo eterno a minha pessoa “ignorante”, “estupida”, sem fé, etc...

Os que me fazem essa pergunta em geral comentam a existência de vários deuses, de várias religiões, de vários conceitos ligados a cultos do passado e do presente em várias culturas e vários povos ao longo da nossa história. São informações válidas, interessantes e muitas vezes trazem novidades que me são bastante úteis. Mas basicamente eu sei que existem muitos conceitos de deus na história da humanidade, não poderia deixar de sabê-lo sendo eu uma apaixonada por mitologia e, principalmente, pela mitologia grega. Além disso sou também uma apaixonada por ficção científica, portanto, tenho conhecimento até de algumas projeções de deuses para o futuro.

Mas, como ninguém é obrigado a saber disso apenas lendo um texto crítico de cunho religioso, resolvi explicar nesse texto de qual deus afinal estou falando quando afirmo que deus não existe e que as religiões são coleções bem guardadas de absurdos. De que deus afinal eu falo?

Oras, gente, falo do deus de que me falam!

Todos os que acreditam em um deus e com quem eu tive contato, direto ou indireto, ao longo da vida, invariavelmente falam de um deus que é criador, que é bom, que é onipotente, onisciente e onipresente. Aliás, os dois últimos "onis" deveriam estar contidos no primeiro, afinal, não dá pra ser onipotente sem saber tudo e não dá pra saber tudo sem estar de alguma forma em todos os lugares.

Mas, enfim, nunca, a não ser em textos que tratam de mitologia, folclore ou filosofia, eu vi, ouvi ou li algo que tentasse afirmar a existência de um deus que não tivesse as características acima.

Literalmente, dentro da minha experiência de vida, ninguém tenta convencer ninguém da existência de um deus diferente desse, seja dentro de uma religião qualquer (é o mais comum) seja dentro de um conceito de "deus particular" que a pessoa desenvolve e cultua sem o auxílio de uma religião oficial.

O Aurélio define deus como: 1- Princípio supremo considerado pelas religiões como superior à natureza. 2- Ser infinito, perfeito, criador do universo. 3- Nas religiões politeístas, divindade de personificação masculina, superior aos homens e à qual se atribui influência especial, benéfica ou maléfica, nos destinos do universo. 4- Objeto de um culto ou de um desejo ardente que se antepõe a todos os demais desejos ou afetos. 5- Filos. Princípio supremo de explicação da existência, da ordem e da razão universais e garantia dos valores morais.

Dessas definições, eu observo que as religiões cristãs, embora os cristãos afirmem o contrário, são na verdade politeístas uma vez que têm em seu panteão também o diabo que, por todas as definições e por mais que o neguem, seria também um deus, além, é claro, da religião católica que tem um deus dividido em três e faz questão de negar esse politeísmo óbvio. Sem falar, é claro, nos anjos e santos que, basicamente, seriam deuses de menor poder.

Outra observação a fazer é sobre a definição filosófica de deus, essa definição, pra mim, é apenas uma forma que encontraram os filósofos de não assumir o ateísmo, coisa extremamente perigosa para a saúde na Idade Média e muitíssimo perigosa para a vida acadêmica profissional nos muitos anos que se seguiram e, acho eu, até hoje.

Então, se existe uma força, um ente, um ser ou como quer que o chamem que seja responsável pela criação do universo como o conhecemos (e eu também admito essa possibilidade, embora a veja como algo ainda mais fantástico do que a simples sequência de acasos defendida por muitos cientistas ateus), para que essa teoria seja coerente e realmente científica, eu acho e defendo que essa entidade não poderia ser chamada de deus.

Então, para mim, independente de existir ou não uma mente responsável pela criação, não existe deus. Dizer que essa mente responsável (possível enquanto não temos nenhuma outra explicação inquestionável) é deus seria tão falso como dizer que água é gente.

Concluindo: Sou atéia, afirmo que deus não existe e afirmo que todos os agnósticos são ateus com um nominho mais sonoro e que as pessoas que não têm certeza sobre nada e não conseguem se definir como uma coisa nem outra (eu era assim até pouco tempo) são atéias que ainda não sabem que o são.

