22 de novembro de 2015

Feliz Natal!




Como digo sempre: Não acredito em nenhum deus e não sou adepta de nenhuma religião mas ADORO feriados e dias festivos! 

Acho que são boas todas as datas, desculpas, motivos, razões, para que pessoas se amem, fiquem felizes, se sintam bem, troquem presentes e sorrisos, demonstrem amor.


Por isso comemoro sim o Natal!


Só queria mais, muito mais!


Por que só as datas cristãs? Eu queria todas as festas bonitas de todas as religiões no meu calendário!

27 de outubro de 2015

A DITADURA MILITAR TEVE UM "LADO BOM"?


- Todos cantávamos o Hino Nacional todos os dias.  

Nem todos cantávamos o hino nacional todo dia, e a maioria dos que cantavam – eu inclusive – não sabiam quanto sofrimento e quanta morte estavam acontecendo naquele exato momento nos porões da ditadura. Aliás, não sabíamos da existência dos porões da ditadura.  

E, me desculpe, mas acho que cantar o Hino Nacional não é e nunca foi prova de que vivemos em uma nação civilizada e digna. Nos tempos de Hitler os alemães cantavam o Hino Nacional. Nos tempos de Franco os espanhóis também o faziam... e acho que posso dizer sem errar muito que o Hino Nacional de cada país nunca foi tão cantado quanto nos piores tempos das piores ditaduras.  

- Respeitávamos nossos professores, os policiais, nossos pais e as autoridades em geral  

Respeitávamos os professores porque tínhamos recebido uma boa educação EM CASA e não por causa dos militares. Respeitávamos os policiais porque não sabíamos o que eles estavam fazendo. Respeitávamos nossos pais porque se não o fizéssemos seríamos espancados por eles, ou porque eles nos educavam melhor, e, novamente, isso não tem NADA a ver com os militares!  

Respeitávamos autoridades em geral porque em geral as temíamos e, na minha humilde visão, respeito e temor não é a mesma coisa. E como temíamos as autoridades ou porque nossos pais nos dariam um tapefe de tirar o fôlego caso não o fizéssemos, respeitávamos. E, novamente, isso não tem a ver com os militares.  

Respeitávamos ainda, provavelmente, porque nos ensinavam que algumas daquelas autoridades poderiam nos prender, e se isso tem alguma coisa a ver com militares devia ser por que o medo da prisão, e o conhecimento instintivo desse medo, tinha ultrapassado a censura e, mesmo não sabendo exatamente porque, sabíamos que não era preciso muita coisa para sofrer penas indizíveis.  

Imagino que algo semelhante deve ter acontecido com as pessoas nos tempos da Inquisição.  

- Os militares erraram em alguns pontos, mas estavam perseguindo gente que queria implantar o Comunismo Soviético e Cubano aqui no país  

Será mesmo que você consegue colocar o seu senso de ética, de humanidade e de decência tão longe e torná-lo tão pequeno e insignificante a ponto de poder dizer que adversários políticos devem ser derrotados a marteladas e choques nos testículos?  

- Os inimigos que os militares queriam derrotar são os mesmos que hoje estão no poder e que fizeram toda essa lambança

Desculpe, não sou especialista em história e pouco sei de economia, mas acho que escândalos de roubalheiras e de desvios de dinheiro aconteceram INCLUSIVE nos tempos - na sua opinião áureos - dos militares. Sou velha, me lembro de alguns deles. A diferença, até onde eu sei, é que naqueles tempos os jornais não podiam publicar, a televisão não podia falar e os juízes não podiam condenar.  

- Os militares abriram estradas, fizeram pontes, fizeram hidrelétricas, linhas de transmissão, melhoraram portos e aeroportos

Sim? Não sei dizer exatamente se tudo isso foi assim TÃO verdadeiro em todo o país, menos ainda posso pontuar todos os impactos ambientais, étnicos e sociais que toda essa melhoria proporcionou, mas lembro vagamente de alguns poucos casos desastrosos, como a Transamazônica, por exemplo.  

