27 de dezembro de 2012

SE DEUS NÃO EXISTE, A VIDA É ABSURDA

Um religioso afirmou: "Se Deus não existe, a vida é absurda". Eu concordo totalmente Isso é fato. Deus não existe e a vida é absurda. Acontece que o fato de a vida ser absurda não obriga a MINHA vida a ser absurda, posso dar à minha vida todo o sentido que eu quiser e, enquanto estou viva, a minha vida não será um absurdo.

Agora, o que me deixaria muito PUTA DA VIDA, seria a outra hipótese: "Deus existe e a vida não é absurda", isso implicaria que eu sou apenas a criatura de um deus sádico, injusto, megalomaníaco, odioso e nojento. E significaria que em lugar de ter o sentido que dou enquanto existo e depois se acabar voltando para o confortável nada de onde veio, a minha vida seria um castigo eterno porque teria dois términos possíveis: Ou queimarei no inferno por toda a eternidade, um terror que não me agrada; ou estarei por toda a eternidade do lado desse deus asqueroso e nojento sendo obrigada a puxar o saco dele e cantar loas à sua "bondade" e "justiça", essa segunda hipótese sendo, seguramente, muito pior do que a primeira.

Sim, deus não existe e a vida é absurda e sem sentido. Ainda bem, é assim mesmo que eu gosto dela!

18 de dezembro de 2012

A TODOS OS RELIGIOSOS

A gente vê a bancada evangélica pregando preconceito e intolerância, propondo “cura gay” em lugar de projetos que ajudem o povo. A gente vê pregadores explorando os ingênuos e pobres e ficando milionários a ponto de terem mansões, aviões e dinheiro em bancos estrangeiros. A gente vê gente pagando pela vinda do papa e planejando assistir missa com ele sem saber ou se incomodar em saber que ele é um bandido acobertador de pedófilos e instigador da intolerância que deveria ser recebido com algemas e voz de prisão e não com flores e festas. A gente vê grupos religiosos fazendo passeatas de fiscalização do fiofó alheio e chantageando o governo para impedir que todos os cidadãos tenham os mesmos direitos. A gente vê discursos de intolerância contra as religiões de matriz africana. A gente vê políticos fazendo discurso de ódio contra gays e depois dizendo que não são culpados pelas agressões e mortes que seus discursos incitam seus seguidores mais idiotas a praticarem. A gente vê as escolas e repartições públicas que deveriam ser laicas plenas de todo tipo de proselitismo religioso. A gente vê campanha ferrenha de grupos religiosos tentando se apossar do corpo da mulher como se ela não tivesse direito sobre ele. A gente encontra gente “pregando” em todos os lugares aonde vai e, inclusive, na nossa porta.

Daí, a gente reage e começa a criticar a religião, a explicar por que somos ateus, a mostrar as incoerências desse deus que permite tanto sofrimento e tanto ódio. Depois, o que acontece é que, infelizmente por conta dessa “mania” de criticar a religião que a gente pega, às vezes a gente melindra religiosos que não são essas antas, que não partilham desse ódio, que não sustentam esses bandidos, que são contrários a essas agressões e que em muitos casos, são nossos amigos e nos amam e nos respeitam como somos.

Por isso eu fico aqui desejando e esperando que esses religiosos, esses que são decentes e tolerantes, percebam o que os imbecis como esses políticos e líderes estão fazendo e entendam que nossas críticas são dirigidas a eles e por causa deles, que entendam que eles querem tirar, inclusive, os direitos e a liberdade de crença de muitos desses religiosos tolerantes. Se isso acontecer, talvez, esses religiosos tolerantes em lugar de ficarem tristes conosco se aliem a nós e nos ajudem a combater os bandidos da fé.

6 de dezembro de 2012

O FAZENDEIRO IMAGINÁRIO

Imagine uma fazenda muito grande, nela se faz plantações e colheitas de variados tipos, criam-se vários animais e moram muitas pessoas para fazer com que tudo funcione. No alto de uma colina fica a casa grande onde vive o fazendeiro e a cujas portas só podem chegar alguns poucos que recebem ordens diretas, os demais nem sequer se aproximam da varanda e todas as ordens que recebem vêm desses privilegiados, em geral terceirizadas, pois vêm dos subalternos desses únicos privilegiados que têm direito a falar com o fazendeiro. O fazendeiro não é visto por ninguém, entra e sai em carros com vidro escuro, uns poucos dentre os trabalhadores às vezes afirmam tê-lo visto entre a casa e o carro, alguns chegam a afirmar que acenaram para ele e receberam um aceno, ou um sorriso de volta. Ter visto, ou mesmo vislumbrado, o fazendeiro sempre dá certo status, certa autoridade e até mesmo uma áurea de mistério a quem teve esse privilégio. Por isso nem todos acreditam naqueles que afirmam tê-lo visto, desconfiam de que a maioria, se não com todos, apenas fingem que tiveram essa visão privilegiada.

Muitos homens, mulheres e crianças vivem e trabalham na fazenda. Moram em casas que variam muito em tamanho e conforto e que foram destinadas a eles pelo fazendeiro não segundo sua aplicação no trabalho ou dedicação à fazenda, mas aleatoriamente, ou segundo critérios que desconhecem. Às vezes, na maioria dos casos sem que se saiba por que, juntamente com sua família, um morador é tirado da casa que habita e transferido para uma outra, que tanto pode ser maior e mais confortável como pode ser menor e mais apertada; ou então o morador e sua família são simplesmente despejados de onde moram e não podem habitar nenhuma outra casa. Também acontece muitas vezes de um morador sozinho ser despejado ou transportado para uma casa muito pequena e ruim sem nenhuma razão aparente e sem que ninguém de sua família possa fazer algo para ajudá-lo. Em muitos casos as pessoas da família nem sequer conseguem saber para onde esse trabalhador foi levado. Alguns despejados desaparecem, vão talvez para outras fazendas, outros ficam por ali, vivendo não se sabe bem de quê.

Os que são simplesmente transferidos de casa têm em geral vários tipos de reação, dependendo de para onde foram. Se a mudança foi para uma casa melhor, muitos agradecem ao fazendeiro, via seus representantes ou olhando para a casa grande e dizendo sua gratidão e felicidade; alguns ficam felizes e trabalham mais para lucro da fazenda. Outros que tiveram a sorte de uma casa melhor agradecem com menos ênfase e passam a ignorar com orgulho e prepotência aqueles que estão nas casas menores e com mais orgulho e prepotência ainda os que foram despejados e não tiveram a “decência” de desaparecer. Há nuances entre esses dois extremos. Entre os que são transferidos para casas menores e mais desconfortáveis, a maioria diz que é direito do fazendeiro fazê-lo. Não questionam suas razões ou seus direitos de proprietário e procuram se conformar com a falta de sorte torcendo para que, em uma próxima mudança, sejam levados para casas melhores.

Muitos trabalhadores, sejam os que foram transferidos para uma casa menor do que a que tinham, sejam os que habitam casas pequenas desde sempre, procuram através de uma proximidade maior com os representantes do fazendeiro, conseguir a mudança para uma casa muito maior e mais confortável, alguns têm plena certeza de que conseguirão essa mudança em breve. Em praticamente todos os casos, a proximidade com o representante do fazendeiro implica em dar a ele parte dos seus rendimentos. Alguns representantes têm um número maior de pessoas que lhes pedem o favor de representá-los porque estão convencidas de que eles o farão. Em geral o representante tem mais carisma, sabe falar bem, tem um sorriso cativante e consegue passar aos que se aproximam dele uma espécie de certeza do poder de influência que têm junto ao fazendeiro e, principalmente, que estão realmente interessados em ajudar os que o procuram. Por essa razão é comum que os representantes mais hábeis se tornem muito prósperos e consigam morar nas casas maiores e mais confortáveis que se podem construir na fazenda.

A fazenda se divide em áreas de plantio ou criação que são irrigadas por canais que, não se sabe bem por que, estão sujeitos a muitas variações de fluxo. Alguns dizem que é o próprio fazendeiro que determina qual será o nível de vazão de cada canal, outros dizem que o fazendeiro regula essa vazão de acordo com o comportamento dos trabalhadores e outros ainda afirmam que a vazão não é regulada por ninguém, o que há é uma espécie de ligação entre os canais que, devido ao próprio clima do lugar, causa essa diferença. O fato é que, por conta disso, é comum que alguns moradores, depois de trabalhar o ano todo e ter sua roça plantada e seus animais saudáveis e gordos, vejam o canal que corre do seu lado secar ou transbordar e sua plantação e sua criação se perder na seca ou na enchente. Em muitos casos, se não em todos, após uma grande variação pontual, o trabalhador é transferido para uma casa muito menor e desconfortável ou é simplesmente despejado. A reação, como já foi dito, é em geral de conformismo, mesmo quando, no momento da mudança, aconteça uma ou outra reação de revolta em forma de palavras de triste indignação, em seguida os reclamantes se arrependem e voltam a dizer que é direito do fazendeiro mudar quem quiser para onde quiser.

A aleatoriedade desses casos tão comuns ninguém consegue entender, uns juram que o próprio fazendeiro tem um sistema de espionagem altamente sofisticado e que existem caminhos secretos que só ele conhece e que permitem uma ligação direta da casa grande com todas as casas da fazenda e seus moradores; afirmam que ele mesmo, por sua própria vontade, despeja ou transporta os moradores que escolhe, com sua família ou sozinho, para qualquer casa que queira, seja maior ou menor e, também ele mesmo, por sua própria vontade, regula o fluxo de irrigação para secar ou alagar a área cultivada por esse ou aquele trabalhador. Muitos acham que o fazendeiro deixa para seus representantes apenas uns poucos casos que servem para manter nos moradores a certeza de que esses são realmente seus representantes. O fato é que ninguém sabe ao certo como e por que acontecem as mudanças, os despejos, a variação de vazão nos canais de irrigação que muitas vezes mata plantas e animais, afogados ou de sede. Ninguém sabe o porquê dessas coisas nem o porquê de o fazendeiro nunca aparecer para falar com os moradores da fazenda, alguns poucos chegam a pensar que não há fazendeiro nenhum e que a casa grande é apenas uma imagem, uma espécie qualquer de truque feito com espelhos. Mas, de qualquer forma, a fazenda segue produzindo e os moradores aumentam em número, e aumenta também a dedicação ao fazendeiro tão poderoso.


OBSERVAÇÃO: Será que você viu nesta história uma metáfora da sua religião?

17 de outubro de 2012

O TEMPO EM EXPANSÃO

Em uma época que não pode ser determinada porque está muito além de qualquer linha do tempo que tenha sido traçada, a expansão do universo chegou a um ponto que, caso ainda existisse um planeta habitado por seres inteligentes, a partir desse planeta e com os instrumentos mais precisos que a mais inteligente das formas de vida pudesse conceber, não seria possível detectar a existência de uma infinidade de galáxia e, por conta disso, a galáxia em que se encontraria esse planeta seria vista e “conhecida” como sendo todo o universo e se nesse planeta houvesse livros escolares para educar os filhos desses seres inteligentes, o universo seria descrito nos livros escolares como “Um aglomerado imenso de estrelas e planetas formando muitos bilhões de sistemas solares maiores e menores, com planetas e sois de diversos tamanhos e diferentes cores que giram à volta uns dos outros”. Esse seria o universo para cada ser inteligente que habitasse qualquer um dos planetas de uma determinada galáxia, e de toda e qualquer galáxia. Não existiria em nenhum planeta habitado por seres inteligentes que usassem palavras para se comunicar uma palavra ou uma ideia a que se possa associar o que pudesse ter sido chamado de galáxia porque o nome desse aglomerado de estrelas e planetas seria Universo.

Em uma época que não pode ser determinada porque está muito além de qualquer linha do tempo que tenha sido traçada, a expansão do universo chegou a um ponto que, caso ainda existisse um planeta habitado por seres inteligentes, a partir desse planeta e com os instrumentos mais precisos que a mais inteligente das formas de vida pudesse conceber, não seria possível detectar a existência de uma infinidade de sistemas solares e, por conta disso, o sistema em que se encontraria esse planeta seria visto e “conhecido” como sendo todo o universo e, se nesse planeta houvesse livros escolares para educar os filhos desses seres inteligentes, o universo seria descrito nos livros escolares como “Um sol orbitado por sete planetas (ou outro número finito qualquer, geralmente menor do que dez) de diversos tamanhos e cores, além de um aglomerado imenso de partículas maiores e menores que giram à volta do sol ou dos planetas”. Esse seria o universo para cada ser inteligente que habitasse qualquer um dos planetas de um determinado sistema, e de todo e qualquer sistema. Não existiria em nenhum planeta habitado por seres inteligentes que usassem palavras para se comunicar uma palavra ou uma ideia a que se possa associar o que pudesse ter sido chamado de sistema solar porque o nome desse sol com seus planetas e suas pedras seria Universo.

 Em uma época que não pode ser determinada porque está muito além de qualquer linha do tempo que tenha sido traçada, a expansão do universo chegou a um ponto que, caso um planeta tão distante de qualquer sol pudesse ser habitado por seres inteligentes, a partir desse planeta e com os instrumentos mais precisos que a mais inteligente das formas de vida pudesse conceber, não seria possível detectar a existência de um sistema solar e, por conta disso, o universo seria o planeta e o vazio que o cerca. Para cada ser inteligente que habitasse esse planeta, o universo seria esse planeta e o nada que o cerca. Não existiria, caso esse planeta fosse habitado por seres inteligentes que usassem palavras para se comunicar, uma palavra ou uma ideia a que se possa associar o que pudesse ter sido chamado de universo porque o nome desse planeta seria Rocha, Casa ou Terra, e além dele nada mais existiria.

