19 de março de 2011

TODO PRECONCEITO É UMA ACUSAÇÃO

 
Agir com preconceito significa imputar ao outro a culpa pela nossa incompreensão.

A pessoa preconceituosa vê no outro um criminoso, condena-o sem dar a ele o direito de defesa, e frequentemente não tem sequer a dignidade de acusá-lo diretamente.

Condenamos o outro por ter nascido diferente da muito pequena gama de variedade que nossa mente limitada é capaz de aceitar.

Acusamos o outro de ter nascido em lugar diferente, de ter sido educado de forma diferente ou de não ter tido quem o educasse.

Acusamos o outro de falar outra língua, de ter estado doente, de sofrer um acidente.

Acusamos o outro de pertencer a outra cultura, de chamar de pátria outro pedaço de chão.

Acusamos o outro de ter nascido em outra data, de levantar os olhos para outro deus, de preferir outra cor, outro sabor, outro conceito, outro som.

Acusamos, condenamos e punimos o outro por não nos conhecer quando nos recusamos a conhecê-lo.

Acusamos o outro pelos defeitos que manifestamos com mais vigor.

Acusamos, condenamos e executamos o outro com mais veemência e com mais furor quando, no espelho da verdade, recusamos enxergar nossa própria essência.