Que eu saiba, qualquer livro de história pode nos contar quanto custou o “Milagre econômico” que tornou o tempo dos militares tão próspero. Eu me lembro da pobreza e da inflação galopante (muito anterior ao PT) que eram resultado da dívida externa gigantesca gerada pelo “Milagre econômico”.  

E me lembro também de piadas sobre a maravilha de ter altos cargos na Petrobras: o emprego ideal para ladrões e “amiguinhos” de ladrões. Daí vem esse bando de revoltados agindo como se corrupção na Petrobras (entre outras) fosse invenção do PT só porque nunca viram ninguém ser preso e condenado antes.  

- As escolas tinham uma qualidade muito superior a de hoje  

Tinham sim! Mas tinham também muito menos alunos frequentando, muito mais excluídos. Sou uma das críticas mais ferrenhas do estado atual da educação no Brasil, mas NUNCA, (nunca mesmo!) vou querer que a educação pública melhore a custa da liberdade e da exclusão!  

- Não sou defensor da repressão e do autoritarismo  

Engraçado você dizer que não é defensor de repressão e do autoritarismo enquanto defende a ditadura militar! Parece muito com um aluninho meu de quinta série que uma vez disse, certamente repetindo o que ouvia em casa, “Não sou racista mas não gosto de negros”. Essa coisa de negar afirmando parece que virou moda ultimamente... é uma pena!  

- Olha o que seus "amigos" fizeram  

Você relaciona duas coisas até curiosas como as que meus "amigos" fizeram: Primeiro o estatuto do desarmamento, sobre o qual pouco posso dizer além de que sou contra esse pensamento troglodita e, desculpe dizer mas burro, de que uma arma na mão de cada “cidadão” resolve todos os problemas da violência no país; e a outra é que me lembro vagamente de ter acontecido uma votação a respeito e a “não arma”, se não me falha a memória, ganhou.  

O outro ponto que, ironicamente você coloca como algo terrível que os meus "amigos" fizeram foi, nas suas palavras “tentativa de controle da imprensa”. Cara, juro que agora fiquei espantada! Então você defende os militares que CONTROLARAM a imprensa criticando a democracia que, “tentou” controlá-la? Onde foi parar a sua lógica?  

De onde você tirou isso de que houve essa tentativa eu não tenho certeza, mas imagino, e nem sequer duvido de que tenha havido algo que poderia ser visto dessa forma, mas acho que a simples existência da Globo e da Veja com suas meias verdades, versões elaboradas e palavras escolhidas para – elas sim! – controlarem o que e como o povão pensa e quem e como o povão ama ou odeia; esse controle DA imprensa sobre o povo; é mais do que prova de que a imprensa pode até estar sob controle, mas não do governo!  

- Seus "amigos"  

Só para esclarecer e refutar esse seu argumento ad homini, eu não sou petista, não votei na Dilma nem no primeiro nem no segundo mandato e só votei no Lula da primeira vez.  

- Isso me lembra os 10 mandamentos de Lênin!!!  

Desculpe minha ignorância, mas não faço a menor ideia de quais sejam os 10 mandamentos de Lênin!!!

4 de agosto de 2015

PARA OS RELIGIOSOS "LIGHT"




Se você é religioso, mas não frequenta nenhuma igreja; se você acredita em deus sem as amarras e a prisão dos dogmas e preconceitos das religiões institucionalizadas; se você apenas sente que tudo que tem e faz (orações, pensamentos, gestos e objetos místicos) te dão proteção e conforto, tenho algo para te contar: Eu te entendo muito bem porque já me senti como você.