 Depois de uma infinidade de épocas que não podem ser determinadas porque estão todas muito além de qualquer linha do tempo que tenha sido traçada, a expansão do universo chegou a um ponto em que não existe mais nenhum planeta que pudesse (ou não) ser habitado por seres inteligentes. Em uma dessas épocas que não podem ser determinadas porque vão muito além de qualquer linha do tempo que tenha sido traçada, o universo é uma molécula de água tão distante de qualquer outra molécula de qualquer outra substância que não se poderia detectar a existência de nenhuma outra molécula, mesmo se fosse possível usar os instrumentos mais precisos que a mais inteligente das formas de vida pudesse conceber. Em outra dessas épocas que não podem ser determinadas porque estão muito além de qualquer linha do tempo que tenha sido traçada, o universo é um átomo de oxigênio tão distante de qualquer outro átomo de qualquer outra substância que, se fosse possível usar os instrumentos mais precisos que a mais inteligente das formas de vida pudesse conceber, não se poderia detectar a existência de nenhum outro átomo.

 E as épocas impossíveis de serem determinadas porque estão muito além de qualquer linha do tempo que tenha sido traçada continuaram passando. O núcleo desse átomo deixou de ser núcleo de um átomo porque ficou sozinho sem que fosse possível detectar a presença de elétrons, mesmo se houvesse qualquer possibilidade de medir as distâncias com os instrumentos mais precisos que a mais inteligente das formas de vida pudesse conceber. Depois (muito, muito, muito depois mesmo!) as partículas que compunham o que tinha sido esse núcleo também deixaram de formar um todo porque ficaram sozinhas. Mais muitas e muitas épocas impossíveis de serem determinadas porque estão muito além de qualquer linha do tempo que tenha sido traçada continuaram passando e uma partícula ainda menor do que todas as partículas menores que poderiam ser detectadas pelos instrumentos mais precisos que a mais inteligente das formas de vida pudesse conceber em alguma época impossível de ser determinada porque estava muito além de qualquer linha do tempo que tenha sido traçada e que fez parte de uma partícula que formava o núcleo do que era um átomo de oxigênio ficou sozinha.

 Então, depois de passar um último tempo de uma última época que não pode ser determinada porque está muito além de qualquer linha do tempo que jamais tenha sido traçada, isolada por um espaço impossível de ser medido porque está muito além de qualquer espaço que alguma vez pôde ser medido ou calculado com a ajuda dos mais avançados instrumentos que pudessem ter existido, restou apenas a menor das partículas, aquela que nunca foi conhecida porque nunca houve instrumento ou cálculo capaz de detectar o micro nesse nível de subdimensão. Essa partícula que nunca foi vista, calculada ou vestigiada por nenhuma ciência é o nada e como NADA seria descrita, definida e registrada por qualquer mente inteligente de qualquer ser inteligente que alguma vez habitou algo que não existe há um tempo impossível de ser mensurado. E esta partícula que é o nada está sozinha, por conta da inimaginável distância que a separaria de qualquer outra partícula que poderia ter estado em seu campo de detecção, mesmo que esse campo de detecção pudesse ser muitas e muitas vezes maior do que o campo detectável pelo mais avançado instrumento jamais criado pela mais inteligente das formas de vida que pudesse ter habitado algo que não existe há um tempo impossível de ser mensurado. Esta partícula está só.

 Em uma época que não pode ser determinada porque está muito além de qualquer linha do tempo que tenha sido traçada, as distâncias se tornaram tão grandes que ultrapassaram a noção de distância e de espaço, as épocas que não podem ser determinada porque estão muito além de qualquer linha do tempo que tenha sido traçada se tornaram tão longas que ultrapassaram a noção de época, era ou tempo. E foi então que a partícula solitária e tão minúscula a ponto de se tornar nada explodiu! Tanta energia liberada formou o tempo e o espaço, e o espaço formado foi tomado por gigantescas nuvens de energia e matéria, densa poeira de elementos que formaram moléculas, substâncias e aglomerados de substâncias. E começou uma dança de energia, explosões fenomenais e formação de corpos instáveis que formaram um universo onde se foram criando galáxias, estrelas e planetas. Depois de passado um tempo quase que além de qualquer linha do tempo que possa um dia ser traçada, alguns planetas ficaram posicionados de tal forma em relação à estrela que orbitaram e aos outros planetas que faziam parte do mesmo sistema que, depois de receber elementos formados pelas explosões de outras estrelas e pelos choques entre outros planetas, conseguiram formar uma atmosfera e manter uma temperatura tal que foi possível a geração de substâncias orgânicas. Dos poucos planetas que puderam permitir o desenvolvimento de substâncias orgânicas em uma determinada fase de sua existência, apenas alguns puderam se manter nessa condição favorável por tempo suficiente para que em sua superfície surgisse e se desenvolvesse vida. Dos poucos planetas que puderam permitir o desenvolvimento da vida, apenas em alguns esta vida pôde se manter por tempo suficiente para desenvolver seres com inteligência capaz de medir grandes distâncias, descobrir que o universo está em expansão e detectar substâncias minúsculas que formam a matéria.

 

22 de setembro de 2012

Contato

No céu claro, poucas nuvens e um dia quase em ocaso, um ponto de luz surge quase invisível, vai aumentando até se tornar uma pequena estrela, ou algo como tal. Com poucas pessoas habituadas a olhar para o céu à procura de estelas e menos pessoas ainda a fazer isso numa hora que, se bem que próxima da noite, ainda é chamada dia, o fato é que ninguém parece ter visto a pequena estrela surgir. Mas ela “caminhou” pelo céu em linha mais ou menos reta e desapareceu por trás de um pequeno bosque rústico e ressequido que se via entre a pedra chamada Pequeno Monte e o mar com seu porto agitado e suas construções mal erguidas e mal equilibradas.

Passado pouco mais do que o tempo que o menino demorou para encontrar a concha raiada mais bonita na pequena faixa de areia entre o muro e a água, saiu da mata como quem volta de ir atender às necessidades do corpo um homem alto, magro e de aparência tão comum que conseguiu passar mais despercebido do que a estrela que ninguém viu. Mais sim, porque a estrela, se alguém tivesse olhado para o céu naquele momento, teria possivelmente chamado a atenção pelo menos a ponto de fazer com que o observador a acompanhasse com os olhos até que ela se escondesse atrás da mata, e o homem que de lá saiu não foi olhado com mais atenção do que qualquer outra parte costumeira da paisagem e ainda assim só por quem estava com o rosto voltado para aquele lado no momento em que ele saiu da mata. Ninguém olhou duas vezes, ninguém registrou sua aparição no consciente, ninguém acompanhou seus passos com os olhos e, mais ainda, ninguém associou sua aparição à aparente queda da estrela que não viram.

 O homem sentou-se sobre os destroços do que antes havia sido um pequeno barco e agora era um esqueleto emborcado de madeira apodrecida e, com o rosto comum e ignorado voltado para o Grande Sol e, voltada para o Pequeno Sol, as costas de um casaco que talvez tivesse sido verde um dia, provavelmente antes do nascimento do homem de idade indefinida que o vestia, ficou olhando para o mar que perdia seu tom verde intenso e tornava-se cada vez mais chumbo à medida que o dia se despedia e o Pequeno Sol, com sua luz fraca e distante substituía o Grande Sol que se despedia brilhando vermelho e forte no horizonte de água.

Pessoas falavam alto enquanto arrastavam barcos que vinham ou iam até os cinco navios ancorados antes da linha do horizonte. Crianças sorriam, corriam e gritavam molhando os pés nas ondas ou cavando pegadas disformes na areia. Homens silenciosos seguravam varas de pesca ou cosiam redes. E, enquanto essa vida acontecia, o homem quase invisível, sem voltar o rosto e com os olhos ainda fixos no horizonte onde o vermelho do Grande Sol se tornava cada vez mais rosado, olhava, ouvia, invadia sem ser notado a mente de todas as pessoas e aprendia sua língua, seus medos e suas vidas. Sem se fazer notar o homem quase invisível aprendia a história de cada pessoa e apreendia de cada mente o que cada corpo sabia.

Quando o homem velho que tinha uma dor permanente no lado direito das costas se levantou num surdo gemido depois de dar o último ponto na rede que cosia, o homem quase invisível sabia como era uma dor que não desaparecia nunca e sabia como costurar uma rede. Quando o menino que queria ser curandeiro atendeu ao chamado do irmão menor que a mãe mandou buscá-lo e saiu correndo equilibrado na mureta que chegava até um caminho estreito quase invisível daquele ponto da praia, o homem quase invisível sabia como chegar até a casa humilde e em que ponto da mesa de madeira de convés se sentar para comer o peixe e o pão que a mãe preparara com olhos tristes pelas lágrimas que tentava esconder do marido doente que se consumia no quarto pequeno e escuro de onde não podia sair enquanto o filho não aprendesse o suficiente para curá-lo.

Mais tarde, quando já não havia vestígio do Grande Sol no horizonte e o Pequeno Sol já estava alto o suficiente para banhar toda a paisagem no chumbo de sua luz, o porto ficou deserto de crianças e pescadores. Então começaram a chegar as prostitutas e os marinheiros bêbados, e o homem quase invisível aprendeu novas e obscenas palavras na língua rude que aprendera ao chegar, e aprendeu as línguas diferentes nas quais pensavam três grupos de marinheiros que tinham histórias diferentes, outros medos, outras lembranças e vidas que não começaram nesse porto. Com os marinheiros o homem quase invisível aprendeu o que é saudade e como se fazer forte para que ninguém visse em seus olhos ou ouvisse em sua voz o medo que todos tinham.

Quando já amanhecera há muitas horas, quando os marinheiros e as prostitutas tinham desparecido em seus navios e seus cubículos cheirando a perfume barato, quando crianças voltaram a brincar e depois correram para casa em busca do almoço, quando as conversas dos velhos se encheram de silêncios e o calor os expulsou do cais, o homem quase invisível se levantou e sem ser notado, como quem sai para resolver as urgências do corpo, saiu caminhando por onde viera na tarde anterior e entrou na mata. Ninguém sentiu sua falta, ninguém se lembrou de que ele estivera sentado, imóvel, por tantas horas nesse escombro de barco emborcado e, mais ainda, ninguém sequer se perguntaria como conseguira ficar imóvel durante tantas horas.

Depois do tempo que uma mulher se demorou para atravessar, procurando pela minguada sombra das construções mal erguidas e mal equilibradas, desde a viela quase invisível por onde o menino que queria ser curandeiro e seu irmão desaparecera até a porta semiaberta da última casa antes da curta rua que saia no matagal por onde o homem quase invisível desaparecera, surgiu uma pequena estrela que ninguém viu porque nessa hora o Grande Sol vai tão alto e queima tão vermelho que ninguém sente desejos de olhar para cima.

A pequena estrela subiu numa linha mais ou menos reta e desapareceu depois de diminuir ainda mais seu tamanho que já não era grande. Como ninguém a viu e ninguém se lembrava do homem que estivera sentado sobre o esqueleto morto de um barco olhando o horizonte ninguém associou o desaparecimento do homem ao aparecimento da estrela e associaram menos ainda - se é que é possível ser menos do que nada - o desaparecimento da estrela com o fato de o homem que entrou no mato como quem ia apenas aliviar o corpo não ter voltado. O esqueleto daquilo que um dia fora um barco continuou abandonado até que o Grande Sol se aproximou da linha do horizonte, as crianças voltaram a brincar na praia e duas meninas usaram as madeiras apodrecidas para secar sobre elas as conchas mais bonitas que tinham encontrado na areia.

11 de julho de 2012

O CRIME DA VEZ

Sempre tem o "crime da vez" e em torno desse crime se arma o “circo da vez” com direito a campanhas em prol de armamento, de desarmamento, da pena de morte, da maioridade penal, de leis mais severas para...

Enfim, com palavras, frases de efeito, poemas, ironias, fotos, charges, montagens de photoshop e apresentação de power point, fala-se. Por e-mail, no facebook, no twitter, no youtube e nos blogs, fala-se, fala-se, fala-se...

Todo mundo fica bonzinho naquele assunto e manifesta disposição para - piamente é claro - linchar o “criminoso da vez” e adotar, se for o caso, a “vítima da vez”.

Durante esse período em que o "crime da vez" está no alge acontecem centenas de outros crimes - alguns bem mais graves - que passam totalmente despercebidos para os "bonzinhos da vez".

Depois cansa que ninguém é de ferro.

Aí dá um tempo - muito curto que não se vive sem notícias - e surge outro "crime da vez" com outro "criminoso da vez" e outra "vítima da vez".

E os "bonzinhos da vez" esquecem o anterior e armam sua santa e justa indignação para o novo.

E tudo começa e acaba outra vez a cada "estação de caça da vez".

É assim que a banda toca.

25 de junho de 2012

Voltei a ser hipócrita!


Um dia, há 3 anos, no dia 23 de janeiro de 2009, comuniquei a meu neguinho a decisão de não comer carne. A comunicação teve data fixa, a decisão não, como expliquei no texto que escrevi a respeito aqui mesmo, nessa data. Foi uma decisão pensada, raciocinada e racionalizada, ou, como bem poderia dizer, foi como que ruminada durante semanas. Mas se tem algo a ser dito com respeito às decisões e às razões que nos levam a tomá-las, esse algo é que elas não são causas pétreas. Mesmo as mais ruminadas das decisões que tomamos podem, e talvez devam, continuar a ser ruminadas depois de já estarmos agindo de acordo com elas. Foi o que me aconteceu.

A pratica da dieta vegetariana muito me alterou os hábitos; pouco, ou nada, se alterou o hábito de matança e tortura dos produtores de carnes e pescados. Posso estar tremendamente enganada, mas tenho uma forte tendência a acreditar que nenhum animal deixou de ser abatido por conta da minha “nobre” decisão de não mais consumi-los. No entanto minha disposição e minha saúde se foram aos poucos alterando consideravelmente. Talvez possam dizer que foi psicológico, que eu desejei dessa forma e meu corpo apenas obedeceu. Talvez. De qualquer forma, psicológico ou não, não foram alterações voluntárias e, embora não sejam profundas a ponto de me levarem à cama de doente e nem mesmo a ponto de me levarem a um consultório médico, ao menos para mim são sensíveis o suficiente para me levar a sentir que esse dia pode chegar.

