25 de janeiro de 2012

OUTRO LUGAR

Capítulo Um

Estava em algum lugar, tem certeza! Estava fazendo alguma coisa importante, tem certeza disso também! Tenta lembrar e não consegue; tenta "cavar" o mais fundo possível na memória mas não chega lá. Onde estava? O que estava fazendo um segundo antes de esquecer? Abre os olhos mas não se move, não se assusta, não sai correndo à procura de uma porta para esmurrar. Fica olhando a superfície lisa e clara, não se preocupa, não se surpreende, apenas reconhece. Já esteve nesse lugar. É um sonho que já teve várias vezes, está em uma “sala” que é como o lado interno de uma bola colorida opaca, no sonho era o interior de uma nave alienígena e acordava antes de conhecer seus captores ou anfitriões. Por causa do sonho, chegou a inventar uma continuidade e escrever um conto, não gostou muito do resultado, o "clima" do sonho era mais instigante do que suas palavras conseguiam expressar. Na verdade, embora gostasse de escrever e de inventar histórias desde criança, foi obrigada a reconhecer, pelo menos para si mesma, que nunca foi muito boa.

Ficou mais um tempo parada, não parecia ter razão para se mexer, não queria acordar, talvez dessa vez conseguiria ver algum alienígena. Seria divertido saber como sua imaginação "vestiria" as formas do alien. Lembra do Mundo de Beakman, ele disse que os sonhos são feitos a partir de uma mistura livre das coisas que vemos durante aquele dia, talvez com um pouco do que vimos em dias anteriores. Nunca, nunca mesmo, sonhamos com algo que nos seja completamente desconhecido; lembra que viu a foto de um cachorro feio e peludo no Facebook, viu também uma drosophila na pia da cozinha, e falou da altiva beleza dos gatos com uma amiga da escola. Será que o alien vai ser um moscão peludo com orelhas de gato e focinho feio de cachorro?

20 de janeiro de 2012

EU ME RECUSO


Eu me recuso a aceitar que estupro possa ser justificável.

Eu me recuso a aceitar que os animais existem apenas para uso dos seres humanos.

Eu me recuso a aceitar que sofrimento, estupro, tortura e morte de crianças possam ser justificados por qualquer tipo de justiça, por mais “divina” que seja.

Eu me recuso a aceitar que uma pessoa espancando outra pessoa possa ser uma definição de esporte.

11 de janeiro de 2012

INFÂNCIA DE ANTIGAMENTE


Eu não concordo com a ideia que essa foto passa. Fui criança naqueles tempos antigos. Na maior parte da minha infância eu não tomava água de torneira porque não tinha água encanada na maioria das casas, inclusive na minha. Tinha um poço no quintal e minha mãe tirava água com um balde preso por uma corda.

É verdade que na escola colocavam apelidos... e doia muito! Não era divertido pra ninguém ser chamado de burro, de cabeção, de banana pintada, de preto fedorento ou de "filho de desquitada".