Durante muitos anos não tive nenhuma religião, mas não deixava de ter um certo conforto místico, mesmo que na maior parte do tempo se resumisse apenas a cruzar os dedos e pensar algo do tipo "Deus me ajude". A coisa mudou quando comecei a olhar para os lados e pensar a respeito. Pensar mesmo entende? Associando o que via com o meu sentimento de conforto, coisa que normalmente a gente não faz quando tem algum tipo de crença que envolve deus, mesmo que seja um deus light, do tipo "só meu", "diferente do deus das igrejas", "Aquele com quem converso como quem fala com um amigo".

Pois bem, meio sem querer comecei a pensar MUITO nisso e percebi que um deus assim, por mais diferente que fosse, não me interessava porque se ele tinha poder para me ajudar a não estar resfriada no dia que eu tinha um compromisso importante mas não fazia nada para ajudar crianças que tinham algum tipo de vírus que as mataria, então não era um amigo assim tão legal porque (até) pessoas legais são (ou procuram ser) justas, e esse meu “amigo” não estava sendo justo. Como digo sempre, não sei apreciar a injustiça mesmo quando sou favorecida por ela.

Sobre muitas outras coisas que me davam conforto comecei a fazer associações desse tipo. Por que a ajuda vinha para mim e não para o outro que muitas vezes eu via que merecia mais do que eu? Como ajudava a mim e não as crianças, que sempre merecem mais do que eu? Meu senso de justiça começou a gritar cada vez mais alto e o meu conforto foi se tornando muito desconfortável.

Eu não podia ver alguém sofrendo sem comparar essa pessoa comigo e perguntar por que meu “amigo” não a ajudava. Não houve que eu me lembre um fato marcante que desencadeasse esse meu pensamento, apenas foi acontecendo, fui pensando e comparando. Não conseguia me impedir de pensar, não conseguia deixar de comparar os grandes sofrimentos com minhas insignificantes mazelas, ou mesmo com meus sofrimentos realmente significativos quando me livrava deles (graças a deus) e me comparava com outras pessoas - muitas vezes melhores do que eu - que tiveram o mesmo sofrimento e não a mesma sorte.

Então comecei a ler textos sobre ciência, textos de cientistas e de filósofos céticos e ateus. Comecei a escrever sobre minhas dúvidas e meus pensamentos e mandar para meus contatos de e-mail. Muito poucos conversavam comigo, alguns me pediam que parasse de mandar “esse tipo” de e-mail e outros respondiam me xingando e me mandando para o inferno.

Um dia uma ex-aluna que se tornou uma amiga muito querida sentou do meu lado, me colocou no antigo Orkut e fez o meu primeiro blog. Comecei a publicar meus textos, comecei a “conversar” com pessoas que pensavam como eu e com religiosos que tentavam me explicar suas crenças e o porquê delas. Eles não conseguiam (nunca conseguiram) me convencer. 


Acabei concluindo que já era ateia há muito tempo, só não tinha percebido isso ainda. Será que não é esse o seu caso?

3 de agosto de 2015

DEUS E O MUNDO CONTRA A ÁFRICA

E os países que roubaram (e roubam!) a África durante séculos, agora criam leis para "repatriar" e colocam tropas para impedir a "invasão" de refugiados que chegam em barcos lotados de gente faminta, de sofrimento e desespero!

Se esses países (inclusive o Brasil) tivessem um mínimo de decência, deveriam decretar que todo africano tem direito a cidadania universal. Ou então devolver o que roubaram.

Estou falando dos africanos mesmo, os negros nativos. A cidadania universal não valeria para os brancos, que são os descendentes dos europeus invasores que nasceram na África; esses teriam cidadania apenas nos países de onde vieram seus pais ou avós.

Considerando-se que esses países europeus são, historicamente, cristãos, por que a ICAR não toma alguma providência a esse respeito? Por que os cristãos que "amam ao próximo como a si mesmos" e que têm poder para tal sequer falam dessa roubalheira e desses genocídios?