 Não vou desfilar uma lista de dores e achaques de velha nessa postagem. Basta-me dizer que sou uma preguiçosa incorrigível. E quando digo “preguiçosa incorrigível” não estou fazendo pose, repetindo frase de efeito ou exagerando: sou uma preguiçosa incorrigível mesmo! Tenho preguiça de segurar uma vassoura, de plugar um ferro na tomada, de abrir a torneira da pia, de lavar uma folha de alface. E acima de qualquer atividade que odeio e que tenho preguiça de fazer, eu odeio todo tipo de trabalho doméstico, incluindo cozinhar. Um pouco por isso e um pouco pela gula, substituí a carne por tudo o que nenhum nutricionista recomenda que se coma sem controle, e o desastre estava feito!

Odeio o que fazem com os animais, odeio que exista a cadeia alimentar e que eu tenha que fazer parte dela; odeio o fato - para mim incontestável - de que a vida não é maravilhosa e a natureza não é linda e perfeita. Mas a vida está em mim e sou parte da natureza. Se não posso vencer-me (e acredite, eu não posso!), preciso aceitar o fato e me resignar a lutar de outra forma.

Voltei a ser hipócrita, mas estou tentando ser uma hipócrita consciente. Na medida do possível – e até pelo que aprendi dos meus anos como vegetariana, porque tudo na vida é aprendizado – usarei produtos menos agressivos, mais vegetais e mais orgânicos. Mais do que isso, vegetarianos e vegans do mundo, me perdoem mas não posso fazer.

14 de abril de 2012

Resposta a uma carta

Em seu blog, esse rapaz postou uma carta a mim, aqui estou postando a resposta. Esse é o link para a carta dele: http://cartaeverso.blogspot.com.br/2012/04/carta-para-divina.html?spref=fb

Prezado Igor,

Sim, Igor, eu afirmo que deus não existe, porque no mundo acontecem desastres naturais, há miséria e crianças que são torturadas ou estupradas. Digo isso porque os que afirmam a existência de deus, como é o caso da nossa amiga Dequinha, afirmam também, incansavelmente, que deus é todo poderoso e que deus é bom. Então sim, eu digo que um deus, se existisse, não poderia ser bom, já que existem pessoas que sofrem (pessoas inocentes que sofrem). Eu questiono a fé sim, sempre tive o hábito de questionar aquilo que não entendo, mas não, Igor, eu não combato a fé sempre, eu combato a fé, e combato com veemência, quando ela tenta se impor a todos, como é o caso das atuais bancadas religiosas que querem colocar a bíblia à frente da Constituição e impor seus dogmas religosos a todos, inclusive àqueles que, como eu, não partilham de suas crenças. ISSO eu combato! E como esses políticos desonestos têm muito apoio, uma forma de combater essa desonestidade é mostrar às pessoas o quanto a fé é irracional, talvez assim eu ajude a conseguir que aqueles políticos desonestos deixem de ter votos e "fieis" suficientes para ameaçar a laicidade do estado.

Sim, eu digo também que não pois não entendo a visão religiosa que desconsidera o outro, mas não estou falando da opinião do outro, estou falando do sofrimento do outro. Eu não entendo alguém agradecer a deus porque passou no vestibular, ou outra trivialidade qualquer, dizer que conseguiu isso porque deus "operou" na sua vida, porque deus é bom e justo, e esquecer totalmente os milhões de pessoas que sofrem horrores terríveis e às quais deus, se existisse, teria obrigatoriamente ignrado. Eu não entendo como é que pessoas boas conseguem ter seu senso de justiça deturpado desse modo. Se meu filho nasceu perfeito (e foi o caso) devo agradecer a deus essa maravilha e esquecer os milhões de mães que tiveram filhos com sérias deficiências físicas e mentais, que perderam seus filhos e pouco tempo porque nasceram com todo tipo de má formação, que têm filhos que nunca deixarão de depender de alguém e que nunca terão uma vida plena e completa. Devo dizer que deus é bom e justo porque o MEU filho é perfeito e dizer um sonoro "foda-se" para os milhões de mães que não tiveram essa graça? Como eu digo sempre: Não sei apreciar a injustiça nem mesmo quando sou favorecida por ela.

Você diz que para você a meta é aprender a conviver com a dúvida e não querer respostas; não sou assim tão conformada. A minha meta é olhar as coisas, questionar e, na medida do possível, buscar respostas. Desculpe dizer, Igor, mas se todos pensassem como você acho que o ser humano não teria nunca descido das árvores ou saído das cavernas. Aceitar a incoerência sem pensar é enterrar a razão, é até mesmo, em princícipio, se negar a usar algo que, pela sua própria crença, o próprio deus deu a você, ou não foi deus quem te deu a inteligência, a capacidade de questionar, a habilidade de pensar?

Desculpe, eu não entendo "fé na incerteza". Não faço ideia do que isso pode significar. Também não entendi esse deus noqual você não acredita. Você descreveu um cavaleiro medieval idealizado e me pergunta se eu gostaria que existisse um deus assim. Isso não faz o menor sentido pra mim. Por que eu acharia bom um deus que usasse uma espada? Um deus que tivesse inimigos? Não entendi.
Você, pelo que diz, acredita em um deus bem fraquinho, relaciona os males e diz "não acredito que deus possa resolver tudo isso". Não entendo, novamente não entendo. Você acredita em um deus que criou tudo isso mas não pode resolver tudo isso? Como uma criança que brinca com o que não conhece e causa acidentes que não tem capacidade de evitar. Como você diz "um deus limitado". Para que serve um deus assim? Na minha opinião para NADA!

Você diz que esse deus se autolimitou, que não somos fantoches de deus, reconheço aqui o argumento do livre-arbítrio. Mas Igor, esse argumento é TÃO fraco! Então um deus ONIPOTENTE não podeia ter criado um planeta sem desastres naturais e seres que tivessem tanto asco de matar e torturar quanto temos de comer bosta? E, sendo ONIPOTENTE não poderia permitir que fôssemos livres sem ter que sofrer e infringir torturas aos nossos semelhantes e aos outros seres que dividem conosco esse planeta? Pelo que eu vejo essa noção de onipotência é muito limitada nas pessoas religiosas, e a ideia de livre-arbítrio é uma desculpa muito da esfarrapada para justificar algo que simplesmente não faz sentido.
Você me pergunta que faço para reparar o mundo. Desculpe mais uma vez, Igor, mas isso não é argumento. Eu não criei esse mundo como ele é, eu não sou onipotente. Eu não tenho, nem eu nem niguém, poder para reparar o mundo. Eu poderia não fazer absolutamente NADA de bom para nenhum ser humano da face da terra e ainda assim isso não justificaria deus. Eu poderia inclusive ser má e ao invés de fazer o bem, trabalhar arduamente para que tudo o que há de ruim fosse ainda pior. Não importa! Ainda assim esse mundo, a maldade que existe nesse mundo (no caso até a que existiria em mim e a que eu praticaria) continuaria servindo como arguento para afirmar que deus não existe e que, se existisse, seria mau e injusto.
Você, como muitos crentes, faz a velha afirmação (ou sugestão) de que "talvez seja o momento de pararmos de culpar a deus pelos nossos erros, pela nossa falta de amor com os outros". Então eu devo começar a expiar pelo meu erro de ter criado os virus e bactérias que causam doenças e mortes? Devo me redimir por ter inventado os terremotos, as enchentes, as secas, os tsunamis? Devo pagar pelo crime de fazer com que a vida no paneta só exista à custa de outra vida? Devo me culpar por ter criado a cadeia alimentar? Devo pedir perdão por possibilitar a existência de mentes deturpadas e doentes capazes de matar, torturar, estuprar, gozar com a dor e o sofrimento do outro? De acordo com você esses são os nossos erros, o que você sugere que a gente faça para corrigi-los?

Você diz que "Não é irreconciliável que eu agradeça a deus pela minha família, e ao mesmo tempo me preocupe com o bem-estar de uma outra família que está sofrendo. Não é impossível que eu agradeça a deus por ter dois braços e duas pernas e possa caminhar, e ao mesmo tempo lute por um mundo com acessibilidade para todos." Eu respondo: Não, não é irreconcilável, é apenas ilógico e, desculpe dizer, soa muito egoista, pelo menos pra mim. Não acho que alguém precisa agradecer a deus pelo que tem para ajudar aqueles que não têm. Pelo contrário, se pensar que o que tenho não me foi dado por nenhum deus injusto, que escolheu a mim para presentear e deixou que alguém muito mais merecedor de presente do que eu ficasse sem nada, fica mais fácil não me achar um "escolhido" e alguém com um direito que não pode ser de todo mundo. Então, sem essa prepotência, posso olhar para o outro como igual, até como superior porque merece mais do que eu, e posso ajudá-lo não para me sentir merecedora de um paraíso pós morte, mas apenas porque é o certo a se fazer.

Não, Igor, eu não quero uma resposta para o sofrimento, para a morte, para as catástrofes naturais, para por que o homem morre. Eu acho que VOCÊ deveria querer! Acho que, se eu acreditasse que deus existe, então sim, eu ia querer uma resposta. Mas, para mim, deus não existe, então já tenho a minha resposta. As perguntas que faço, da forma que as faço, só são viáveis para quem acredita que deus existe. Na ausência de deus, acabam-se as perguntas feitas dessa forma; na ausência de deus, podemos nos voltar para as perguntas deforma científica, e podemos procurar as respostas para elas e a solução para os problemas, olhando para as coisas, pesquisando, testando, experimentando, fazendo ciência.

Você diz que aprende todos os dias a conviver com a incerteza, mas será mesmo que você não busca respostas para suas dúvidas? O que vejo e percebo normalmente é que as pessoas procuram respostas para as dúvidas que têm APENAS se e quando essas dúvidas não tocam na religião, se tocarem então elas param, recusam-se a pensar, fecham teimosamente a mente e "jogam toda a razão pra debaixo do tapete". É por isso que nunca partilho da opinião de muitos ateus radicais de que os crentes são burros, isso não é verdade, de forma nenhuma, pessoas são burras ou não independente de ser crentes ou ateias; muitos crentes são extremamente inteligentes, apenas se recusam a usar para com a religião a mesma intelgência e os mesmos critérios racionais que usam para outros aspectos da vida.

Bem, para terminar, eu não tenho fé, mas acredito que, se os crentes não se deixarem levar pelos "abanadores de bíblia" fundamentalistas, talvez, a gente possa sim construir um mundo mais ético, mais justo, mais tolerante, e sim, melhor de se viver.

