17 de outubro de 2012

O TEMPO EM EXPANSÃO

Em uma época que não pode ser determinada porque está muito além de qualquer linha do tempo que tenha sido traçada, a expansão do universo chegou a um ponto que, caso ainda existisse um planeta habitado por seres inteligentes, a partir desse planeta e com os instrumentos mais precisos que a mais inteligente das formas de vida pudesse conceber, não seria possível detectar a existência de uma infinidade de galáxia e, por conta disso, a galáxia em que se encontraria esse planeta seria vista e “conhecida” como sendo todo o universo e se nesse planeta houvesse livros escolares para educar os filhos desses seres inteligentes, o universo seria descrito nos livros escolares como “Um aglomerado imenso de estrelas e planetas formando muitos bilhões de sistemas solares maiores e menores, com planetas e sois de diversos tamanhos e diferentes cores que giram à volta uns dos outros”. Esse seria o universo para cada ser inteligente que habitasse qualquer um dos planetas de uma determinada galáxia, e de toda e qualquer galáxia. Não existiria em nenhum planeta habitado por seres inteligentes que usassem palavras para se comunicar uma palavra ou uma ideia a que se possa associar o que pudesse ter sido chamado de galáxia porque o nome desse aglomerado de estrelas e planetas seria Universo.

Em uma época que não pode ser determinada porque está muito além de qualquer linha do tempo que tenha sido traçada, a expansão do universo chegou a um ponto que, caso ainda existisse um planeta habitado por seres inteligentes, a partir desse planeta e com os instrumentos mais precisos que a mais inteligente das formas de vida pudesse conceber, não seria possível detectar a existência de uma infinidade de sistemas solares e, por conta disso, o sistema em que se encontraria esse planeta seria visto e “conhecido” como sendo todo o universo e, se nesse planeta houvesse livros escolares para educar os filhos desses seres inteligentes, o universo seria descrito nos livros escolares como “Um sol orbitado por sete planetas (ou outro número finito qualquer, geralmente menor do que dez) de diversos tamanhos e cores, além de um aglomerado imenso de partículas maiores e menores que giram à volta do sol ou dos planetas”. Esse seria o universo para cada ser inteligente que habitasse qualquer um dos planetas de um determinado sistema, e de todo e qualquer sistema. Não existiria em nenhum planeta habitado por seres inteligentes que usassem palavras para se comunicar uma palavra ou uma ideia a que se possa associar o que pudesse ter sido chamado de sistema solar porque o nome desse sol com seus planetas e suas pedras seria Universo.

 Em uma época que não pode ser determinada porque está muito além de qualquer linha do tempo que tenha sido traçada, a expansão do universo chegou a um ponto que, caso um planeta tão distante de qualquer sol pudesse ser habitado por seres inteligentes, a partir desse planeta e com os instrumentos mais precisos que a mais inteligente das formas de vida pudesse conceber, não seria possível detectar a existência de um sistema solar e, por conta disso, o universo seria o planeta e o vazio que o cerca. Para cada ser inteligente que habitasse esse planeta, o universo seria esse planeta e o nada que o cerca. Não existiria, caso esse planeta fosse habitado por seres inteligentes que usassem palavras para se comunicar, uma palavra ou uma ideia a que se possa associar o que pudesse ter sido chamado de universo porque o nome desse planeta seria Rocha, Casa ou Terra, e além dele nada mais existiria.

 Depois de uma infinidade de épocas que não podem ser determinadas porque estão todas muito além de qualquer linha do tempo que tenha sido traçada, a expansão do universo chegou a um ponto em que não existe mais nenhum planeta que pudesse (ou não) ser habitado por seres inteligentes. Em uma dessas épocas que não podem ser determinadas porque vão muito além de qualquer linha do tempo que tenha sido traçada, o universo é uma molécula de água tão distante de qualquer outra molécula de qualquer outra substância que não se poderia detectar a existência de nenhuma outra molécula, mesmo se fosse possível usar os instrumentos mais precisos que a mais inteligente das formas de vida pudesse conceber. Em outra dessas épocas que não podem ser determinadas porque estão muito além de qualquer linha do tempo que tenha sido traçada, o universo é um átomo de oxigênio tão distante de qualquer outro átomo de qualquer outra substância que, se fosse possível usar os instrumentos mais precisos que a mais inteligente das formas de vida pudesse conceber, não se poderia detectar a existência de nenhum outro átomo.