Essas notícias andam me doendo muito... mas não vejo os "Bons cristãos", nem os "escolhidos" pastores milionários se manifestando a respeito. Por que será?

OBS: Sim, minha pergunta tem mais ironia e indignação do que pergunta mesmo!

6 de maio de 2015

ERRO DE AVALIAÇÃO

Apresentação

Começarei dizendo o óbvio a respeito dos avanços científicos, relacionando aquilo que é fato, que todos sabemos e que entristece, sempre, os que pensam nisso. Depois, ainda falando do óbvio, descreverei o estado precário da educação no país, a falta de receptividade dos alunos e dos responsáveis por eles e o quanto tem sido frustrante a luta por uma educação de qualidade. Por fim concluirei argumentando que nós, professores e educadores, talvez estejamos lutando do lado errado. Talvez a melhor coisa a fazer seja nos unirmos em batalha para que se apague de todas as Constituições do mundo qualquer lei que defina a educação como “Direito de todos e obrigação do Estado”. Será que a solução para construir um mundo melhor não seria aumentar em lugar de diminuir o número de pessoas ignorantes e iletradas? O objetivo desse artigo é convidar você a pensar nisso.

Da ciência

É fato que os incríveis avanços tecnológicos deram – e ainda dão – muita esperança de um mundo melhor. Mas é fato também que – por conta da índole egoísta e da oniprepotência nata do animal humano – as tecnologias sempre criam ou potencializam mortes, sofrimentos e dores.

A ciência criou as armas de destruição em massa que cada vez mais vêm transformando o assassinato de pessoas em meros números toleráveis e estatísticas frias. As maravilhas da medicina – ao mesmo tempo em que salvam vidas – criam meios de segregação porque são acessíveis apenas a quem tem dinheiro para usá-las. Os fantásticos avanços industriais tornam as pessoas “descartáveis” e perfeitamente substituíveis por máquinas cada vez mais eficientes e necessárias. Em paralelo, esses avanços geram todo tipo refugo, lixo, poluição. Substâncias nocivas são continuamente lançadas na água, no ar e no solo e se tornam responsáveis pelo surgimento e pelo aumento de doenças de todos os tipos; que os avanços da medicina combatem sempre selecionando, pelo dinheiro, os que podem e os que não podem ser curados. Esse círculo vicioso tem gerado enormes custos financeiros e é uma ameaça, cada vez mais séria e efetiva, de extermínio da própria vida no planeta.

Os absurdamente fabulosos avanços dos meios de comunicação conseguiram “diminuir o tamanho do mundo” permitindo conversas e trazendo notícias em tempo real. Conseguiram apresentar programas, jogos e filmes com imagens em alta definição e som cristalino e fantasticamente potente. Acontece que todas essas maravilhas – por estarem nas mãos da ganância do animal humano citado e definido acima, e por serem consumidas pelo mesmo animal humano – acabam servindo como instrumentos de alienação das mentes, exploração dos corpos e disseminação de ideologias assassinas.

Todos esses avanços fabulosos dos meios de comunicação pouco ou nada contribuem para alcançar resultados que efetivamente ajudariam a tornar o ser humano melhor. A mídia pouco ou nada contribui para melhorar e democratizar a educação; pouco ou nada faz para divulgar conhecimentos científicos; pouco ou nada contribui para aumentar o respeito pelo outro que ficou mais próximo; pouco ou nada contribui para potencializar a consciência ética e moral das pessoas; pouco ou nada contribui para diminuir os preconceitos e a segregação. Nem mesmo para promover o aumento da qualidade de vida das pessoas esses avanços dos meios de comunicação têm contribuído como deveriam.