Um abraço,

Divina

19 de março de 2012

CONVERSA 2

Eis a continuação, e provavelmente o final, da conversa que começou no FB.
Teísta diz: Todo o propósito DEle ninguém sabe, o fato é o que Ele fez ou faz independe do que a “criação” acha disso..
RESPOSTA: Então por que adorá-lo? Se ele faz o que quer independente da criação, o que existe nele para ser adorado ou mesmo respeitado? Se ele não tem porque ser como a criação espera que seja, se pode fazer qualquer coisa, então por que o teísta acha que ele vai fazer justiça premiando os bons e castigando os maus? De onde tiram essa conclusão? Se ele pode fazer o que quiser, não pode inclusive mudar de ideia e fazer tudo de forma contrária ao que qualquer teísta possa pensar que ele fará? Por que dizer que a bíblia é a palavra dele se ele pode a qualquer momento dizer que a bíblia não é mais sua palavra? Se pode até mesmo já ter invalidado a bíblia há centenas de anos? Onde estão suas razões para pensar o que pensa se você mesmo diz que não tem razão nenhuma, nem mesmo no aqui e agora, como é o meu caso?
Teísta diz: Sobre se achar merecedor do céu, nenhum cristão coerente acha que merece..Sobre se achar merecedor do céu, nenhum cristão coerente acha que merece...
RESPOSTA: O que me parece é que vocês não tem coragem de confessar isso, acho que porque seria pecado. Daí todos dizem que não merecem, ou que não sabem se merecerão “essa glória”... mas sempre agem e falam, principalmente com os ateus, como quem tem certeza de que vai para lá, sem dúvida nenhuma. Afinal, por que, conscientemente, alguém adoraria um ser que vai jogá-lo no inferno por toda a eternidade? Vocês adoram o ser que vai jogar O OUTRO no inferno por toda a eternidade. Mas admitir isso seria pecado de orgulho, soberba ou coisa que o valha, então vocês não admitem, talvez nem para vocês mesmos, para não correr o risco de cair no fogo do inferno junto com o outro.
Teísta diz: Odiar deus seria coerente...
RESPOSTA: Sou obrigada a gritar e gritar quantas e quantas vezes para que algum teísta possa tentar me entender? NÃO ODEIO DEUS. DEUS NÂO EXISTE! Desculpe o grito, mas quantas vezes vou precisar explicar?
Teísta diz: Dizer que ele não existe já se torna tolice.
RESPOSTA: Tolice é adorar algo que você não pode provar que existe, e, pior: que, se existisse, seria algo que mata e tortura por puro sadismo.
Teísta diz: A vida com as pessoas que amo só faz sentido quando eu sei que saindo dessa realidade eu vou para um lugar onde a injustiça e desigualdade não vão existir.
RESPOSTA: Sabe como? Onde estão as provas? As injustiças e desigualdades não vão existir? Fora tudo que eu disse lá em cima, como fica isso com relação ao inferno? Se você acreditar em inferno, simplesmente não tem como dizer que vai para onde não existam injustiças e desigualdades. ISSO é  suprassumo da incoerência e da prepotência! Então boa parte das pessoas que existem, existiram e existirão vão, foram ou irão para o inferno A vida com as pessoas que eu amo só faz sentido quando eu sei que saindo dessa realidade eu vou para um lugar onde a injustiça e desigualdade não vão existir.. Nem todas as pessoas que eu amo juntas, nem dinheiro nem qualquer outra coisa nesse mundo seriam suficientes para me fazer feliz um único dia da minha vida se eu soubesse que o mundo sempre será dessa forma e não há qualquer esperança de paz e harmonia.. Uma vida assim que culmina depois no esquecimento seria como um cativeiro..e isso não é injustiça? Não perceber isso só porque acha que está livre dessa é muita prepotência. E muita maldade!
Teísta diz: Uma vida que culmina depois no esquecimento seria como um cativeiro.
RESPOSTA: E a vida de cobaia de um ser todopoderoso que criou o mal é um bem? Mesmo acreditando que ele pode fazer qualquer coisa, inclusive mudar as regras do jogo que você nem sequer sabe quais são? Inclusive sabendo que, mesmo que seja como você imagina, nem todo mundo terá direito a esse “onde a injustiça e desigualdade não vão existir”? Por que esse ser tão “maravilhoso” criaria pessoas para sofrer? Onde, onde está a mínima lógica desse raciocínio?
Teísta diz: Sobre a tal “aposta de Pascal” eu não conheço.
RESPOSTA: Deveria conhecer. Pascal é um filósofo cristão. Mas o interessante são as refutações. Até mesmo outros filósofos cristãos refutaram essa aposta. Que é a que você está fazendo.
Teísta diz: O ateu não poderia dizer que estou errado...
RESPOSTA: Você insiste em bater na mesma tecla. Eu POSSO e digo; todas a pessoas podem, se quiserem, dizer. Esse seu argumento de que só o cristianismo é objetivo é mais do que furado. O cristianismo NÃO é objetivo! O que você está dizendo não vale nada; não é argumento. Você insiste e insiste e por mais que eu explique você simplesmente ignora tudo o que eu digo. Isso não é debate, é pura demonstração de teimosia.
Teísta diz: É você que precisa provar que ele não existe.
RESPOSTA: Chega. Eu já falei sobre isso de todas as formas possíveis e você simplesmente ignora todos os argumentos só porque toma a existência de deus como fato: Com tantas provas quanto eu teria da existência das fadas, se quisesse afirmar que elas existem. Ou seja, você não pode provar mas toma como fato, e em nome desse “fato” ignora toda e qualquer lógica fazendo de conta que está sendo lógico. É como alguém que estivesse tapando os dois ouvidos e fazendo barulho com a boca achar que está ouvindo e respondendo.
Teísta diz: Divina, mas é você que precisa me provar que Ele não existe. Eu não falei que fadas e ogros existem e muito menos tentei de convencer disso. Aliás, desde o começo eu não tentei nem te provar que Deus existe, porque eu sei bem que tudo à sua volta não é prova suficiente então meus argumentos são totalmente inúteis.
RESPOSTA: Pensei que você pudesse perceber que quando eu disse “Prove então que fadas e ogros não existem.” eu estava apenas querendo demonstrar que não se pode provar a inexistência. Eu disse isso para que você parasse de me pedir provas que você não poderia dar. É verdade que você não tentou me convencer (diretamente) de que deus existe, mas afirmou que “o bem cria e alimenta o mal”, que “um assassino torturador é alguém cheio de bondade” e que “um senhor de escravos é louvável e merece respeito, amor e admiração”. Afirmou tudo isso quando afirmou a existência de deus, porque é exatamente isso que seria o deus em cuja existência você crê, caso esse deus existisse. E cada uma dessas afirmações, pelo paradoxo lógico que é, eu vejo como prova clara da não existência de deus. O problema é que você não está interessado em provas, ou em lógica. Você colocou a fé antes de tudo e ainda quer fazer parecer que está sendo racional.
Teísta diz: O propósito para a vida criado com base em qualquer coisa que surja do acaso é que é uma ilusão.
RESPOSTA: Então o seu propósito para a vida também é uma ilusão. Deus é uma criação humana, uma criação do acaso. Veja, se a história dos judeus tivesse sido em algum ponto, apenas um pouquinho diferente do que foi, talvez nunca tivesse surgido entre eles a ideia do deus único; se a história de Paulo de Tarso tivesse sido um pouquinho diferente do que foi talvez nunca tivesse surgido o cristianismo. Estou falando apenas de dois itens, mas as variáveis são infinitas e as possibilidades igualmente. Pouco bastaria para que você nunca tivesse tido contato com esse deus que coloca como mais válido e importante do que as pessoas que você ama. Acaso por acaso, meu caro, nós dois somos. Isso não invalida, repito mais uma vez, o fato de que EU POSSO dizer que o propósito para a minha vida seja as pessoas que amo e as coisas que faço. E você não pode provar o contrário porque estamos falando da MINHA vida
Teísta diz: Enfim, subestimam os religiosos que creem que suas vidas têm algum sentido objetivo, e ao mesmo tempo se acham certos (se contradizendo) ao criarem suas próprias motivações para uma vida que no máximo tem algum sentido subjetivo (inventado).
RESPOSTA: Acho que agora está mais do que na hora de você fazer (ou tentar) o que vem exigindo de mim. Mostre: onde é que “os religiosos têm algum sentido objetivo”? Cadê essa tão propagada objetividade? Se você puder provar isso, fica com a vitória. Eu admitirei que o seu sentido para a vida, porque objetivo, pode ter maior valor racional do que o meu. Não que eu vá abrir mão do meu sentido subjetivo e aderir ao seu; ainda continuarei achando o meu infinitamente superior, mas pelo menos poderei dizer: “Tá,você tem razão, você deu um sentido objetivo à sua vida e tudo que eu posso fazer é inventar, nas pessoas que amo, um sentidos para a minha.”
Teísta diz: Se todos os indivíduos se sujeitassem a uma única visão geral que fosse perfeita, então de forma alguma haveria caos, seria exatamente o oposto por haver um padrão a ser seguido para todas as coisas.
RESPOSTA: Provavelmente você está certo. Mas qual é a possibilidade de isso acontecer? Qual é a possibilidade de existir uma única visão geral que seja perfeita? E, se essa visão geral existisse, qual a possibilidade de que todos os indivíduos se sujeitassem a ela? É possível que agora você diga que esse “padrão a ser seguido para todas as coisas” é o cristão, mas não é verdade de forma alguma. O padrão cristão está muito longe de ser perfeito, tanto que não é considerado perfeito nem mesmo pelos próprios cristãos, que se dividiram em vários grupos discordantes. O que eu disse lá em cima continua sendo fato: É o padrão de um grupo heterogêneo, com debates e discussões abertas, o que tem mais chance de se aproximar de um ideal de convivência pacífica, nunca o “padrão cristão”, mesmo porque tal padrão não existe.
Teísta diz: Você citou ali alguns exemplos de “caos” que na verdade são os próprios exemplos do que você acha ser a solução para definição do que é “certo ou errado”.. Citando o nazismo, deve saber que o Hitler conseguiu o apoio popular e com isso alastrou sua ideologia bizarra.
RESPOSTA: Acho que você confundiu as coisas. Eu disse: “É a experiência de muitas, no mesmo nível e com os mesmos direitos. Isso sim seria (e em certa medida é) o mais parecido que se pode ter com o que você chama de “referências absolutas”. E você vem contrapor esse argumento citando o nazismo? Desde quando o nazismo tem a ver com experiência de muitas pessoas no mesmo nível? Você não teria usado o nome de Hitler se assim fosse. O Nazismo foi a imposição da ideologia de poucos, na verdade a aceitação da ideologia de um só(louco desvairado). O que eu falei tem a ver com democracia, o que você citou, o nazismo, não se parece em nada com democracia. E lembre-se, eu não disse em nenhum momento que essa democracia seja o ideal perfeito, o que eu disse é que é o mais próximo disso que, talvez, se possa conseguir. O ser humano é imperfeito, portanto, não é capaz de atingir nenhum tipo de convivência social perfeita. Se fosse mesmo criação de deus, teríamos que cobrar desse deus a falha de projeto.
Teísta diz: Ué, mas e qual seria o sentido de vocês fazerem esse tipo de “acusação” contra um religioso se vocês não estariam em uma situação nem um pouco melhor?
RESPOSTA: O detalhe é que, na minha visão, estou sim numa situação MUITO melhor. Nós dois inventamos uma razão para viver, o detalhe é que a minha está em coisas concretas e realizáveis, a sua é uma fantasia de escravidão submissa.
Teísta diz: se esse Ser Criador tem todo o domínio sobre Sua criação então Ele não deve satisfação alguma a ela sobre o que faz.
RESPOSTA: Acho que já argumentei a respeito disso. A mim esse ser criador, se existisse, deveria satisfação sim! Se ele quer respeito, admiração ou mesmo que eu o considere como existente, tem sim que me dar satisfação. Se você pode acreditar sem prova e se forçar a amar se impedindo de ver que esse ser que aceita como real é tudo de mal, eu não posso; um livro cheio de contradições e absurdos a mim isso não basta, e não bastaria nunca.
Teísta diz: É óbvio que o “mal” já era previsto nesse plano da Criação, e com certeza ele serve muito bem para evidenciar o “bem” em contraposição.
RESPOSTA: Esse raciocínio é tão simplista! Não resiste a nenhuma análise mais séria. Até parece que alguém precisa mesmo passar fome para perceber que comer um doce é gostoso! Até parece que um deus que existisse e que fosse todopoderoso não poderia criar o bem ser ter que “contrapor” com o mal. É uma mentira deslavada dizer que alguém PRECISA conhecer o mal para entender o bem. E mesmo que fosse assim (o que não é), precisaria mesmo TANTO mal?
Teísta diz: num estado laico o assassino deveria ter o direito de viver conforme sua crença de que matar não é errado.
RESPOSTA: Você parece que não tem mesmo noção do que seja um estado laico, né? Pensa que laico é sinônimo de ateu e isso está longe de ser verdade. Você defende mesmo é a teocracia, mas também parece que não conhece a história das teocracias o suficiente para ter mesmo muita noção do que isso seja. desculpe dizer, mas parece mesmo é que você precisa ler mais coisas além da bíblia e mais opiniões embasadas e científicas além das dos pastores criacionistas. Como eu disse lá em cima, o ser humano, imperfeito, não é capaz de estabelecer uma sociedade ideal, realmente justa. Mas se pessoas - ateus e teístas juntos - fizerem leis não egoístas, não fundamentalistas, respeitando as diferenças e, principalmente, valorizando o ser humano e a sociedade, poderemos ter um estado laico (e não ateu!), que não privilegie nenhum grupo, nenhum deus, nenhum dogma. Não há teocracia melhor do que isso.
Teísta diz: Ateísmo é uma maluquice tão grande que me parece que os adeptos não se dão conta de quão bizarro é.
RESPOSTA: E eu penso a mesma coisa do teísmo. Temos muitos impasses, nunca chegaremos em um consenso, acho que realmente sobrou muito pouco para a gente discutir. Mas, se você se dispusesse a pensar de forma mais racional e a usar a lógica onde não admite nada que não a fé, talvez pudesse, pelo menos, entender meus argumentos. A diferença básica parece que está em você achar que sua opinião sem base lógica e colocada em suposições fora da realidade (ou transcendentes, como alguns gostam de dizer) valem mais do que opiniões com base lógica colocadas na realidade, na vida, no aqui e agora. Para você deus, mesmo não existindo, vale mais do que a vida humana ou a própria vida como um todo. Para mim é o contrário: Deus, mesmo que existisse, não vale nada em comparação com a vida humana ou a própria vida como um todo.
Teísta diz: Por que diabos o ateu deve seguir regras humanas se são somente regras criadas por humanos?
RESPOSTA: Porque não há regras sociais humanas que não tenham sido criadas por humanos. Só os teístas acreditam que existe um deus que cria regras. Ateus não acreditam em deus, lembra?
Teísta diz: São ideias relativas, subjetivas, passíveis de erros.. É até engraçado você ir contra ideias de padrões absolutos e aceitar “docilmente” leis humanas.
RESPOSTA: Só na cabeça dos teistas existem regras que não são relativas, subjetivas, passíveis de erros! E eu não defendo que se aceite “docilmente” leis humanas, tanto que estou o tempo todo defendendo que não transformem o senado e as câmaras em púlpitos para que as leis sejam formuladas, discutidas, avaliadas E MODIFICADAS por pessoas que formem grupos heterogêneos, com representantes de todos os segmentos da sociedade, e que nenhum segmento esteja representado em número suficiente para defender um único ponto de vista, um único grupo ou um único deus, mas que, pela heterogeneidade, estejam em condições de defender a sociedade como um todo e com toda a sua diversidade. Se isso para você é aceitar “docilmente” leis humanas, então você precisa rever os seus conceitos de democracia.
Teísta diz: Não Divina, veja bem, segundo sua “crença” seus parentes não são sua motivação, são somente um conjunto de átomos, moléculas, células, órgãos e por aí vai. Segundo sua crença eles não são sua motivação. Sua motivação (segundo sua crença) não passa de impulsos elétricos que seu cérebro transmite ao seu corpo. A soma de lembranças de coisas vividas é abstrata e são os impulsos elétricos que te geram emoções.
RESPOSTA: Como eu disse: “Sim! Meus entes (Filho, marido, família, amigos) são o resultado de um processo de evolução sem sentido lógico que por puro acaso resultaram em seres humanos (ao invés de qualquer outra coisa no universo) que fazem parte do contexto da minha existência. Mas eles são TAMBÉM minha motivação! E eles existem!”. É só na minha cabecinha que está a motivação? E daí? É só na sua cabecinha que está seu deus, e ele é mais incoerente do que o resultado de um processo de evolução. Como eu disse no começo da nossa conversa, EU coloco a minha motivação para a vida onde eu quiser, e eu escolhi colocá-la em coisas reais em lugar de colocá-la em seres imaginários como fez você. Se minha motivação é subjetiva, e desse ponto de vsta realmente é, a sua é ainda mais porque além da motivação ser subjetiva, o ponto onde você a colocou tembém é. Você não trouxe sua motivação para a realidade, eu o fiz.
Teísta diz: você defende que existam as leis e ao mesmo tempo defende o relativismo, o que é um absurdo lógico, e aí ataca a existência de uma divindade e ao mesmo tempo se sujeita ao que líderes tão humanos e falhos como você e eu decidem.
RESPOSTA: Sabe? Às vezes tenho a impressão de que você não está lendo o que eu escrevo. Eu nunca disse que me sujeito ao que líderes humanos e falhos como eu decidem, de onde você tirou isso? Aliás, na minha visão, é você quem se sujeita ao que líderes humanos tão falhos como você e eu decidem; ou melhor, decidiram há mais de dois mil anos. Eu defendo que leis existam, que sejam discutidas, que sejam modificadas quando necessário e, principalmente, que não sejam baseadas em dogmas ou no que um grupo determinou com base no que ACHA que disse seu amigo imaginário. O seu “padrão absoluto” é tão inexistente quanto o seu deus, mas para continuar fazendo de conta que ele existe você aceita essa ladainha de que “hoje são deturpados”. Olhe para trás, estude história um pouco mais criticamente e me diga quando esse tal “padrão absoluto” não esteve deturpado. Será que isso não é indício mais do que suficiente para derrubar essa sua hipótese?
Teísta diz: “Amar a Deus acima de tudo” e “amar ao próximo como a si mesmo” são 2 regras que se fossem seguidas dariam fim a qualquer problema que conhecemos.