Acho que dá uma tese, não?

DEUS NÃO TEM COMO EXISTIR, E ISSO É UM FATO

Depois de muito pensar nas coisas (tantas tantas!) que eu não sei, assumi meu ateísmo concluindo que não há a mínima possibilidade de existir deus.

Deus, por definição é um criador todo poderoso e todo bom, nunca vi ou ouvi alguém que acredita nele defini-lo de outra forma que não seja essa, basicamente, embora às vezes com outras palavras. Nunca um crente negaria, na definição do que seja deus essas duas características: ele é, tem que ser, poderoso e bom. Se você perguntar quão poderoso a resposta será “infinitamente”. Se perguntar o quanto ele é bom, a resposta será “infinitamente”.

Deus é, portanto, por definição, infinitamente poderoso e infinitamente bom. Daí se conclui que qualquer coisa, ser ou entidade que não seja infinitamente poderoso e infinitamente bom não será deus.

Deus é também o criador, tanto é que muitos usam a palavra “criador” no lugar da palavra “deus” para se referir a ele. Esse criador, que é deus, criou o universo, criou o mundo, criou tudo que vemos e tocamos, criou a nós mesmos. Não há crente que não afirme com toda a convicção que deus é o criador e que deus criou tudo que há, dão inclusive como prova palpável da existência desse deus criador as coisas da natureza que invariavelmente encantam a percepção humana. As flores e seus perfumes, as aves e suas cores, as frutas e seus sabores seriam provas concretas da existência desse deus e até mesmo, querem alguns, da bondade infinita desse deus que criou tudo.

Pois bem, se esse deus que é por definição infinitamente poderoso e infinitamente bom criou tudo o que existe, então ele teria fatalmente que ter criado também o mal e o tal capeta, diabo, canhoto ou do que mais o chamem, afinal, se criou tudo não há como se furtar de ser criador também do que há de ruim, feio, defeituoso. Venhamos e convenhamos, de acordo com os crentes, ele criou o homem e o homem, como espécie, é um digno representante do que se pode definir como ruim, feio, defeituoso.

Acontece que todos os que acreditam em deus afirmam que quem criou o mal fomos nós, os seres humanos. Sempre que algum atrevido feito eu tem a audácia de colocar um crente diante da questão do mal e do fato duvidoso de o deus que ele afirma ser bom permitir a existência do mal, a resposta é que o mal não é culpa de deus e sim do homem. Já ouvi isso centenas de vezes, não existe outro argumento. Nós somos responsáveis por todos os males do mundo, inclusive, ironicamente, se a gente for acreditar no que os defensores de deus dizem, pelos males que existiam antes da própria criação da raça humana.

É engraçado que eles não se dão conta de que quando colocam a invenção do mal sobre as costas da raça humana, nos acusam de termos inventado todas as doenças, e consequentemente, teríamos inventado os vírus, as bactérias, os parasitas, as falhas hereditárias... Teríamos inventado também todas as catástrofes naturais, fomos os criadores dos vulcões, dos terremotos e maremotos, dos relâmpagos, das secas e das enchentes. Fica engraçado dito assim, mas não é isso que os crentes estão dizendo quando culpam o ser humano pela existência do mal?

Somos os responsáveis pela existência do mal, portanto, seguindo esse raciocínio, deus não seria, na verdade, o criador de tudo. Tá, tudo bem, ele teria criado o ser humano que criou o mal, mas, ainda de acordo com o que dizem os crentes, ele, deus, não é culpado pela existência do mal, então, seguindo a orientação dos crentes e tirando essa responsabilidade das costas dele, deus deixa de ser o criador de tudo o que existe, ou seja, dessa forma, tira-se dele a responsabilidade pela criação do mal, que é parte do todo, e deus deixa de ser o criador de tudo, ele perde assim uma das características que o definem. Sem essa qualidade de criador, que é parte constituinte dele, o tal deus estaria incompleto, e consequentemente não existiria.