Em muitos casos, infelizmente, a mídia vem contribuindo mais para que se alcance o oposto dos progressos e ganhos humanos e sociais que os pontos citados acima poderiam representar. Vemos o tempo todo, nas grandes redes de televisão e em todas as grandes mídias, programas e matérias variadas que desinformam, que divulgam pseudociência como se fosse ciência, que “ensinam” a falta de ética, que promovem a ideia de que “bom mesmo é se dar bem não importa a custa de quem”. Riem e fazem rir com o “engraçado” de ver alguém sendo humilhado por outro alguém mais “famoso”, mais rico, mais sortudo ou mais “bonito”. As mídias, infelizmente e quando poderiam fazer o contrário, comumente divulgam ou criam programas e matérias que contribuem para aumentar (e até para criar) preconceitos e mostrar “razões” para que pessoas discriminem pessoas.

Da educação

Quanto à educação, todos os envolvidos no processo sabem que a maioria dos alunos – independentemente da escola e do nível social e financeiro de seus pais – estão a maior parte do tempo tremendamente ocupados em soltar palavras de baixo calão aos gritos, mexer no celular procurando novas maneiras de conversar sem conteúdo, disputar acirradamente para NÃO saber quem consegue acessar os sites mais vazios e inúteis, ouvir o máximo de vezes possível os barulhos monótonos e insuportáveis que insistem em chamar de música e, principalmente, deixar claro que o professor na sala de aula é apenas um “poste” incômodo a ser ignorado.

É claro que os alunos das escolas públicas das periferias são os mais prejudicados por esse comportamento. Eles não têm os recursos, proporcionados pelo dinheiro, dos quais os pais lançam mão para garantir a “boa educação” de seus filhos. As aulas particulares nos dias que antecedem a qualquer prova importante, os trabalhos pagos para serem feitos por terceiros com o nome dos seus lindos filhinhos no campo “autor”. E há sempre outras facilidades que variam de acordo com a estrutura da família, o número de zeros na conta bancária e a influência que seu dinheiro tem sobre a direção da escola. Esses meios são completamente desconhecidos por grande parte dos alunos de escola pública. O maior recurso de que eles ainda lançam mão para “se dar bem” é a velha e manjadíssima cola.

Mas temos que ser honestos e reconhecer que nem tudo é maldade e falta de ética. Há também o acompanhamento efetivo que muitos pais dão aos seus filhos; mesmo pais de alunos de escola pública, em muitos casos, se preocupam e acompanham da melhor forma que podem os estudos de seus filhos. Acontece que o acompanhamento dos estudos é muito mais eficiente quando feito por pessoas cultas e com disponibilidade maior de recursos, como computadores e livros em casa. Esse tipo de acompanhamento, digamos “especializado”, em geral está longe das condições dos alunos mais pobres porque os pais desses alunos são, em geral, pouco letrados e pouco podem fazer além de ir às reuniões e cobrar seus filhos com mais energia.

Os alunos de escola pública, quando têm o computador em casa têm pais que não sabem usá-lo e não sabem orientar e exigir dos filhos o uso pedagógico adequado dessa ferramenta. Então, o que acontece é que esses alunos não usam o computador para muita coisa além de continuar, nas redes sociais, as mesmas atividades vazias e “desinformantes” a que se dedicam na sala de aula enquanto o professor tenta ensinar alguma coisa.

Lógico que é muito bom e recomendável que os pais dos alunos da escola pública acompanhem, cobrem e se interessem pelos estudos de seus filhos! Esse acompanhamento – por diversas razões e nem sempre por culpa dos pais – chega a ser raro em muitas escolas, mas quando acontece sem dúvida nenhuma surte grandes efeitos. Porém, o fato inegável é que, por mais louvável e benéfica que seja a presença efetiva dos pais na vida escolar dos alunos de escola pública, essa presença é muito menos eficiente do que a mesma ajuda vinda dos pais mais cultos. Então – com ou sem o acompanhamento efetivo dos pais – o aluno de escola pública, em geral e quase sempre, está sim em desvantagem com relação ao aluno da escola particular. Mesmo quando ambos têm o mesmo desinteresse e o mesmo desprezo pelos estudos, pela escola e pelos professores.