RESPOSTA: Você só pode ser muito inocente mesmo. Então a bíblia só tem coisas boas e, em sendo seguida, transformaria o mundo num paraíso? Depois que você REALMENTE ler a bíblia, a gente pode falar sobre isso. Desculpe essa frase que parece ofensiva, é que me parece que você, como todo teísta, só lê a bíblia do jeito que quer ler, sem analisar o seu conteúdo com a mesma imparcialidade com que analisaria o conteúdo de outro livro qualquer. Você diz: “agora é sua tão esperada deixa pra despejar “elogios” à bíblia”. Não preciso fazer isso, bastaria que você a lesse sem essa venda que te impede de ver o seu conteúdo criticamente e você mesmo perceberia que a bíblia não tem como servir de parâmetro para nenhum tipo de ética respeitável. Ela não se resume nas duas regras que você apontou, e mesmo essas duas regras são muito discutíveis. Amar a deus sobre todas as coisas foi a regra base de uma quantidade imensa de crimes cometidos ao longo da história, sem contar que um deus que realmente valesse alguma coisa não precisaria impor o amor a ele como lei, ele teria condições de conquistar esse amor. Todo mundo sabe que amor não é voluntário, se fosse ninguém amaria sem ser correspondido. Agora você diria que o amor de deus é diferente: então dê outro nome, não chame de amor! Amor não é voluntário e não se impõe. Ditadores sanguinários, ao longo da história, sempre procuraram obrigar o povo a amá-los, é com eles que seu deus mais se parece, até nessa lei absurdamente prepotente. Amar ao próximo como a ti mesmo? Isso é uma impossibilidade! Seu deus está exigindo do homem algo que o homem é incapaz de fazer. Um pouquinho só que se pense é suficiente para concluir isso. Não conseguimos amar o mendigo como a nós mesmos por mais piedosos que sejamos, caso os teístas fossem capazes disso, pelo número de teístas que existem, certamente não existiriam mendigos. E esse é só um exemplo.
Teísta diz: eu já digo que aqueles assassinatos em massa e tudo mais que foi feito em nome de Deus são restritos àquele contexto, mas que de forma alguma foram um erro.
RESPOSTA: E você afirma que se seguíssemos a bíblia teríamos uma sociedade perfeita? Pensamentos como o seu me assustam. Acho que se muita gente pensar como você vamos voltar a ter fogueiras queimando gente em poucas décadas, é por isso que combato as bancadas evangélicas e católicas, elas só podem levar a isso, uma volta nada turística à Idade Média. Só nesses momentos é que eu penso “felizmente não estarei viva”, mas ainda continuo sentindo medo.
Teísta diz: Divina, a bancada evangélica não representa os cristãos.
RESPOSTA: Mas foi justamente isso que eu disse! Só que, infelizmente,estão representando cada vez mais cristãos.
Teísta diz: O ateu não pode contribuir para a vida em sociedade porque qualquer conceito que ele adote como “comum a todos” contraria seu relativismo, portanto, para ele adotar qualquer padrão comportamental/moral/ético ele vai precisar “se apoiar” em algum dogma ou pegar carona com algum religioso.
RESPOSTA: Acho que já falamos sobre isso e que você está muito enganado nessa sua afirmação. O que você está fazendo é insistindo em que ateu queira leis ateias, e não é verdade. Não confunda LAICO com ateu e você conseguirá entender o que defendemos.
Teísta diz: Ué, mas algum desses autores vai conseguir provar a inexistência de Deus ou no máximo conseguirá me informar que Ele é intangível?
RESPOSTA: Se você se nega a ler qualquer opinião embasada diferente da sua, como é comum entre os teistas, você fica sempre sem argumentos. Eu recomendo leituras para que você, diante de textos outros que não a bíblia você possa PENSAR. São provocações, eu faço isso: vivo lendo textos e livros teistas, ou você pensa que só leio autores ateus? Leia livros sobre a bíblia que não sejam de louvação e descobrirá “qual foi o grupo que adulterou a bíblia” e que não é verdade que “ela até hoje não favorece grupo algum”.
Teísta diz: E a Constituição é sua “Lei absoluta” então?
RESPOSTA: Quando foi que eu disse isso? A Constituição é um arcabouço de leis a serem respeitadas sim, mas nunca “absoluta”, tanto que pode, e deve, ser modificada quando se apresentar insuficiente ou inadequada. Leis, como tudo, ao longo da história, podem se tornar obsoletas ou insuficientes, então devem ser modificadas, ou revogadas. Até as “leis absolutas” do seu deus passaram por isso, não? O que mostra que essas “leis absolutas” não existem de fato.
Teísta diz: Divina, por favor, me prove cientificamente que “é errado, muito errado, roubar os direitos civis de um grupo.”. Alguém que adota um padrão moral absoluto poderia afirmar isso aí, mas quem o nega só está se contradizendo (coisa que a cada postagem se repete infinitamente aqui).
RESPOSTA: O principal problema aqui é que você diz que adota “um padrão moral absoluto”, mas isso não é verdade porque padrão moral absoluto não existe. E como você não pode provar que exista, fica apenas a sua afirmação, tornando essa discussão totalmente sem sentido, com você exigindo o que não pode dar, como vem fazendo desde o começo. O que prova que é errado roubar os direitos civis de um grupo é uma coisa chamada ética, e não é uma prova cientifica. É uma prova bem subjetiva, eu admito, mas é prova para mim. Além disso, se os direitos civis são aqueles direitos especificados na Constituição e se a Constituição determina que tais direitos pertencem a todo cidadão, então é errado, constitucionalmente, roubar os direitos de um grupo de cidadãos. Para que isso mude seria necessário alterar a Constituição, por isso luto por um estado laico: um estado laico não alteraria a Constituição excluindo cidadãos desse ou daquele grupo. Uma teocracia, como querem as bancadas evangélicas e católicas, faria isso.
Teísta diz: sobre os seres humanos concretos e reais que você citou (e eu os respeito), repetido que não passam de matéria orgânica estruturada frutos do acaso.. Suas projeções sobre eles se resumem então a reações químicas do seu organismo, quando o cérebro comanda seu corpo através de impulsos elétricos te dando sensações, sentimentos e emoções.
RESPOSTA: Mas é justamente isso que acontece com você! A diferença entre nós dois é apenas e tão somente que eu projeto em coisas concretas e você projeta em outro projeto. As “reações químicas do meu organismo, quando o cérebro comanda meu corpo através de impulsos elétricos me dando sensações, sentimentos e emoções” são direcionadas a “matéria orgânica estruturada frutos do acaso” que chamo de entes queridos; e as “reações químicas do seu organismo, quando o cérebro comanda seu corpo através de impulsos elétricos te dando sensações, sentimentos e emoções” são direcionadas a um outro conjunto de “reações químicas do seu organismo, quando o cérebro comanda seu corpo através de impulsos elétricos te dando sensações, sentimentos e emoções” que você chama de deus.
Teísta diz: A Ciência é tão confiável que sempre está mudando, né? Fantástico ler isso.
RESPOSTA: Eu achei que dizer que você nunca estudou ciência seria ofensa mas parece que, infelizmente, é um fato. Sinto muito. Se você tivesse estudado ciência certamente não acharia “fantástico” o fato de que ela é confiável justamente porque está sempre mudando. Acharia FANTÁSTICO (sem nenhuma ironia) justamente esse fato. Mas se você não estudou ciência (o conceito de ciência), não pode entender nem mesmo essa minha resposta. Novamente, lamento e, se me permite, sugiro que você procure se informar melhor.
Quanto ao vídeo cujo link você postou, ele já começa com besteiras, nem dá pra comentar e nem dá pra ter paciência pra ver inteiro. Ele já começa falando merda quando diz que leis físicas desconhecidas são um sinônimo de milagre. A eletricidade, há não tantos anos assim, era algo baseado em leis físicas desconhecidas, e hoje ninguém acha que a eletricidade é milagre. Se, como eu vi lá, tenho que ver vários vídeos e se na primeira frase o cara já diz um absurdo, por que eu tenho que achar que todo o resto não é apenas absurdo também. Desculpe, mas sua indicação é péssima.
Teísta diz: Sou eu que quero impor leis? Eles nem me representam. Mas o engraçado é ler sobre sua revolta contra leis vindas de religiosos, sendo que ateus não poderiam criar leis sem se contradizer. Isso é o que acho realmente “misterioso”.
RESPOSTA: Não, pelo menos até onde eu sei você não está tentando impor leis. Mas disse que eu pareço estar a todo momento pedindo que me provem que deus existe e eu respondi que sim e expliquei o porquê disso. Quanto aos ateus não poderem criar leis sem se contradizer, acho que já falei bastante, mas só para reforçar: ateus não querem criar leis com base no ateísmo, ateus querem um estado LAICO, que é diferente de um estado ateu.
Teísta diz: As tais leis “ateístas” tem o direito de negar o próprio direito relativista ateu?
RESPOSTA: Quem falou em leis “ateístas”? Eu falei em leis LAICAS. E sim, as leis laicas tem o direito de negar o próprio direito relativista do ateu, e também o próprio direito relativista do teista (mesmo com o teista negando que suas leis sejam relativistas). Isso justamente porque é LAICA e não ateia ou teocrática. Por que você insiste em confundir as coisas?
Teísta diz: A fé justifica eu entender isso e você não.
RESPOSTA: Pois é justamente isso que me assusta. A fé é uma desculpa para todo tipo de irracionalidade, inclusive a conivência com o crime e a injustiça. A fé torna as pessoas nada confiáveis, menos ainda do que já são naturalmente.
Teísta diz: Sobre ter um filho ateu, seria muito triste e decepcionante, mas eu o instruiria a ser racional, e certamente cobraria dele se não conseguisse defender o que acredita com um mínimo de coerência. E sobre o sofrimento eterno, se isso acontecesse seria realmente triste.
RESPOSTA: Se você instruir um filho a ser racional, a chance de ele ser ateu aumenta exponencialmente, mesmo você dizendo que exigiria dele aquilo que você não tem. Então, sobre o sofrimento eterno, se isso acontecesse seria realmente triste? É só o que você tem a dizer? Que raio de amor você é capaz de sentir se só consegue isso? Se eu amasse meu filho com desse jeito eu nem sequer teria coragem de dizer que amo meu filho.
Teísta diz: Deus existe -> Se a resposta for positiva -> minha crença é totalmente objetiva;
Deus existe -> Se a resposta for negativa -> minha crença é totalmente subjetiva;
RESPOSTA: Desculpe, o que você colocou não satisfaz de maneira alguma, e não é nenhuma construção lógica o que você fez. Para comprovar isso basta substituir “deus existe” por algo que você também consiga perceber como absurdo, como por exemplo “um elefante cor de rosa com bolinhas azuis invisível”. Você só consegue partir do princípio “deus existe”, não consegue colocar em análise, como algo a ser verificado, o princípio “deus existe”. Para isso você teria que usar a definição de deus, ver se essa definição está de acordo com o que se poderia prever para a hipótese “deus existe”, só então você poderia – depois de comprovar, se isso fosse possível, que “deus existe” é um princípio válido - fazer outras ilações a partir de “deus existe”. Partir de uma premissa falsa, como é o seu caso, torna todo o arcabouço lógico construído a partir dessa premissa igualmente falso. Como o ídolo dos pés de barro, não se sustenta.
Teísta diz: Divina, além de novamente mirar sua arma pro lado errado, faz julgamentos que não condizem com a realidade. Lembro outra vez que aqueles caras daquela bancada não me representam. Aliás, você me viu em algum momento me chamar de “evangélico” ou “católico”?
RESPOSTA: Não. Você se definiu como cristão e como teista. E disse que o teísmo tem condições de contribuir para uma sociedade ideal e o ateísmo não. Eu não falei de você nem de mim, falei do que está acontecendo agora e do que aconteceu ao longo da história, falei da contribuição que o cristianismo já deu e está tentando voltar a dar para uma sociedade “perfeita”.
Teísta diz: As respostas que o teísmo podem trazer exigem sujeição a uma Verdade absoluta, e é isso que os ateus não aceitam.
RESPOSTA: Não aceitamos pelo mesmo motivo que não aceitamos a existência do seu deus: Falta de provas. Vocês falam: “Deus existe!”, mas não provam; vocês falam “Tem que existir uma Verdade absoluta”, “tem que existir um padrão absoluto!” mas não provam. Nós olhamos o mundo à nossa volta e vemos muitos indícios, fortes indícios, de que deus não existe, de que não existe nenhum padrão absoluto e de que não existe nenhuma Verdade absoluta transcendental. Como podemos acreditar em vocês contra todos os indícios? Pela fé? Mas nós não temos fé!
Teísta diz: Se não existe verdade absoluta então é IMPOSSÍVEL que haja qualquer ideia objetiva sobre a realidade, já que qualquer referência comparativa seria relativa. Por favor, fugir disso é tornar essa conversa uma grande perda de tempo, porque eu não vou engolir isso por osmose enquanto for ilógico.
RESPOSTA: Verdade absoluta existe sim, e existem várias! a matemática é constituída delas. O que não existe é uma verdade absoluta transcendental, um “padrão absoluto colocado dentro de nós pela mão de deus”. Isso você teria que provar antes de afirmar. Há correntes filosóficas que afirmam justamente isso: é IMPOSSÍVEL que haja qualquer ideia objetiva sobre a realidade. Eu não sou adepta dessas ideias, mas elas são defendidas por filósofos renomados.
Teísta diz: Divina, não existe “bom” ou “mal” para um ateu. Se dizem que há então estão se contradizendo, isso é tão óbvio.
RESPOSTA: Não, não é nada óbvio. Você afirma o que você acredita e chama isso de lógico, de obviedade, de racional. NÃO É!
Teísta diz: Prove cientificamente que matar, torturar, violentar ou ser injusto é errado.
RESPOSTA: Não posso provar, é claro. Nem você. A única coisa que você pode dizer é que tudo isso é errado porque o seu deus disse que é (mesmo seu deus tendo dito também o contrário), e isso não prova absolutamente nada. Eu, a única coisa que posso fazer é dizer que para mim e para um grande número de pessoas, isso tudo é errado. O relativismo permanece porque em muitas sociedades e em muitas circunstâncias isso tudo já foi, e ainda é, considerado certo.
Teísta diz: Divina, a crença em Deus é evidencial e pressuposicional.. Já mostrei na explicação sobre lógica que ela é coerente logicamente.. E a bíblia é a fonte da doutrina cristã.
RESPOSTA: Evidencial = Em que há evidência. Cadê as evidências?
Pressuposicional = “Ao invés de começar a interpretar o mundo segundo premissas naturalísticas, não-cristãs, para, depois, aceitar o cristianismo num “salto de fé”, o pressuposicionalista já começa aceitando o cristianismo por seu valor inerente, por ser uma revelação suficiente como única base segura de conhecimento.” É o gigante com pés de barro de que falei lá em cima. Aliás, achei um blog que refuta toda essa ideia de pressuposicionismo, se quiser, pode dar uma olhada, eu já adianto que essa teoria não me convence: http://incinerandopresup.blogspot.com.br/
Quanto à bíblia com fonte, acho que já falei até demais. Ou seja, nenhum dos seus argumentos podem ter qualquer valor de verdade. Nada do que você afirma tem como ser aceito a não ser por quem já concorda com você porque, como você, optou por suspender, ou manipular inadequadamente, a lógica.
Teísta diz: A parte do “volúvel” é por sua conta, talvez por alguma experiência religiosa frustrada ou má interpretação bíblica, mas a vontade revelada de Deus está contida na bíblia.
 RESPOSTA: Não. A parte do volúvel é por conta de suas próprias afirmações e da sua própria bíblia. Você disse que deus pode determinar qualquer coisa que queira e não tem que dar nenhuma satisfação à criação, eu li a bíblia; somando essas duas coisas fica mais do que lógico concluir que seu deus é, ou pode ser, volúvel. Quanto à “vontade revelada de Deus está contida na bíblia”, não dá pra debater isso. A não ser, é claro, que você pudesse provar que essa frase é verdadeira.
Teísta diz: E o direito que o teísta tem de ir contra essa prática vem de algo chamado democracia. Enquanto estivermos debaixo desse sistema a “voz” de teístas e ateístas devem ser ouvidas, e essa liberdade de opinião não pode ser cerceada.
RESPOSTA: Sim, o teísta tem direito de ir contra a prática do aborto. Tem todo o direito! O teista tem o direito de não fazer aborto, de ensinar seus filhos que o aborto é um pecado diante de deus, de proibir a prática do aborto entre os membros de sua igreja. Tem todo esse direito, sem dúvida nenhuma. O que o teísta não tem é o direito de impor ao estado laico os preceitos que estão baseados apenas na sua fé. O que o teísta não tem é o direito de impor à uma mulher que não pertence à sua igreja a obrigação de atender ao que ele, teísta, determinou. Se a ciência, se a biologia, tem argumentos mais do que válidos para afirmar que a consciência humana, que a capacidade de sentir dor, não estão presentes em um ovo fecundado, o teísta não tem o direito de impor o contrário disso baseado somente nas determinações da sua fé. E o maior de todos os crimes, na minha opinião: o teísta não tem o direito de, em nome de uma consciência que ele nem sequer pode provar que existe, sacrificar a vida de um ser humano já nascido, que certamente tem consciência e capacidade de sentir dor, ao contrário de um ovo fecundado. Resumindo e sendo bem chã: VOCÊ não tem o direito de decidir o que EU faço com o MEU corpo. E sim, é o meu corpo, mesmo que lá dentro tenha um ovo fecundado.
Teísta diz: A interpretação se resume a saber o que devemos fazer e como.
RESPOSTA: Saber com base em que? Na interpretação? Mas aí não está criado um círculo vicioso? Você acusou minha visão da bíblia de não ser válida porque é “apenas” interpretativa, e eu perguntei se existe alguma visão da bíblia que não seja interpretativa. Parece que a sua resposta é não. Ou seja, a sua visão não é melhor do que a minha em nada.
Teísta diz: Não quis dizer que a interpretação subjetiva é que deve guiar o cristão e sim que a fé na Vontade de Deus revelada é que o direciona.
RESPOSTA: Mas, meu caro, a fé na Vontade de Deus revelada É uma interpretação subjetiva! Ou seja, você disse, e disse com outras palavras a mesma coisa como se não fosse a mesma coisa.
Teísta diz: A frase correta seria: para o cristão o que conta como certo é aquilo que condiz com o que ele crê ser a Vontade de Deus, QUE É REVELADO PELA BÍBLIA.
RESPOSTA: Não mudou NADA. Absolutamente nada! Como “o que é revelado na bíblia” depende de interpretação, “o que ele crê” vai ser o que ele interpretou do jeito que ele interpretou. Tudo o que eu disse continua valendo da mesma forma: com essa frase você matou a pau todo e qualquer argumento que você poderia pensar em chamar de lógico.
Acho mesmo que a gente nem precisa mais continuar esse debate. Como você mesmo disse, estamos nos repetindo. Mas, se você quiser dizer alguma coisa, estou aberta a ler e conversar a respeito.

