14 de janeiro de 2011

CONVERSANDO COM UM CRISTÃO

Essa conversa realmente aconteceu, via e-mail, a partir de uma resposta que dei a uma pergunta postada na net, procurei reproduzir aqui apenas as partes dos e-mails que são mais relevantes, mesmo assim ficou bem longo...

CRISTÃO: Uma bactéria sozinha pode fazer isso? Todas as plantas e algumas bactérias usam a fotossíntese para gerar energia a partir da luz do Sol. Os cientistas ainda não sabem direito como esse mecanismo complexo funciona, mas já estão copiando detalhes desse processo. Pesquisadores da Universidade de Twente, na Holanda, descobriram que o sistema de fotossíntese de uma bactéria pode ser usado para transportar luz por longas distâncias. Eles construíram uma espécie de fibra óptica molecular, mais de mil vezes mais fina do que um fio de cabelo humano. Você acha mesmo que uma bactéria sozinha poderia criar tal mecanismo? Acha mesmo que isso é obra do acaso?

DIVINA: Não acho que seja obra do acaso, mas da evolução. E tenho certeza de que não é obra desse deus todo poderoso e todo bom em que você acredita, porque esse deus teria criado também as bactérias e os vírus que causam doenças e disseminaram o horror o sofrimento e a morte por toda a história da humanidade. Esse tipo de criação é mais do que óbvio que simplesmente não pode ser coisa de um deus bom. Portanto, meu caro, pode não ser obra do acaso, mas do seu deus seguramente não é, e não é simplesmente porque esse deus não existe e não tem como existir.

CRISTÃO: Raciocínio estúpido o seu: Deus não existe porque o mal existe! É a mesma coisa que dizer: os médicos não existem porque se existissem médicos não existiriam doenças.

DIVINA: Essa sua comparação do meu raciocínio para a não existência de deus com a relação médico-doença é um argumento no mínimo simplista, e sem respaldo em nenhum tipo de lógica.

CRISTÃO: Boa essa questão que você apontou: o problema do mal. Pena que o espaço aqui não seja suficiente para esclarecer o que filósofos e teólogos tem tentado resolver há séculos. O que posso te adiantar é que nem você, nem eu e nem ninguém temos um sistema de ética e moral racional o bastante para questionar Deus e Sua vontade. O mal é uma questão de ponto de vista. Para Hitler, ele estava fazendo um bem quando matava judeus, havia um propósito naquilo. Para os judeus, contudo, aquilo era sem propósito e perverso. A questão é: quem estava certo? Hitler ou os judeus? Qual ética valia mais? A de Hitler ou a dos judeus? Da mesma forma, quando você questiona Deus por causa do mal que há no mundo, quem está certo? Você ou Deus?

DIVINA: Hitler estava errado e deus só não está errado porque não existe. Não concordo com você que nós não temos um sistema de ética e moral racional suficiente para questionar deus e sua vontade; temos sim, eu pelo menos tenho e tenho tanta certeza disso quanto você tem certeza do contrário, talvez até mais. E juro que não estou tentando ser superior a ninguém e nem acho que sou melhor do que ninguém, apenas sei que tenho condições, e muitas, como qualquer ser humano razoavelmente inteligente, de questionar tudo e qualquer coisa, inclusive deus e sua “vontade”.

5 de janeiro de 2011

UMA VISITA DIVINA

Então um dia nasceu um deus. Não era um deus lá muito poderoso, e para dizer a verdade nem mesmo era um deus: era uma deusa, e nem sequer sabia que era uma deusa. Ela só nasceu, como outra criança qualquer, e como outra criança qualquer começou a crescer, a aprender e apreender o mundo a partir de um momento e de algo que ninguém sabe explicar o que seja e se existe. Mas, no caso dela, se algo existia antes de tudo e antes de qualquer consciência era a consciência de que não deveria nunca contar a ninguém que era uma deusa.

A primeira mudança foi o resfriado e ela já andava um pouco e caia muito e já falava uma ou outra palavra razoavelmente compreensível quando essa mudança aconteceu. Talvez antes disso ela não soubesse que podia fazer algo, talvez ainda estivesse brincando de não ser uma deusa; os motivos, se existiram, não importa, o fato é que a mãe estava resfriada e ela achou que resfriado não servia pra nada e acabou não só com o resfriado da mãe, mas com resfriado mesmo, fez com o resfriado o que um leigo não entende por que Cristo não fez com a lepra, se é verdade, como afirmam, que ele era o filho de Deus.