Mas não para por aí. Esse criador seria todo poderoso, ou seja, não há nada, NADA MESMO, que o tal não possa. Mas me afirmam todos os crentes que ele só permite que crianças sejam estupradas nos bancos das igrejas, que bebês sejam assassinados, que filhas sejam trancafiadas e abusadas pelo próprio pai por anos seguidos, que pessoas morram de fome, tudo isso e muito mais porque ele não pode interferir na vida da gente já que deu-nos o tal do livre arbítrio (que de livre não tem nada). Então lá se vai a segunda característica. Ele não pode interferir, portanto, não pode tudo. Não pode, então, existir.

Agora a pior de todas. Afirmam que ele é mais do que bom, é todo bondade, não há nem sombra, nem vestígio, nem migalha menor do que microscópica de maldade nele. Aí desmoronam-se duas características de uma vez só. Primeiro, sem nadica de maldade, ele provavelmente não saberia o que é maldade; sendo tão pura, simples e totalmente bom, o próprio entendimento do que seja o mal, estaria obrigatoriamente fora do alcance de sua suprema bondade, daí a onisciência dele, que é outra qualidade que o define, de acordo com os que nele acreditam, já foi pras picas.

Segundo que se ele fosse esse poder todo, poderia ter usado essa bondade toda para criar um mundo um pouco melhorzinho do que esse mundo louco onde existem homens que estupram crianças e padrecos que excomungam os homens que ajudam essa criança e não o FDP que a estuprou. Mas, argumentam os crentes, esses males são nossos. Deus criou a natureza e a natureza é linda, é perfeita, é prova concreta da existência, da grandeza e da bondade de deus.

Acontece que eu sempre me coloco do outro lado. Não consigo achar lindo um passarinho comendo um inseto, penso no ponto de vista do inseto. Não sei ver um golfinho com uma sardinha na boca sem me arrepiar quase sentindo em mim o horror da sardinha... e vai por aí, não consigo ver beleza em um ser vivo matar outro ser vivo; simplesmente não consigo achar isso bonito, e muito menos perfeito. E isso, ter criado esse circo de horrores, mata a definição de deus como um ser todo bondade. E esse deus simplesmente não pode, não tem como existir.

Para criar do nada absoluto tanta maldade como a que existe, um ser criador qualquer só poderia ser mau ou indiferente. Sendo o criador do mal, esse ser não pode ser todo bondade. Se existe mesmo um tal ser onipotente que criou tudo isso, ele tem que ser obrigatoriamente, pelo ponto de vista humano, muito mau e muito sádico. Só assim para criar a cadeia alimentar, essa coisa sanguinária que me causa tanto asco.

Dizem ainda os crentes que não existia NADA, e ele, o deus definido como todo poder e todo bondade, chegou e fez tudo. Repetindo: dizem que ele tem poder ilimitado, ou seja, poderia ter feito QUALQUER outra coisa, não tinha nenhum limite, não tinha sequer os limites impostos pelas leis da física, pelas leis da natureza; afinal, se fez tudo a partir de nada, logicamente fez também as leis da física, as leis da natureza.

Para fazer tudo que dizem que fez, ele teria que imaginar primeiro, pensar, planejar primeiro: o que seria feito, quanto teria de variedade, como suas criações interagiriam. E mais, sendo onisciente, ele teria que saber, antes mesmo de criar a primeira de todas as coisas que tenha criado, quais seriam as conseqüências dessa criação; ele obrigatoriamente saberia, antes de criar o primeiro homem, quantos homens os homens matariam, torturariam, subjugariam, escravizariam; ele, obrigatoriamente, saberia antes de separar o mar da terra quantos vulcões arrasariam quantas cidades, aldeias, vilas, famílias e habitats de animais inocentes; teria que saber, antes de criar o primeiro cervo e o primeiro leão, quantos cervos teriam que passar pelo horror de terem suas entranhas devoradas ainda com seus corações batendo.

Um criador onipotente e onisciente, qualquer que fosse, para criar do nada esse mundo que somos e em que vivemos teria antes que imaginar, planejar, saber tudo sobre tudo aquilo que estaria criando. E, decididamente, para imaginar tanto horror a partir de nada, só não sendo deus, por ser alguém totalmente indiferente ou não sendo deus por ser alguém doentiamente sádico.

