25 de junho de 2012

Voltei a ser hipócrita!


Um dia, há 3 anos, no dia 23 de janeiro de 2009, comuniquei a meu neguinho a decisão de não comer carne. A comunicação teve data fixa, a decisão não, como expliquei no texto que escrevi a respeito aqui mesmo, nessa data. Foi uma decisão pensada, raciocinada e racionalizada, ou, como bem poderia dizer, foi como que ruminada durante semanas. Mas se tem algo a ser dito com respeito às decisões e às razões que nos levam a tomá-las, esse algo é que elas não são causas pétreas. Mesmo as mais ruminadas das decisões que tomamos podem, e talvez devam, continuar a ser ruminadas depois de já estarmos agindo de acordo com elas. Foi o que me aconteceu.

A pratica da dieta vegetariana muito me alterou os hábitos; pouco, ou nada, se alterou o hábito de matança e tortura dos produtores de carnes e pescados. Posso estar tremendamente enganada, mas tenho uma forte tendência a acreditar que nenhum animal deixou de ser abatido por conta da minha “nobre” decisão de não mais consumi-los. No entanto minha disposição e minha saúde se foram aos poucos alterando consideravelmente. Talvez possam dizer que foi psicológico, que eu desejei dessa forma e meu corpo apenas obedeceu. Talvez. De qualquer forma, psicológico ou não, não foram alterações voluntárias e, embora não sejam profundas a ponto de me levarem à cama de doente e nem mesmo a ponto de me levarem a um consultório médico, ao menos para mim são sensíveis o suficiente para me levar a sentir que esse dia pode chegar.

 Não vou desfilar uma lista de dores e achaques de velha nessa postagem. Basta-me dizer que sou uma preguiçosa incorrigível. E quando digo “preguiçosa incorrigível” não estou fazendo pose, repetindo frase de efeito ou exagerando: sou uma preguiçosa incorrigível mesmo! Tenho preguiça de segurar uma vassoura, de plugar um ferro na tomada, de abrir a torneira da pia, de lavar uma folha de alface. E acima de qualquer atividade que odeio e que tenho preguiça de fazer, eu odeio todo tipo de trabalho doméstico, incluindo cozinhar. Um pouco por isso e um pouco pela gula, substituí a carne por tudo o que nenhum nutricionista recomenda que se coma sem controle, e o desastre estava feito!

Odeio o que fazem com os animais, odeio que exista a cadeia alimentar e que eu tenha que fazer parte dela; odeio o fato - para mim incontestável - de que a vida não é maravilhosa e a natureza não é linda e perfeita. Mas a vida está em mim e sou parte da natureza. Se não posso vencer-me (e acredite, eu não posso!), preciso aceitar o fato e me resignar a lutar de outra forma.

Voltei a ser hipócrita, mas estou tentando ser uma hipócrita consciente. Na medida do possível – e até pelo que aprendi dos meus anos como vegetariana, porque tudo na vida é aprendizado – usarei produtos menos agressivos, mais vegetais e mais orgânicos. Mais do que isso, vegetarianos e vegans do mundo, me perdoem mas não posso fazer.