4 de agosto de 2015

PARA OS RELIGIOSOS "LIGHT"




Se você é religioso, mas não frequenta nenhuma igreja; se você acredita em deus sem as amarras e a prisão dos dogmas e preconceitos das religiões institucionalizadas; se você apenas sente que tudo que tem e faz (orações, pensamentos, gestos e objetos místicos) te dão proteção e conforto, tenho algo para te contar: Eu te entendo muito bem porque já me senti como você.

Durante muitos anos não tive nenhuma religião, mas não deixava de ter um certo conforto místico, mesmo que na maior parte do tempo se resumisse apenas a cruzar os dedos e pensar algo do tipo "Deus me ajude". A coisa mudou quando comecei a olhar para os lados e pensar a respeito. Pensar mesmo entende? Associando o que via com o meu sentimento de conforto, coisa que normalmente a gente não faz quando tem algum tipo de crença que envolve deus, mesmo que seja um deus light, do tipo "só meu", "diferente do deus das igrejas", "Aquele com quem converso como quem fala com um amigo".

Pois bem, meio sem querer comecei a pensar MUITO nisso e percebi que um deus assim, por mais diferente que fosse, não me interessava porque se ele tinha poder para me ajudar a não estar resfriada no dia que eu tinha um compromisso importante mas não fazia nada para ajudar crianças que tinham algum tipo de vírus que as mataria, então não era um amigo assim tão legal porque (até) pessoas legais são (ou procuram ser) justas, e esse meu “amigo” não estava sendo justo. Como digo sempre, não sei apreciar a injustiça mesmo quando sou favorecida por ela.

Sobre muitas outras coisas que me davam conforto comecei a fazer associações desse tipo. Por que a ajuda vinha para mim e não para o outro que muitas vezes eu via que merecia mais do que eu? Como ajudava a mim e não as crianças, que sempre merecem mais do que eu? Meu senso de justiça começou a gritar cada vez mais alto e o meu conforto foi se tornando muito desconfortável.

Eu não podia ver alguém sofrendo sem comparar essa pessoa comigo e perguntar por que meu “amigo” não a ajudava. Não houve que eu me lembre um fato marcante que desencadeasse esse meu pensamento, apenas foi acontecendo, fui pensando e comparando. Não conseguia me impedir de pensar, não conseguia deixar de comparar os grandes sofrimentos com minhas insignificantes mazelas, ou mesmo com meus sofrimentos realmente significativos quando me livrava deles (graças a deus) e me comparava com outras pessoas - muitas vezes melhores do que eu - que tiveram o mesmo sofrimento e não a mesma sorte.

Então comecei a ler textos sobre ciência, textos de cientistas e de filósofos céticos e ateus. Comecei a escrever sobre minhas dúvidas e meus pensamentos e mandar para meus contatos de e-mail. Muito poucos conversavam comigo, alguns me pediam que parasse de mandar “esse tipo” de e-mail e outros respondiam me xingando e me mandando para o inferno.

Um dia uma ex-aluna que se tornou uma amiga muito querida sentou do meu lado, me colocou no antigo Orkut e fez o meu primeiro blog. Comecei a publicar meus textos, comecei a “conversar” com pessoas que pensavam como eu e com religiosos que tentavam me explicar suas crenças e o porquê delas. Eles não conseguiam (nunca conseguiram) me convencer. 


Acabei concluindo que já era ateia há muito tempo, só não tinha percebido isso ainda. Será que não é esse o seu caso?

3 de agosto de 2015

DEUS E O MUNDO CONTRA A ÁFRICA

E os países que roubaram (e roubam!) a África durante séculos, agora criam leis para "repatriar" e colocam tropas para impedir a "invasão" de refugiados que chegam em barcos lotados de gente faminta, de sofrimento e desespero!

Se esses países (inclusive o Brasil) tivessem um mínimo de decência, deveriam decretar que todo africano tem direito a cidadania universal. Ou então devolver o que roubaram.

Estou falando dos africanos mesmo, os negros nativos. A cidadania universal não valeria para os brancos, que são os descendentes dos europeus invasores que nasceram na África; esses teriam cidadania apenas nos países de onde vieram seus pais ou avós.

Considerando-se que esses países europeus são, historicamente, cristãos, por que a ICAR não toma alguma providência a esse respeito? Por que os cristãos que "amam ao próximo como a si mesmos" e que têm poder para tal sequer falam dessa roubalheira e desses genocídios?

Essas notícias andam me doendo muito... mas não vejo os "Bons cristãos", nem os "escolhidos" pastores milionários se manifestando a respeito. Por que será?

OBS: Sim, minha pergunta tem mais ironia e indignação do que pergunta mesmo!