20 de agosto de 2009


Sempre me dizem que a Natureza é linda... Acho tão difícil acreditar nisso!

Pessoas que se dizem boas matam por prazer...

orgulham-se de matar, é sinal de valor

(que valor eu não consigo saber ou entender).

Grupos se juntam para matar, e na opinião de muitos o abominável é o ateu,

aposto que tem pouco ateu nesse grupo, se tiver algum.


Isso é bonito? Eu não entendo...

A morte do bicho pelo homem é feia, a morte do homem pelo homem é feia,

mas por que tem tanta gente que acha a morte do bicho pelo bicho bonita?

Eu não entendo...

E um bicho comendo outro, me dizem que é bonito porque faz parte da natureza

e a natureza é perfeita porque é criação de deus...

Que deus horrível criaria isso?

19 de agosto de 2009


Eu não entendo...

17 de agosto de 2009

MEUS CINCO SENTIDOS


.

Sou tentada a ver deus
No azul do céu
No vermelhoamarelo do ocaso
No colorido das borboletas
Dos pássaros, das flores...
Mas então vejo o vermelho
Da carne dilacerada da presa
Nos dentes do predador
Vejo o amarelo das doenças
Vejo o preto da morte
E penso: não, não pode
Existir um deus.

Sou tentada a ouvir deus
No canto dos pássaros
No murmúrio das águas
No tilintar da chuva
No riso de uma criança...
Mas então ouço o desespero
Do grito do animal cansado
Morto pelo animal faminto
Ouço o estalo do relâmpago
Incendiando florestas e vidas
Ouço o estrondo do terremoto
Arrasando cidades e vilas
E penso: não, não pode
Existir um deus.

Sou tentada a saborear deus
No doce do mel
No sabor variado das frutas
No gosto saúde das folhas e das raízes...
Mas sinto o amargo
Dos remédios que não curam
Sinto o gosto de pus
Das entranhas do meu irmão
E penso: não, não pode
Existir um deus.

Sou tentada a cheirar deus
No perfume da terra molhada
No sumo das frutas carnudas
Nas flores tão belas
Nos cabelos de um bebê
Mas sinto o cheiro nauseabundo
Da ferida gangrenada
Do soldado na trincheira
Sinto o cheiro de sangue
Dos pedaços espalhados
De crianças inocentes
Sinto o cheiro dos cadáveres
Boiando nas enchentes
Apodrecendo nas epidemias
Nas valas comuns do preconceito
Sinto o cheiro de suor
Do medo da presa indefesa
Diante do predador
E penso: não, não pode
Existir um deus.

Sou tentada a tocar deus
No veludo do pêssego maduro
Na maciez do pelo do gato
Na suavidade da pluma
No movimento da brisa...
Mas toco a mão febril do amigo
As rugas sem esperança da avó
A carne congelada do animal
A cinza da árvore que na floresta tombou
E penso: não, não pode
Existir um deus!

CRESCENDO


.

Nenê qué padô!

Divina! eu quelo dêla si vai.

O sol itlagô o nalizinho dele!

Ontubuso, vem aqui!

Geografia é lógica!

Todo mundo é muita gente.

Qual é a desse cara morrendo?