Foi-se, então, a possibilidade da existência de deus pela impossibilidade de casar a sua definição com a sua pseudo criação. Então, mesmo que haja um criador do universo, esse criador do universo não poderá ser deus, a própria definição de deus impede que qualquer possibilidade de criador seja chamado pelo nome deus. Daí eu só tenho essa opção: Saber com mais do que certeza, que deus não existe.

E acho que é muito melhor, para nós e para deus, que ele não exista. Porque se existisse, ele teria que, obrigatoriamente, ser muito, muito pior mesmo, do que qualquer descrição ou definição de diabo, capeta, satã ou coisa que o valha, que eu já tenha visto.

11 de março de 2009

A JUSTIÇA DOS SANTOS HOMENS (nomeados e abençoados por deus)

Muito se falou e se vem falando sobre o caso da menina de nove anos (ela é a Isabela da vez), estuprada e grávida de gêmeos, que, como autoriza a lei, foi submetida a um aborto. Os médicos e a mãe da menina foram excomungados e o agressor, padrasto da criança, está preso mas tem o direito de se confessar, se arrepender e ser perdoado pela igreja uma vez que a excomunhão que atingiu os que salvaram a vida da menina, que corria sérios riscos por essa gravidez em um corpo frágil e com aparelho reprodutor não totalmente formado, não atingiu o tal homem, se é que assim se pode chamar seres como esse...

Mas, se pensarmos bem, houve um progresso bastante grande na postura religiosa frente a esse caso e outros como esse, que por (des)ventura possam acontecer.

A menina foi estuprada, tudo (bem?). O que a bíblia determina nesses casos é que se investigue melhor a ocorrência. Então, para seguir à risca a "constituição" de sua fé, as orientações do livrinho de histórias e mitologias que os religiosos afirmam ser a "palavra de deus", incontestável, verdadeira e única, essas pessoas escolhidas e capazes de conhecer a "verdade" (os cristão e também os judeus, incluindo, claro, o tal arcebispo tão cioso de sua fé) teriam que investigar primeiramente onde foi que aconteceu o estupro.

Se foi em lugar ermo e afastado de qualquer pessoa que pudesse interferir, a menina teria que se casar com o padrasto. Ela passaria a ser esposa e, por essa bênção compulsória que o padrasto seria obrigado a dar-lhe, a garota se livraria da vergonha, teria um homem a quem subjugar-se e seria sustentada por seu agressor durante toda a vida, mesmo que essa durasse apenas alguns meses, uma vez que a gravidez provavelmente a mataria.

Perguntar a ela se a solução a agrada ou satisfaz? Não, é claro! Como poderia sequer passar pela cabeça de um seguidor das leis de deus, escritas e sagradas, levar em conta a opinião de uma mulher?

Se o estupro aconteceu em lugar povoado, ou em lugar onde tivesse, no momento, pessoas que, caso a menina gritasse pedindo ajuda, pudessem salvá-la, então a garota, pelo crime de não ter gritado, ou não ter gritado alto o suficiente para ser ouvida, teria que ser levada para fora de sua casa e apedrejada até a morte.

E nesse caso, o que aconteceria com o padrasto? A bíblia não diz nada, e, como ele não poderia ser obrigado a se casar com a menina (que, como criminosa que era, estaria morta), talvez ele fosse obrigado pela comunidade a pagar um valor estipulado ao pai da menina, uma vez que esse homem (homem, atentem para o detalhe!) foi prejudicado, já que perdeu a filha e, portanto, a possibilidade de vendê-la. Então, possivelmente, o padrasto teria que ressarcir o pai da menina do prejuízo pagando a ele, no valor do mercado, o que ele teria recebido pela menina.

Então, como podem ver, houve um grande progresso. A menina não terá que se casar com o seu agressor e, melhor ainda, não será apedrejada até a morte por seu crime e, o maior progresso de todos, alegrem-se irmãos!, o padrasto não terá que dar seu nome honrado a uma mulher não virgem nem terá que pagar o preço de uma esposa sem ter a mercadoria!