9 de março de 2012

Conversa

Essa é a continuação de uma conversa que começou em uma página do Facebook. Meu interlocutor é um jovem teísta inteligente e educado com que é possível manter um diálogo sem que esse se torne uma pregação vazia ou uma corrente de ofensas ameaçadoras. Não vou dar o nome dele porque dessa forma sinto que estou colocando aqui a fala representativa não de um teísta, mas de muitos que são inteligentes e com quem se pode conversar. Estou mostrando que esse tipo de teísta existe, ao contrário do que pregam alguns ateus mais radicais.

Teísta diz: pra mima velhice e a lei da gravidade também são parte do propósito de Deus. Tudo que foi criado tem um propósito para isso e por isso mesmo eu não teria porque não me sujeitar a isso. Agora, sua afirmação sobre Deus acaba parecendo mais uma birra do que qualuqer outra coisa, e é estranho pensar que você tem essa resistência a alguém que você diz não existir.

MINHA RESPOSTA: Tem um propósito? E que propósito? Escolher alguns para “sentar à direita” e outros para “queimar por toda a eternidade”? Ficar paradão em algum lugar sem lugar fora do tempo e do espaço curtindo sadicamente o sofrimento de cada vida por ele plantada nesse minúsculo torrão? Juro, eu não consigo entender por que alguém consegue achar esse tipo de aberração natural e, pior ainda, acreditar que é fato e se sujeitar alegremente a isso só porque se julga merecedor de constar na primeira lista. Não tenho birra com deus, não tenho como ter birra com deus porque deus não existe. Aliás, se eu um dia descobrisse que estive enganada e, contra toda a lógica, deus existe, mesmo assim nunca poderei ter birra com deus. Birra é algo suave, é coisa que crianças tem com seus pais. Se deus existisse o que eu teria por ele seria ódio, um ódio mortal, um ódio terrível do tipo que jamais consegui e jamais conseguirei sentir por nenhum ser humano, isso porque, se deus existisse, ele seria responsável por cada morte, por cada tortura, por cada sofrimento, por TUDO, enfim que existe, existiu e existirá de ruim, de pavoroso, de terrível na história da vida na terra. Eu o odiaria pelo pequeno dinossauro herbívoro que foi devorado pelo grande dinossauro carnívoro bilhões de anos antes de eu nascer e o odiaria pelo viajante estelar que cairá com sua nave num buraco negro daqui a dezenas ou centenas de anos, quando eu não existirei mais. Mas estou tranquila, deus não existe e eu posso continuar vivendo e amando em paz. Só o que não posso de maneira alguma é entender que pessoas consigam acreditar na existência desse ser sem se consumir em profundo ódio.

Teísta diz: Eu me apego a Ele porque nEle eu vejo sentido para a vida. Por mais que você diga que é uma ilusão, não pode provar isso, enquanto que em nenhum momento eu estou tentando te provar que Deus existe mas seu próprio discurso de que nada tem propósito mostra que tentar qualquer sentido à vida é uma ilusão, uma auto-sugestão fantasiosa.

MINHA RESPOSTA: Será que você poderia me explicar melhor esse “sentido para a vida” que você vê em deus mas não vê nas pessoas que você ama e na vida que você tem? Eu não entendo isso. Se você quer dizer A VIDA, no sentido amplo, no sentido biológico mesmo, então eu diria, como já disse antes, que a vida ela mesma não precisa ter nenhum sentido, e que o fato de a vida não ter sentido não impede que a SUA vida tenha sentido. Voltar para o nada de onde viemos depois de viver plenamente não me parece algo ruim, não consigo perceber nenhuma catástrofe nisso, pelo contrário, me parece MUITO melhor do que estar nas mãos de um ser sádico e voluntarioso. Você diz que em nenhum momento está tentando me provar que deus existe, pra mim a razão disso é que você não poderia, mas e para você? Como pode colocar o sentido da sua vida em algo cuja existência você não pode provar?

Teísta diz: Eu creio que Deus existe e isso me motiva a viver. E partindo da premissa que Ele existe, minha motivação é totalmente coerente. Mas se não existisse, então no máximo eu estaria na mesma condição que você, inventando alguma motivação para viver.

MINHA RESPOSTA: Não, eu não acho que sua motivação é coerente. Eleger uma fantasia que tortura, que é ilógica, que se existisse seria algo terrível, como motivação não me parece nem de longe com algo que eu chamaria de coerente. E não de novo, se ele não existisse, como de fato não existe, você não estaria na mesma condição que eu, isso porque minhas motivações não são inventadas. Você está fazendo a aposta de Pascal, veja na net quantas refutações lógicas existem para essa aposta.

Teísta diz: Para dizer que eu estou errado você precisa provar que Deus não existe.

MINHA RESPOSTA: Prove então que fadas e ogros não existem. Prove que existe o bem que cria e alimenta o mal. Prove que um assassino torturador é alguém cheio de bondade. Prove que um senhor de escravos é louvável e merece respeito, amor e admiração. Se você puder, então eu posso.

Teísta diz: se tudo veio do acaso, então QUALQUER tentantiva de criação de propósito para sua vida é uma ilusão, e para ser coerente com sua ideologia você teria que concordar..

MINHA RESPOSTA: Não! Não é uma ilusão porque as coisas que são o propósito da minha vida NÃO são ilusão! Eu não criei as pessoas e coisas que são o propósito da minha vida. Prove que as pessoas que amo são ilusão, prove que tudo o que existe à minha volta é ilusão. Se assim fosse, então eu também seria uma ilusão, você também seria uma ilusão. O fato de ter vindo do acaso NÃO torna o que existe ilusão. São(somos) coisas concretas. O que é imaginário sim é ilusão, as fantasias criadas pelo homem sim são ilusões, seu deus, que foi criado pelo homem à sua imagem e semelhança, esse sim é uma ilusão.

Teísta diz: se tudo é relativo, seus sentidos e sua razão são praticamente abstratos. Sua experiência se torna irrelevante em comparação com o todo, e de forma alguma poderíamos usá-la como base para qualquer definição de certo ou errado, bom ou mau. Essa realidade sem referências absolutas seria um caos completo, algo inimaginável em termos de vida em sociedade.