 E as épocas impossíveis de serem determinadas porque estão muito além de qualquer linha do tempo que tenha sido traçada continuaram passando. O núcleo desse átomo deixou de ser núcleo de um átomo porque ficou sozinho sem que fosse possível detectar a presença de elétrons, mesmo se houvesse qualquer possibilidade de medir as distâncias com os instrumentos mais precisos que a mais inteligente das formas de vida pudesse conceber. Depois (muito, muito, muito depois mesmo!) as partículas que compunham o que tinha sido esse núcleo também deixaram de formar um todo porque ficaram sozinhas. Mais muitas e muitas épocas impossíveis de serem determinadas porque estão muito além de qualquer linha do tempo que tenha sido traçada continuaram passando e uma partícula ainda menor do que todas as partículas menores que poderiam ser detectadas pelos instrumentos mais precisos que a mais inteligente das formas de vida pudesse conceber em alguma época impossível de ser determinada porque estava muito além de qualquer linha do tempo que tenha sido traçada e que fez parte de uma partícula que formava o núcleo do que era um átomo de oxigênio ficou sozinha.

 Então, depois de passar um último tempo de uma última época que não pode ser determinada porque está muito além de qualquer linha do tempo que jamais tenha sido traçada, isolada por um espaço impossível de ser medido porque está muito além de qualquer espaço que alguma vez pôde ser medido ou calculado com a ajuda dos mais avançados instrumentos que pudessem ter existido, restou apenas a menor das partículas, aquela que nunca foi conhecida porque nunca houve instrumento ou cálculo capaz de detectar o micro nesse nível de subdimensão. Essa partícula que nunca foi vista, calculada ou vestigiada por nenhuma ciência é o nada e como NADA seria descrita, definida e registrada por qualquer mente inteligente de qualquer ser inteligente que alguma vez habitou algo que não existe há um tempo impossível de ser mensurado. E esta partícula que é o nada está sozinha, por conta da inimaginável distância que a separaria de qualquer outra partícula que poderia ter estado em seu campo de detecção, mesmo que esse campo de detecção pudesse ser muitas e muitas vezes maior do que o campo detectável pelo mais avançado instrumento jamais criado pela mais inteligente das formas de vida que pudesse ter habitado algo que não existe há um tempo impossível de ser mensurado. Esta partícula está só.

 Em uma época que não pode ser determinada porque está muito além de qualquer linha do tempo que tenha sido traçada, as distâncias se tornaram tão grandes que ultrapassaram a noção de distância e de espaço, as épocas que não podem ser determinada porque estão muito além de qualquer linha do tempo que tenha sido traçada se tornaram tão longas que ultrapassaram a noção de época, era ou tempo. E foi então que a partícula solitária e tão minúscula a ponto de se tornar nada explodiu! Tanta energia liberada formou o tempo e o espaço, e o espaço formado foi tomado por gigantescas nuvens de energia e matéria, densa poeira de elementos que formaram moléculas, substâncias e aglomerados de substâncias. E começou uma dança de energia, explosões fenomenais e formação de corpos instáveis que formaram um universo onde se foram criando galáxias, estrelas e planetas. Depois de passado um tempo quase que além de qualquer linha do tempo que possa um dia ser traçada, alguns planetas ficaram posicionados de tal forma em relação à estrela que orbitaram e aos outros planetas que faziam parte do mesmo sistema que, depois de receber elementos formados pelas explosões de outras estrelas e pelos choques entre outros planetas, conseguiram formar uma atmosfera e manter uma temperatura tal que foi possível a geração de substâncias orgânicas. Dos poucos planetas que puderam permitir o desenvolvimento de substâncias orgânicas em uma determinada fase de sua existência, apenas alguns puderam se manter nessa condição favorável por tempo suficiente para que em sua superfície surgisse e se desenvolvesse vida. Dos poucos planetas que puderam permitir o desenvolvimento da vida, apenas em alguns esta vida pôde se manter por tempo suficiente para desenvolver seres com inteligência capaz de medir grandes distâncias, descobrir que o universo está em expansão e detectar substâncias minúsculas que formam a matéria.