E estamos reclamando, sentindo raiva, impotência, revolta e nojo por quê? "A palavra de deus nunca muda", é o que prega a bíblia, no entanto, graças aos homens santos (benditos sejam eles!) que a interpretam e aplicam, houve essa mudança, houve esse progresso!

Regozijai, cristãos!

Enquanto isso, eu, que felizmente sou atéia, vou ao banheiro vomitar!

Divina

A EXCOMUNHÃO DA VÍTIMA
Miguezim de Princesa

I
Peço à musa do improviso
Que me dê inspiração,
Ciência e sabedoria,
Inteligência e razão,
Peço que Deus que me proteja
Para falar de uma igreja
Que comete aberração.

II
Pelas fogueiras que arderam
No tempo da Inquisição,
Pelas mulheres queimadas
Sem apelo ou compaixão,
Pensava que o Vaticano
Tinha mudado de plano,
Abolido a excomunhão.

III
Mas o bispo Dom José,
Um homem conservador,
Tratou com impiedade
A vítima de um estuprador,
Massacrada e abusada,
Sofrida e violentada,
Sem futuro e sem amor.

IV
Depois que houve o estupro,
A menina engravidou.
Ela só tem nove anos,
A Justiça autorizou
Que a criança abortasse
Antes que a vida brotasse
Um fruto do desamor.

V
O aborto, já previsto
Na nossa legislação,
Teve o apoio declarado
Do ministro Temporão,
Que é médico bom e zeloso,
E mostrou ser corajoso
Ao enfrentar a questão.

VI
Além de excomungar
O ministro Temporão,
Dom José excomungou
Da menina, sem razão,
A mãe, a vó e a tia
E se brincar puniria
Até a quarta geração.

VII
É esquisito que a igreja,
Que tanto prega o perdão,
Resolva excomungar médicos
Que cumpriram sua missão
E num beco sem saída
Livraram uma pobre vida
Do fel da desilusão.

VIII
Mas o mundo está virado
E cheio de desatinos:
Missa virou presepada,
Tem dança até do pepino,
Padre que usa bermuda,
Deixando mulher buchuda
E bolindo com os meninos.

IX
Milhões morrendo de Aids:
É grande a devastação,
Mas a igreja acha bom
Furunfar sem proteção
E o padre prega na missa
Que camisinha na lingüiça
É uma coisa do Cão.

X
E esta quem me contou
Foi Lima do Camarão:
Dom José excomungou
A equipe de plantão,
A família da menina
E o ministro Temporão,
Mas para o estuprador,
Que por certo perdoou,
O arcebispo reservou
A vaga de sacristão.

3 de março de 2009

CERTEZAS E PERGUNTAS

Dez certezas que muitas pessoas boas têm seguidas de perguntas que poucas pessoas, boas ou más, fazem:

1. Sou superior a uma pessoa de pele escura porque sou branco e os brancos são visivelmente superiores.
Pode-se ser superior a alguém por causa da cor da pele? Por quê? Quem disse isso? Que provas tenho? O homem branco é superior? Por quê? Quem sou eu para ter direito de fazer essa afirmação? E se fosse, que mérito eu teria nisso?

2. Sou superior a uma pessoa de outra nacionalidade porque logicamente meu país é o melhor do mundo.
O lugar onde nasce pode tornar uma pessoa superior a outra? Existe um país que é mesmo o melhor do mundo? Melhor por quê? Melhor em quê? Há algum tipo de mérito em ter nascido em um ou em outro lugar do mundo?

3. Sou em muito superior a qualquer mulher porque os homens são naturalmente superiores.
Os homens são mesmo superiores às mulheres? Olhando o mundo, a história, a ciência, é mesmo possível fazer essa afirmação? Será que tratar outro ser humano como menos humano torna alguém superior? Não seria exatamente o contrário? Ter nascido homem é algo pelo qual posso me vangloriar? Foi escolha minha? Foi algum tipo de prêmio e fiz algo para merecê-lo?