MINHA RESPOSTA: Sim, meus sentidos e minha razão são praticamente abstratos, como são também os seus e os de toda e qualquer pessoa; minha experiência É irrelevante em comparação com o todo e, sim, de forma alguma alguém poderia usá-la como base para qualquer definição de certo ou errado. E isso vale (ou deveria valer) para a experiência de toda e qualquer pessoa, mas, infelizmente, tem sempre alguém que acha que suas experiências e sua opinião tem que ser lei válida para todos. Aliás, eu apostaria que foi assim que nasceram todas as “verdades” exdrúxulas propagadas pelas religiões do mundo. Não são os sentidos de uma pessoa, não é a razão de uma pessoa, não é a experiência de uma pessoa que devem servir como base para a definição de certo ou errado. É a experiência de muitas, no mesmo nível e com os mesmos direitos. Isso sim seria (e em certa medida é) o mais parecido que se pode ter com o que você chama de “referências absolutas”. Porque nisso você está totalmente certo: a impressão, a razão e a experiência de uma só pessoa, ou mesmo de um grupo, pode sem dúvida criar um caos completo, e esse caos não é tão inimaginável assim, a gente pode ver alguns exemplos do que é isso ao longo da história, mais exemplos do que eu gostaria que existisse: Nazismo, Inquisição, colonização espanhola, Klu Klus Klan, Revolução Russa, terrorismo...

Teísta diz: se não fazem é porque não se dão conta ou preferem jogar pra debaixo do tapete, mas uma simples análise aponta que uma ser cuja existência parte do acaso e qualquer sem propósito somente está se iludindo quando inventa motivações para continuar essa existência. É uma auto-sugestão submissa, nada além disso.

MINHA RESPOSTA: Não esqueça, meu caro, que quando dizemos que a existência parte do acaso, não estamos falando apenas da nossa existência, estamos falando da sua também, estamos falando de todo e qualquer ser vivo do planeta. Ou seja, para nós, quem se recusa a aceitar esse fato e está se iludindo quando inventa motivações fora da vida para continuar essa existência é você, são os teístas. Nós não precisamos inventar nada, nos contentamos com o que existe de fato. É sua fé, e é essa dedicação ilógica por esse deus inventado e ireal que vemos como uma auto-sugestão submissa.

Teísta diz: “Divina disse: Não mais contraditório do que a crença em um deus bom que criou o mal.
E qual seria a contradição nisso?? Fiquei curioso agora. Rs”

MINHA RESPOSTA: Qual seria? Deus é definido como bom, o supremo bem, tudo pode, tudo sabe, é perfeito e não erra. Racionalmente não é difícil concluir que qualquer pessoa - ou mente por extenção - só cria aquilo que imaginou antes e que desejou criar. Deus, de acordo com os teistas, criou TUDO a partir do NADA; ou seja, ele precisou PENSAR o mal, ele precisou DESEJAR o mal, e só então, concretizando seu pensamento e desejo, ele CRIOU o mal. Não é possível, não é logicamente possível, que DO NADA, o mal fosse criado por um ser que é todo bondade e perfeição. ISSO seria contradição.

Teísta diz: Conforme a sua concepção é IMPOSSÍVEL que exista certo ou errado.

MINHA RESPOSTA: Desculpe, eu nunca disse isso. Eu disse que não existe o tal padrão absoluto que s teístas vivem afirmando que existe e que deus “colocou” em nós. Se esse padrão absoluto existisse todas as pessoas se comportariam da mesma forma e todos os povos, em todos os momentos da história, teriam sempre os mesmos conceitos do que é certo e do que é errado. Basta ler um pouquinho de história, basta ler um pouquinho sobre as coisas que acontecem no mundo para ver que isso está longe de ser verdade.

Teísta diz: você JAMAIS pode dizer que eu estou errado independentemente do que eu faça.

MINHA RESPOSTA: Não posso por quê? Tenho esse direito sem dúvida nenhuma! E mais, existem leis, essas leis não são determinadas por um ser abstrato e “colocadas” magicamente dentro das pessoas, mas essas leis podem dizer que você está errado e, dependendo do erro, podem te processar, te condenar e te punir. Eu só posso pensar e falar, a lei pode agir. Tudo isso sem a interferência do seu deus e sem que exista qualquer tipo de “padrão absoluto”.

Teísta diz: Sobre seus entes, com todo respeito, conforme sua ideologia eles não são sua motivação e sim o resultado de um processo de evolução sem sentido lógico que por puro acaso resultaram em seres humanos (ao invés de qualquer outra coisa no universo) que fazem parte do contexto da sua existência. Motivação é o auto-sugestionamento que você faz a respeito deles, algo que no ateísmo deve ser óbvio se tratar de uma forma de criar sentido no que não tem sentido.

MINHA RESPOSTA: Sim! Meus entes (Filho, marido, família, amigos) são o resultado de um processo de evolução sem sentido lógico que por puro acaso resultaram em seres humanos (ao invés de qualquer outra coisa no universo) que fazem parte do contexto da minha existência. Mas eles são TAMBÉM minha motivação! E eles existem! Como passaram a existir, como chegaram até aqui, não muda em nada o fato de que existem, de que eu os amo, e de que eles SÃO a razão porque a minha vida vale ser vivida. Não consigo perceber por que isso te parece tão pouco. Para mim é tudo.

Teísta diz: percebeu que sua “defesa” é somente atacar a crença religiosa??

MINHA RESPOSTA: Não. Nesse caso eu não percebi. Qual foi o ataque? Você está, quase que desde que começamos a conversar, afirmando que não tenho motivos pra existir, que tudo o que tem valor e importância para a minha vida não vale nada. Você insiste que TEM que existir o tal “padrão absoluto” para que qualquer pessoa tenha o direito de não cair em total depressão. Mas até agora você não me disse NADA que pudesse significar qualquer coisa sequer semelhante aos meus motivos. Não estou atacando, estou perguntando onde está a objetividade dos seus conceitos. Você tem praticamente exigido objetividade nos meus argumentos e até agora não apresentou nenhuma, aliás, pensando bem, até agora você não apresentou nenhum argumento. Você citou a bíblia, eu estou perguntando: É na bíblia que você encontra seus padrões objetivos? E estou manifestando minha surpresa e meu espanto porque, se assim for, você tem que não ter percebido que a bíblia não pode servir de parâmetro para nenhum tipo de moral. E isso me espanta muito porque você é inteligente, você sabe ler, e alguém assim não me parece possível que não perceba e não compreenda o que está lendo. Não fiz nenhum ataque, pelo que me consta; estou devolvendo suas perguntas. Estou tentando mostrar que você quer exigir dos ateus algo que os teístas não podem dar. Qual é a sua vantagem?

Teísta diz: Parece que vocês só “vivem” de combater o teismo, mas não tem nada plausível para oferecer no lugar dele, aí como fica??

MINHA RESPOSTA: Eu também vejo ateus que “pegam pesado” com os teístas, eu mesma às vezes perco a paciência com algumas coisas que ouço ou leio, de ambos os lados. Isso mostra apenas que as pessoas são como são independente da sua crença ou falta de crença. O problema, e esse na minha visão é gigantesco, é que os teístas sensatos estão se tornando mais e mais raros, ou será que existiriam bancadas religiosas no congresso asustando ministros, senadores, deputados e até a presidente se isso não fosse verdade? Aqueles teístas homofóbicos, preconceituosos, ignorantes, bandidos, incitadores da violência e mais uma porção de adjetivos nada bonitos que me ocorre, tem um apoio popular enorme. Isso só pode significar que os teístas estão ficando mais burros. Felizmente não são todos, mas são muitos. Estão em número suficiente para fazer com que nós, ateus, sintamos sim a necessidade de combatê-los. Se essa massa enorme se limitasse a professar sua fé nas igrejas e respeitasse quem pensa diferente sem tentar impor suas verdades como lei, provavelmente você veria muito menos manifestações ateia, e certamente menos pessoas “pegando pesado” com os teístas. E eu discordo que os ateus não tem nada plausível para oferecer no lugar do teísmo: temos a realidade, o concreto. Temos a ciência, a educação, a vida em sociedade, as leis, o estado laico. Mas os teístas preferem a fantasia confortável de que são “escolhidos” e existe um ser poderoso e superior que “tem um plano” para eles. E acham isso plausível! Questão de opinião, eu acho.

Teísta diz: Se crer em Deus for uma auto-indução aí você precisa me provar e ao mesmo tempo estará negando seu relativismo.

MINHA RESPOSTA: Bem, você pode ler uma porção de livros e concluir isso facilmente. Tem um muito bom chamado A essência do cristianismo, de Ludwig Feuerbach, outro que também dá bons frutos é O mal no pensamento moderno, de Susan Neiman. Esses livros, mais os livros que teísta nenhum tam coragem de ler: Deus um delírio, do Richard Dawkins, Quebrando o encanto, do Daniel Dennett e Deus não é grande, do Christopher Hitchens dão bons argumentos a respeito do quanto crer em deus é uma auto-indução. E, se você pensar e estudar o nascimento das religiões e o desenvolvimento delas, via transformações e adaptações, não será nada difícil conluir a mesma coisa. Ou, se você preferir, estude apenas a religião judaico-cristã, mas estude mesmo. Veja como surgiu, lá na idade do bronze, veja todas as modificações porque passou ao longo dos séculos, veja quantas delas foram feitas por decisão arbitrária de uma pessoa ou um pequeno grupo, e qual foi o motivo que levou essa pessoa ou esse grupo a fazer tal modificação. E pense, pense se é realmente possível que isso seja verdade. E você vai perceber que nem precisa negar o relativismo.

Teísta diz: Mas o que vocês podem oferecer em troca?? E por que os cristãos tão errados se não há certo ou errado?? O máximo que vocês poderia requerer seria a anarquia, fora isso seriam incoerentes.

MINHA RESPOSTA: O estado laico, a democracia, a obediência à Constituição! A decência de determinar legalmente que uma religião não tem supremacia sobre as outras religiões e sobre a não religião. A ética de determinar que as leis da sociedade, que prevem direitos e obrigações iguais para todos valem realmente para todos. A honestidade de não tentar transformar os preconceitos de um grupo em verdades e de não violar a lei discriminando pessoas que a lei deveria proteger. Há certo e o errado sim! E é errado, muito errado, roubar os direitos civis de um grupo com argumentos baseados no puro preconceito. E, me desculpe, mas não há nada de incoerente nisso.

Teísta diz: em termos de lógica os religiosos vivem objetivamente porque crêem que haja um sentido para tudo, e se estiverem certos tudo se encaixa perfeitamente. Por outro lado os ateus precisam criar motivações subjetivas para dar algum sentido á sua existência, e estando certos ou errados nunca encontrariam um sentido objetivo para viverem. Isso sim é que é incoerente.

MINHA RESPOSTA: Os religiosos vivem objetivamente? Então se eu começar a acreditar em fadas e a dizer que elas tem um paraíso que acessam com suas varinhas de condão e que um milionésimo de segundo antes de eu morrer, se eu realmente acreditar nelas, uma delas vai me rejuvenescer e me mandar para esse paraíso onde viverei a eternidade, parte desse tempo treinando e outra parte sendo também uma fada, estarei vivendo objetivamente? Nesse caso você há de convir que terei um objetvo tão bom quanto o dos teístas, certo? Ao contrário das pessoas que amo e das coisas que me dão prazer, que embora concretas e reais são, de acordo com você, subjetivas, as fadas e a crença nelas seria algo objetivo e válido. Você percebeu mesmo o que acabou de dizer?

Teísta diz: Quando se usa a ciência como fonte “irrefutável” para a argumentação então a estão colocando como absoluta, mas depois acabam tendo que desconsiderar isso quando ela refaz suas próprias teorias. Enquanto usarem a Ciência como se fosse irrefutável esse discurso teísta sempre vai estar presente..

MINHA RESPOSTA: Desculpe, mas ou você nunca estudou ciência (o que não tem como ser verdade) ou você nunca conversou sobre ciência com um ateu nem leu nada que tenha sido escrito por um cientista ateu. A ciência só é fonte irrefutável no jargão dos teístas. A vantagem da ciência sobre a religião é justamente o fato de a ciência ser totalmente aberta à refutação, o que, convenhamos, não acontece com a religião. Já disse alguém que enquanto por todos os meios possiveis, alguns nada honestos, a religião procura calar todo e qualquer tipo de argumento contrário, a ciência está sempre “implorando” para que alguém a contradiga. A ciência refaz suas teorias o tempo todo, isso é fato, e é disso que a ciência vive: refaz, desfaz, recomeça de novo e de novo, mas sempre, sempre mesmo, procurando se apoiar em fatos, e não na fantasia de um ou outro “escolhido”. Se acontece, como já aconteceu certamente, de algum centista usar seu nome e fama como respaldo para lançar teorias inválidas, logo alguém vai demonstrar a falsidade dessa teoria e, ao contrário do que acontece com aquele que ousa contrariar a religião, esse “refutador” será aplaudido pelos demais cientistas. A ciência é, de longe, mais honesta. Por conta disso, muitas pessoas, e não só ateus, tem bastante confiança na ciência: Ela funciona! Ter confiança está longe, muito longe, de ser equivalente a ter fé.

Teísta diz: Você poderia dizer que a Ciência tem as soluções perfeitas para cada situação ou precisa deduzir algumas coisas??

MINHA RESPOSTA: Minha observação contra o que você afirmou está centralizada não na palavra “dedução” mas na palavra “meras”; essa palavra me soou como uma tentativa gratuíta de ofensa, uma manifestação de desprezo por algo que nós, atualmente, não temos como desprezar. Como eu disse “a ciência faz sim deduções, essa é a base”, mas chamar de “meras deduções” como você fez, me pareceu de uma petulância inadequada à pessoa inteligente que você é. Não vou te responder como a ciência comprova que o universo tem bilhões de anos, como eu já disse antes, não sei muito de ciência e acho que você consegue, caso realmente queira saber, encontrar essa resposta no Google de forma bem melhor argumentada do que eu seria capaz de fazer, e olha que de repente você pode encontrar essa resposta até mesmo dada por um cientista teista. Sobre Einstein acho que já se tem informações suficientes para saber com bastante segurança que o que ele chamava “deus” tem muito pouca relação com o que os teistas comumente chamam deus. De qualquer forma não era, mesmo naquela época, muito bom para a vida privada e profissional se declarar ateu. Veja o que aconteceu com Bertland Russell, contemporâneo de Einstein, que teve essa coragem e sofreu sérias consequências por conta disso. Como eu disse lá e cima, a religião, ao contrário da ciência, não costuma ser muito condescendente com os que ousam contrariá-la.