Da realidade

Comecemos com essa relação de fatos:

Os criadores das incríveis máquinas capazes de substituir dezenas de trabalhadores que ficarão sem seus empregos; os criadores das fantásticas máquinas capazes de produzir maravilhas e montanhas de lixo tóxico são, em geral, formados em engenharia. Os que descobrem como extrair e manipular substâncias para conseguir remédios, combustíveis, adubos, cosméticos e todo tipo de produtos que prolongam e facilitam a vida de uns enquanto descartam, obsoletam e excluem muitos outros são, em geral, formados em química. Aqueles que criam e aperfeiçoam as máquinas e dispositivos cada vez mais avançados que possibilitam o envio e recebimento de som de imagem com cada vez mais rapidez, precisão e realismo são, em geral, formados em tecnologia, informática e faculdades afins. E as pessoas que administram as indústrias de grande porte onde estão essas máquinas e esses laboratórios; pessoas que em nome de maiores vendas e maiores lucros têm como “política de sobrevivência” a prática de todo tipo de troca de favores, exploração de pessoas e manipulação de informações são, em geral, formadas em Administração, economia e faculdades afins.

No Brasil – e nas grandes potências mundiais que negociam em dólar – os que se elegem com mentiras e com mentiras se mantém nos altos cargos administrativos do país são, em geral, formados em faculdades de primeira linha. Exceto para o judiciário, onde todos precisam ser formados em direito, se não me engano, a exigência de formação universitária na política vem principalmente dos eleitores da elite e da mídia, que, com raras exceções, convence os demais eleitores de que não devem votar em quem não tem “canudo”. A menos, é claro, que o candidato tenha muito dinheiro ou muita exposição e apoio da mídia. Como eu disse: as exceções são raras.

E há ainda as empresas estatais, sempre administradas pelos “senhores doutores” que têm em comum a constante preocupação de aumentar “ao infinito” seu próprio cabedal com falcatruas, arranjos, desvios e roubos que custam a miséria e até a morte de milhares de pessoas.

Existem ainda aqueles que, com discursos “convincentes”, manipulam, exploram e roubam pessoas humildes, inocentes e ingênuas vendendo um deus que promete – para “talvez” ou para a outra vida – milagres e felicidades que acontecerão apenas para quem tiver fé e fizer “doação para o Senhor”; esse ser todo poderoso que cada dia “precisa” de mais dinheiro. Em termos de exigência de formação universitária, esses “homens de Deus” são quase uma exceção no caso das igrejas evangélicas, mas não o são na igreja católica. Mas nas igrejas evangélicas, os maiores e mais influentes, aqueles que mais exploram e mais danos causam, os que propagam fundamentalismo preconceituoso e violento, os que interferem de forma desonesta na criação das leis do país, os que levam “a palavra” às aldeias indígenas e colaboram para a perda irreversível de sua cultura, esses são, em geral, pessoas formadas em universidades. Pelo menos esse é o caso de um dos maiores nomes dessa vertente; formado em psicologia. E ele não é o único.

Da ideia

Vimos que para todas essas atividades, funções, profissões e ... danos, salvo raras exceções, as pessoas precisam ser cultas, ter frequentado universidades, ter um ou mais diplomas. E foi pensando nisso que vim a me perguntar se não estamos todos, professores, pais e sociedade – pelo menos a parte dos pais e da sociedade que se preocupa com isso – lutando pelo lado errado. Será que a luta pela educação pública e gratuita para todos não deveria se tornar a luta pelo fim da educação formal – pública ou privada – para todos?

Mas então você está defendendo a volta à Idade da Pedra?

