9 de março de 2016

A QUESTÃO DO ABORTO




PRIMEIRO PENSE NESSE ARTIGO DE LEI:

“A mulher grávida que der consentimento ao aborto praticado por terceiro, ou que, por facto próprio ou alheio, se fizer abortar, é punida com pena de prisão até 3 anos.” Artigo 140, parágrafo 3

DEPOIS PENSE NESSA RELAÇÃO:

Algumas das (muitas) razões que podem levar uma mulher a optar pelo aborto:

- A mulher foi “irresponsável” e transou com um monte de caras sem se prevenir. (E como você a julga dizendo que ela é uma “vagabunda”, você decide que ela merece morrer)

- A mulher foi estuprada (Na sua opinião porque estava usando roupa indecente, portanto, ela “pediu por isso”)

- A mulher estava voltando do trabalho ou da faculdade, nem estava usando roupa “indecente” mas era jovem e “gostosa” por isso algum energúmeno achou que era legal estuprá-la e ela se viu grávida do ser mais nojento e abominável que já a traumatizou. Então ela vai à polícia e o policial a “estupra” novamente com perguntas maliciosas e insinuações perversas que sugerem claramente que a culpa foi dela.

- A mulher “deu” pro cara porque se apaixonou e foi “incompetente” para perceber que ele era irresponsável. Foi abandonada por ele assim que engravidou. Jovem, se viu grávida, sem condições financeiras, sem apoio familiar e sem estrutura psicológica para assumir sozinha a responsabilidade que um filho exige.

- A mulher já tem cinco filhos, com o marido quase sempre desempregado, a família não consegue criar direito nem os que já tem. (E você diz que ela é uma irresponsável que “se reproduz que nem coelho”. E, algumas vezes, você culpa também o homem por não ser “suficientemente proativo”, afinal a meritocracia não diz que se alguém não consegue sucesso na vida é porque “não se esforçou o suficiente”?)

- A mulher é casada, o marido (além do padre ou pastor) é contra a prevenção porque “Deus disse ‘crescei e multiplicai’”. Quando se vê grávida, ela se desespera porque sabe que não tem condição financeira e psicológica para criar mais um filho.

- A mulher é casada mas o marido tem surtos de fúria e espanca os filhos com frequência. Ela não quer ter mais um filho para ver apanhando (Foi essa a razão de minha mãe tentar o aborto)

- A mulher tem um namorado, não pode tomar pílula porque seu organismo rejeita ou porque a família moralista não pode saber que ela tem vida sexual. Um dia a camisinha estoura e ela engravida. Quando conta que está grávida o “namorado perfeito” desaparece e o pai a chama de puta!

- A mulher recebe de um ginecologista, depois dos exames feitos e analisados, o diagnóstico de que não pode engravidar. Para animá-la o médico diz que há a possibilidade de que ela consiga engravidar caso faça um “tratamento” ao qual ele dá nomes que ela não consegue se lembrar. Daí, confiando no médico, ela dispensa a pílula e a camisinha e engravida do namorado. (Foi o que aconteceu comigo!)

- A mulher não é ainda uma mulher, é um criança de 9 anos, estuprada pelo pai (ou padrasto) desde sabe-se lá que idade. Ela engravida de gêmeos e - como seu aparelho reprodutor ainda não está totalmente formado – ela corre risco de morrer. Um médico faz o aborto para salvar a vida da menina. Mas o bispo da cidade excomunga o médico que fez o aborto e a mãe que o autorizou. Não excomunga o estuprador!

- A mulher engravida. O namorado é um cara muito decente e a família dos dois apoia e eles planejam e preparam o casamento. Mas vivem em uma zona de risco e o namorado “confundido com um bandido” - porque é preto e pobre – é baleado por policiais. Ele morre, a mulher “perde o chão” e não se sente com estrutura para criar um filho. (Algo parecido aconteceu com uma amiga minha)

Na sequência você pode (e deve!) colocar outras razões pelas quais passou, que puder imaginar ou que já presenciou.

AGORA UNA AS DUAS E RESPONDA A SI MESMO:

- Por causa da primeira - ou se você tiver um mínimo de ética e de conhecimento científico “apesar” da primeira - você tem certeza mesmo de que quer mandar todas as outras (se pensar melhor, a Primeira Inclusive) para a cadeia ou para a morte?

- Você se acha mesmo no direito de decidir (sem conhecer as pessoas e suas razões) quem tem ou não o direito de fazer aborto e quem merece ir presa ou morrer se contrariar a SUA opinião?

- Você conhece biologia o suficiente para determinar quando a vida gestada é mais “preciosa” do que a vida da mulher em cujo corpo se dá essa gestação, e que VOCÊ está condenando à prisão ou à morte?

ÚLTIMA PERGUNTA:

Jura que seu deus é tão terrivelmente machista assim?