4. Sou totalmente mais digno e melhor do que qualquer homossexual porque sou heterossexual e, portanto, vivo de acordo com a natureza e com a vontade do meu deus.
Sou melhor do que um homossexual? Eu escolhi ser heterossexual? O que sei sobre os homossexuais para ter direito de julgá-los? O que é viver de acordo com a natureza? O que sei eu sobre a vontade de deus? Posso confiar no que dizem os preconceituosos de hoje e de ontem? Como é a vida de um homossexual? Alguém em sã consciência escolheria mesmo passar por tudo que passam e já passaram?

5. Tenho uma maneira de descansar e me sentir renovado: Faço pescaria em alto mar quando estou em férias e freqüento pesque-pagues nos fins de semana. É meu esporte predileto.
Pescaria (caça) é esporte? Como tirar a vida de outro ser pode deixar alguém feliz? Será que os peixes (animais) não sentem dor, medo, tristeza? O que me dá o direito de matar? Sentir alegria por tirar a vida de outro ser pode ser algo bom, saudável, digno?

6. Sou parte de um grupo de escolhidos e só esse grupo terá direito a uma vida eterna no paraíso prometido pela minha religião, a única verdadeira.
Existe um grupo de escolhidos? Existiria mesmo uma vida eterna? Como poderia ser um paraíso? Existe uma religião que seja a única verdadeira? E todas as outras? Como posso afirmar que os que são de outra religião são pessoas menos dignas do que eu? Por que sou dessa religião e não de outra? Seria eu dessa religião se tivesse nascido em outro lugar do mundo e em uma família de cultura e religião diferentes da minha? Minha religião é escolha minha mesmo ou estou sendo levado por manobras de convencimento desenvolvidas ao longo de séculos?

7. Estou em um plano muito superior a todos os animais da terra, eles existem para serem usados por mim porque sou um homem e o homem foi criado para ser o dono e senhor do planeta.
O homem foi criado para ser o dono e senhor do planeta? Onde está o merecimento? Qual é o critério de escolha? É um critério justo? Justo para quem?

8. É legal colocar a cabeça pra fora do carro e gritar coisas como “Vai pra academia, gorducha!”, essas baleias precisam tomar vergonha na cara.
O que sei sobre a vida e os sentimentos de outra pessoa? O que me dá o direito de ofender o outro? Se uma ofensa dirigida a mim dói tanto, por que faço o mesmo com outra pessoa? Será que não sei que essa outra pessoa é capaz de sentir a mesma dor que sinto quando sou ofendido? Como posso causar dor a alguém e chamar isso de “brincadeira”?

9. Vou para o céu. Se meus amigos, minha família e meus filhos não quiserem pertencer à minha religião, eles vão queimar no inferno eternamente, tento fazer com que vejam a verdade agora, depois não poderei fazer mais nada.
Existe possibilidade de eu ser feliz sabendo que uma pessoa que amo está sofrendo? Que tipo de pessoa seria eu se conseguisse imaginar um paraíso sem a presença dos meus entes queridos? Qual é o crime tão terrível que possa merecer como castigo um sofrimento que dure uma eternidade? Onde estaria a bondade de um deus capaz de condenar alguém a uma eternidade de sofrimento apenas por não acreditar em algo para o qual não se tem prova?

10. A prova de que meu deus é o único verdadeiro e cuida de mim é que consegui sobreviver àquela doença terrível que mata tantas pessoas. Deus, em sua infinita bondade, me curou.
Por que eu e não outras milhares de pessoas? Houve uma escolha justa? Se tive um privilégio que foi negado a muitas outras pessoas, é honesto me sentir grato e atribuir isso à bondade de um deus justo?

Conclusão:
Se muitas pessoas fizerem essas perguntas a si mesmas, pensarem racional e profundamente nelas e, mesmo assim, conseguirem responder afirmativamente a elas, isso prova, para mim, que o ser humano é um bicho muito mau, egoísta, desonesto, nojento e asqueroso.

Ultima pergunta:
Por que muitas pessoas boas têm as certezas que coloquei acima e nunca fazem as perguntas?