Sim e não. Primeiro porque não estou dando uma resposta, nem sequer estou fazendo uma proposta ou apresentando um projeto. Estou apenas, até o momento, fazendo perguntas, tentando provocar pensamentos e discussões e, talvez, abrir espaço para que se olhe a questão da educação por um outro ângulo. E, principalmente, na minha pouca visão dos fatos, estou pensando se não seria válido aplicar para a sociedade o mesmo princípio que Einstein usou para as mentes: “Uma vez aberta não volta ao seu tamanho original”. Talvez sem a obrigatoriedade da educação formal – que aliás nunca quiseram – a maioria dos jovens possa se dedicar a atividades menos danosas, como aprender profissões artesanais de seu interesse e se dedicarem a atividades práticas que lhes permita sobreviver e criar suas famílias.

Poderão viver sem ter que conhecer ou se preocupar com o avanço das tecnologias que permitem explorar o outro. Não terão a ambição de se tornar milionário à custa da destruição da vida no planeta, então, talvez, o planeta possa ter tempo para recuperar sua natureza e seu ecossistema sem os ataques maciços que têm sofrido até agora.

Eu não proporia – e não acho que deva ser feita – a extinção da educação; menos ainda a queima de livros aos moldes das sanguinárias ditaduras políticas e religiosas que o fizeram tantas vezes na história. Minha ideia é mais a de que a educação formal seja algo a ser dado a todo aquele que a deseje. Sem distinção de cor, raça, sexo ou qualquer outro tipo de nomenclatura ou adjetivo que separe pessoas em grupos distintos. Bastaria apenas que alguma pessoa – criança ou adulto – mostrasse o desejo de aprender para que esse conhecimento, em existindo, lhe fosse dado. Para isso se poderia manter, em todos os lugares do mundo, um número suficiente de escolas nas quais se matriculariam aqueles que lá desejassem estudar. Ninguém poderia ser forçado, seja pelo estado seja pelos pais ou responsáveis, a atravessar os portões de uma escola e sentar-se diante de um professor. Apenas o desejo, apenas a curiosidade, apenas a sede de conhecimento, apenas o amor pelas ciências faria com que alguém se tornasse um aluno... e um professor.

Mal consigo vislumbrar a quantidade de mudanças que essa nova postura diante da educação poderia trazer. Pensei em quanto menos pessoas se formariam em cursos para os quais não tiveram vocação ou vontade, quantas menos se tornariam profissionais sofríveis, quantas menos seriam protagonistas de erros capazes de causar grandes danos e até a morte de pessoas a seus cuidados. Pensei que o número de profissionais capacitados em muitas áreas importantes seria drasticamente reduzido e, em alguns casos – como na medicina, por exemplo – isso poderia resultar na falta desses profissionais para atender as necessidades da população em muitas cidades do mundo. Mas, venhamos e convenhamos, isso já não acontece?

Conclusão

Enfim, tudo o que escrevi aqui é pouco mais do que um esboço de pensamento, ainda estou na fase de passar horas rolando na cama, tentando imaginar quais seriam as consequências dessa minha ideia se aplicada, nessa ou naquela área. Em alguns casos chego à conclusão de que poderia haver mortes e sofrimentos, então tento pesar essas mortes e sofrimentos possíveis com as mortes e os sofrimentos que existem agora em consequência das falhas e dos derivados do sistema atual. Então tento pesar essas mortes e sofrimentos possíveis com as mortes e os sofrimentos que acontecerão em consequência das falhas e dos derivados do sistema atual. Novamente não sei a resposta e não sei se existe uma, mas penso nos tantos e tantos avisos, indícios e provas de que estamos levando nossa raça à extinção – e muitas outras além da nossa, talvez todas – e me pergunto se o abandono dessa ideia de dar educação a todos (queiram eles ou não) e, em lugar disso, a adoção do novo sistema de educação voluntária não poderia ser uma forma eficaz de “salvar o planeta”, como dizem muitos dos que não sabem que não é o planeta que precisa ser salvo e sim a vida que ele abriga.

Esse artigo foi escrito só para fazer essa pergunta. Quer tentar respondê-la?