Teísta diz: PARA MIM se eu cresse vim do nada e sem motivo algum eu não teria qualquer motivação pra continuar, porque eu saberia que estaria somente me iludindo.

MINHA RESPOSTA: E o que te prova que eu não estou certa e que você não está apenas se iludindo? Continuo achando muito triste isso, uma vida em que não se pode encontrar nada de válido que não seja uma ilusão, e pior, uma ilusão ruim (a ilusão de ser um eterno escravo submisso), me parece profundamente triste.

Teísta diz: o que eu percebo é que parece que você acha que alguém precisa te convencer que Deus existe.

MINHA RESPOSTA: Acho mesmo. Se querem impor leis com base nesse deus e me obrigar a aceitar essas leis, então tem sim que me convencer de que esse deus existe. Essa seria a única maneira honesta de justificar a interferência religiosa no Estado laico, qualquer outra é nojentamente desonesta, e no entanto é exatamente com essa desonestidade que as representações religiosas, apoiadas por uma grande parcela da população, vem fazendo. Não é justo, não é honesto, não é decente impor leis baseadas em um ser cuja existência você não pode provar. E é sim isso que estou dizendo o tempo todo: “me convençam, só assim terão o direito de me obrigar”. Mas isso vocês não podem, e não podem porque deus não existe, por isso seus representantes, como bandidos mal intencionados, agem desonestamente, usando de chantagem, aplicando o dinheiro que literalmente roubaram de pessoas inocentes e sugestionáves para roubar dessas mesmas pessoas o direito de decidir elas mesmas o que é bom e o que não é.

Teísta diz: Seria bom te ver explicando como o ateismo poderia gerar leis melhores e baseadas em quê, mas parece que ateus só sabem reclamar de Deus.

MINHA RESPOSTA: Eu não preciso te provar, pegue a Declaração dos Direitos Humanos, pegue a Constituição de qualquer país laico, pegue a Declaração dos Direitos dos Animais, pegue o Estatuto dos Jovens e Adolescentes. Nenhum desses documentos é teísta e qualquer um deles pode dar uma lição de como leis e preceitos laicos (que é o que eu defendo) podem ser superiores aos preceitos bíblicos. Essas são as leis que o ateísmo pode gerar, mesmo que nem todos os que as elaboraram tenham sido ateus, porque são  tipo de leis que o ateismo defende. Não queremos um estado ateu, queremos um estado LAICO. E não reclamamos de deus, Fernando, reclamamos do que as pessoas fazem e dizem em nome dele. É bem diferente.

Teísta diz: Divina disse: Traduzindo: Ele decidiu que algumas de suas criaturas seriam dotadas dessa “falta de fé” para que depois, por causa dessa “falta de fé” que ele colocou nas criaturas, essas criaturas fossem torturadas eternamente. Como é que alguém pode acreditar numa aberração dessas? É por aí mesmo.. As tais criaturas sem fé são voluntariamente rebeldes contra Ele, por isso mesmo são justamente condenadas.

MINHA RESPOSTA: Então uma pessoa inteligente como você não consegue mesmo perceber o quanto de aberração tem nesse tipo de afirmação? Fica difícil até mesmo de acreditar que VOCÊ tenha algum tipo de moral válida. Desculpe dizer isso, mas o seu pensamento é muito parecido, mas está em escala tremendamente maior, com o dos não nazistas que colaboraram ativamente e voluntariamente na execução dos planos de “limpeza étnica” de Adolp Hitler, os chamados “colaboracionistas” ajudavam a executar os planos, concordavam com a “necessidade” dessa execução e ficavam felizes por não estarem na lista dos não desejáveis. Imagino se um dia você tiver um filho ateu, vai, depois da vida, ficar no paraíso gozando o sofrimento eterno dele? Desculpe de novo, mas isso me dá nojo.

Teísta diz: Divina, a minha crença me dá motivos lógicos para crer num propósito objetivo para tudo, e isso não é incoerente.. A sua inegavelmente te limita a inventar razões para sua existência.. Isso é incoerente, meio tolo até.

MINHA RESPOSTA: Quais motivos lógicos? Quais propósitos objetivos? Qual coerência? Você não consegue mesmo perceber que deus é uma invenção humana? Você não consegue aplicar a mesma capacidade intelectual que aplica em outros campos para analisar e estudar sua própria crença? Como você consegue anular dessa forma a própria inteligência?

Teísta diz: Outra vez, teve a chance de mostrar alguma vantagem do ateismo (essa ideologia tão intelectualmente superior) e preferiu atacar o teismo. Por favor, gostaria de saber como o ateismo poderia gerar um mundo melhor. Tente derrubar minha tese que ateus são somente anarquistas, mas que no fundo não podem oferecer diretrizes de comportamento e moral sem se contradizerem.

MINHA RESPOSTA: Eu perguntei “que contribuição os cristãos tem? A volta da Santa Inquisição pela qual as bancadas evangélicas e católicas estão batalhando em Brasília? Isso é dar sentido a que vida?” e você outra vez fugiu da pergunta. Estou atacando o teismo justamente por isso: o teísmo NÃO tem respostas melhores do que as minhas e quer impor as respostas que acha que tem a todos, independente de concordarem com ele ou não. Desde que começamos a conversar você está exigindo de mim algo que você não pode dar. Dependendo de como se olha, Fernando, a vida é subjetiva. Não posso mostrar nada além as pessoas que amo, as coisas que faço e sinto para justificar o fato de que estou viva e prefiro estar. Não existe NADA além disso, que para mim é tudo e para você não vale nada embora você também, provavelmente, os tenha. Fico sentindo que você não é capaz de amar de verdade as pessoas porque quando as coloca assim como sendo nada, como segundos em importância diante da hipotética existência de um Senhor de Escravos sobrenaural, você passa a dar ao amor uma dimensão muito pequena, eu sou capaz de amar melhor, e isso não é pretenção ou convencimento da minha parte; é a constatação de um fato. Se existisse um deus bom, será que ele não desprezaria esse egoísmo exarcebado?

Teísta diz: Divina, mas vocês dependem de pessoas que possam ter idéias objetivas. Ateus não podem colaborar com a sociedade nesse ponto porque estariam negando sua ideologia. Se quiserem definir leis teriam que usar algo como base para definir se tal lei está certa ou errada, e aí como faz?? Teriam que definir regras com bases subjetivas?? Será que não é óbvio que sem um padrão de conduta como referência não é possível viver em sociedade?? E de onde teria surgido esse padrão?? Duvido que tenha vindo da mente de pessoas que negam que deva haver padrões absolutos, seria contraditório demais.

MINHA RESPOSTA: E desde quando o teísmo pode ter ideias objetivas? Pessoas, teistas e não teistas, juntas, com base nas necessidades da sociedade e não em um deus hipotético (e patético) podem sim, juntas, ter ideias objetivas, é por isso que estados laicos existem, constituições laicas existem. Você fica “batendo na mesma tecla” porque está considerando como objetivo o que só é objetivo para você, e, em oposição a isso, insiste que tudo o mais, até as próprias pessoas, são subjetivos. Acho que você precisa rever os seus conceitos de objetividade e subjetividade; eles simplesmente não estão batendo com o significado denotativo das palavras. E sim, os padrões para estabelecer o funcionamento de um estado laico podem vir da mente de pessoas que negam que deva haver padrões absolutos. E isso não é contraditório. Contraditório seria um grupo afirmar, sem provas, que existe um padrão absoluto e que (coincidentemente) é exatamente o padrão desse grupo.

Teísta diz: Interessante, para julgar os atos de Deus você precisa usar a concepção de bom ou mau DOS CRISTÃOS. Aì faz algum sentido, porque se fossem seus como atéia cairia naquele problemão que venho frisando do relativismo. Se você usa o padrão cristão para julgar, então deveria da mesma forma considerar que eles não julgam Deus. Por que só usar o que interessa??
MINHA RESPOSTA: Não é possível. Decididamente não é possível que você não veja que usei os padrões de bom e mal da maioria das pessoas e não “dos cristãos” como você diz. Será possível que só os cristãos são capazes de perceber que matar, torturar, violentar, ser injusto é errado? Você acha mesmo que esses padrões são cristãos? De onde tirou essa ideia? Você conhece alguma outra religião além da cristã? Dá a impressão que não. Eu usei como argumento o fato de que ATÉ os cristãos concordam que essas coisas são erradas, não usei padrões cristãos. Seu argumento está totalmente sem fundamento e totalmente fora de propósito.

Teísta diz: segundo a fonte absoluta que o cristão considera, como verdadeira, a Vontade de Deus é “boa”. Ou seja, QUALQUER COISA que Deus faça é boa. Resumindo, bom é tudo aquilo que é feito em concordância com a Vontade de Deus. O parâmetro de julgamento não é qualquer sentimento subjetivo humanista, e sim a própria Vontade DEle. Sendo assim Ele nunca faria algo que não seja bom, pois Sua Vontade é a própria referência do que é bom. E o mais legal é que o ateu não pode negar isso sem se contradizer.

MINHA RESPOSTA: É mesmo? E quem diz qual é a vontade de deus? Se vocês não podem sequer provar que deus existe, como podem dizer que algo é a vontade de deus? E você diz que “O parâmetro de julgamento não é qualquer sentimento subjetivo”. Novamente você está confundindo o significado das palavras subjetivo e objetivo. A crença em deus é um sentimento subjetivo! E com base nesse padrão subjetivo você é capaz até mesmo de violentar sua própria moral aceitando como bom o que é mal porque “é a vontade de deus”. Depois vocês ficam ofendidos quando duvidamos da inteligência dos cristãos. (Desculpe essa última frase, nunca duvidei da sua inteligência, duvido da inteligência dessa sua afirmação)

Teísta diz: se Deus é absoluto e o Criador de todas as coisas, como poderia ser limitado por algo que Ele mesmo inventou?? Como poderia haver uma Lei que enquadrasse o Ser que é Soberano sobre todo o universo?? Isso é contraditório. Ele é o ÙNICO que é totalmente livre e independente em todo o universo.

MINHA RESPOSTA: Então por que ele determina leis? Você vem falando que isso e aquilo é contraditório, o que poderia ser mais contraditório do que um deus determinar leis se essas leis não valem para nada uma vez que não existe certo ou errado já que ele, deus, pode dizer exatamente o oposto logo em seguida? Onde está a coerência? E novamente pergunto: com base em que você pode saber qual é a “vontade de deus”? Se ele pode ser assim tão volúvel então qualquer coisa pode simplesmente deixar de ser certo e passar a ser errado agora, como você saberia isso “objetivamente”? Seu “padrão absoluto” está me parecendo frágil demais.

Teísta diz: E acho curioso alguém ser contrário à pena de morte e ser a favor do aborto. Espero que não seja seu caso.

MINHA RESPOSTA: Não sou a favor do aborto, sou a favor da descriminalização do aborto. Apesar de os teístas, pelo que eu andei vendo, não perceberem a diferença, ela existe. Eu não fiz e provavelmente não faria aborto, mas tenho plena certeza de que a lei não tem que tirar da mulher o direito de decidir isso. E quanto a essa grita escandalosamente absurda dos grupos religiosos, há uma tremenda contradição: eles (teistas) afirmam que nós, todos nós, podemos decidr pecar ou não à nossa vontade; por que então querem impedir que a mulher peque, caso ela assim o deseje? De acordo com o que os teístas afirmam, para ser coerente com o que eles dizem, deveriam então instituir uma lei, com punições severas, para quem não “honrar pai e mãe”, seja lá o que isso signifique na visão deles, para quem “levantar falso testemunho” (aí teria seu lado bom porque enquadrariam toda a bancada evangélica e católica numa tacada só) e por aí a fora. Por que implicar apenas com as mulheres?

Teísta diz: mais uma vez sua ideologia não traz respostas convincentes e você precisa novamente investir em atacar o teismo.

MINHA RESPOSTA: Por que toda vez que faço perguntas, ou que devolvo a você as perguntas que você me fez, você diz que estou atacando o teismo? Será que os teistas se julgam assim tão superiores que não podem ser questionados, é isso? Você pode me acusar de incoerente, mas quando aponto as incoerências da sua fé você diz que estou apenas ofendendo. Como se pode dialogar dessa forma?

Teísta diz: suas afirmações sobre o caráter de Deus na bíblia são interpretativas

MINHA RESPOSTA: E existe alguma visão da bíblia que não seja interpretativa? Qual? Não é interpretativo o ato de ler que deus matou e mandou matar e concluir que deus é bom? Não é interpretativo ler que deus brincou de gato-e-rato com Jó e concluir que isso é uma lição de moral a ser seguida?

Teísta diz: para o cristão o que conta como certo é aquilo que condiz com o que ele crê ser a Vontade de Deus.

MINHA RESPOSTA: “com o que ele crê ser a Vontade de Deus”? então, meu caro, você acabou de confirmar que seu “padrão absoluto” é ainda mais frágil, muitíssimo mais frágil, do que tem acusado os meus padrões não absolutos de serem. E explicou porque tantas vezes a religião se deixou dirigir por loucos e se tornou responsável por chacinas e extermínios numerosos. Que absurdo dizer que tudo vai depender do que “ele crê ser a Vontade de Deus”! Como você pode dizer que tem argumentos lógicos se tudo o que você afirma depende do que “ele crê ser a Vontade de Deus”? Depois querem, com base no “ele crê” impor verdades a toda a sociedade e dizer que tem um “padrão absoluto”! Você quer mesmo que toda a sociedade se sujeite e se justifique num absurdo tão escandaloso? Como alguém consegue levar isso a sério? Desculpe, mas acho que com essa frase você matou a pau todo e qualquer argumento que você poderia pensar em chamar de lógico.